CRÍTICA – A Morte de Stalin
14 mar

CRÍTICA – A Morte de Stalin

Filmes

Julia Giarola

Filme: A Morte de Stalin
Título original: The Death of Stalin
Data de lançamento: (sem previsão)
Duração: 1h 47min
Direção: Armando Iannucci
Gênero: Comédia , Drama
Nacionalidade: EUA, França

Sinopse: Moscou, 1953: quando o ditador tirânico Joseph Stalin cai morto, seus companheiros parasitas embarcam em uma luta frenética para ser o próximo líder soviético. Entre os contendores estão Georgy Malenkov (Jeffrey Tambor), Nikita Khrushchev (Steve Buscemi) e o chefe de polícia secreto sádico Lavrentiy Beria (Simon Russell Beale). Mas enquanto eles traçam seus caminhos para o topo com brigas e traição, quem está comandando o governo? 

Sátiras políticas devem procurar balancear a comédia sutil e os eventos embasados na realidade. Extraindo risadas do que pode ser apenas descrito como humor negro, graças a proximidade aos fatos, esses tipos de histórias podem seguir duas direções distintas: o total desastre ou inegável brilhantismo. Baseado no graphic novel  homônimo de Fabien Nury, A Morte de Stalin apresenta fato como ficção e analisa as figuras absurdas do poder centralizado no regime soviético, acompanhando os acontecimentos que precederam a morte de Joseph Stalin. Atingindo um status imediato de clássico, o filme mistura caos e factualidade para descrever os eventos históricos de um governo em transição.

Explorando uma comédia entranhada muito bem no drama real dos registros históricos oficiais, essa adaptação não se esconde da delicada tarefa na qual assumiu responsabilidade. Ponderando o absurdo da realidade e o mundano a ficção, A Morte de Stalin pode muito bem ser o considerado o Dr. Fantástico (1964) do século 21, já que mostra brilhantemente o lado hilário e falho das figuras políticas que se encontram no poder. Todos têm rotinas, até mesmo os grandes ditadores e assim, em um momento crucial de transição, assistimos algo assustadoramente familiar em qualquer governo: a manipulação para benefícios pessoais.

Ao contrário do clássico de Kubrick, porém, esta nova sátira política tem a difícil função de selecionar fatos históricos para uma adaptação divertida e engraçada. O humor é sutil, porém a partir do momento que nos convida à rir do absurdo de uma realidade que realmente existiu, A Morte de Stalin consegue ser informativo e hilário, ainda não escondendo os horrores que ocorreram na época durante os acontecimentos do filme. Armando Iannucci balanceia tudo muito bem e, assim como em seus outros projetos que tendem ao sumo político tal como In The Loop (2009) e a série Veep (2012-), o diretor se apoia em diálogos dinâmicos e situações de caos que representam muito bem o esse mundo.

O diretor também conta com a presença de um elenco extremamente talentoso que esbanja dedicação e comprometimento com o incrível material. O ritmo e o humor do filme se apoiam totalmente na dinâmica das atuações que cria uma agilidade constante na trama caótica. O fato de todos os atores falarem com seu sotaque normal também dá um toque especial na tolice que o filme promove, ao mesmo tempo tirando um obstáculo do caminho. Cada ator destaca em seu determinado momento, distribuindo funções e risadas de maneira magistral.

A Morte de Stalin infelizmente não tem previsão de lançamento aqui no Brasil, o que é uma pena já que apresenta a comédia perfeita dos fatos obscuros da história. É claro que os eventos retratados no filme não são cem porcento verídicos, sendo selecionados e adaptados para o entretenimento, porém, esta nova sátira política faz um ótimo trabalho em realçar discretamente o que é história e o que é adaptação, se transformando na melhor aula de história que você vai ter.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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