CRÍTICA – Projeto Flórida
26 fev

CRÍTICA – Projeto Flórida

Filmes

Julia Giarola

Filme: Projeto Flórida
Título original: The Florida Project
Data de lançamento: 01 de março de 2018
Duração: 1h 51min
Direção: Sean Baker
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Moonee (Brooklynn Prince), uma agitada garotinha de seis anos, apronta com o vizinho Scooty (Christopher Rivera) e faz novas amizades nas redondezas dos parques Disney. Ela vive com a mãe (Bria Vinaite) numa hospedagem de beira de estrada e as duas contam com a proteção do gerente Bobby (Willem Dafoe) na batalha diária pela sobrevivência com poucos recursos e muitos riscos.

O que uma pessoa pensa sobre um determinado filme diz muito sobre o que ela considera emocionante, envolvente e até mesmo de qualidade. Qualidade, porém, difere de gosto, muitas vezes entrando em conflito nas artes mais populares como o cinema. Sabendo distinguir esses dois aspectos, podemos analisar muito esta visão quando observamos os filmes independentes e suas diferentes repercussões com críticos e público geral. Misturando a inocência da infância com nossa nova perspectiva sobre uma triste realidade que vem jundo com amadurecimento, Projeto Flórida é o contraste perfeito de extremos.

Localizado ao redor do “lugar mais feliz do mundo”, o filme se passa em um hotel de beira de estrada nas redondezas da Disney, onde Moonee mora com sua mãe, assim como muitas outras famílias que batalham todos os dias para sobreviver em condições precárias. O contraste entre esses dois extremos das classes sociais é muito explorado durante a história que, apesar de sutil, consegue mostrar os turistas que estão de passagem para visitar os parques e a vida das crianças que passam o dia correndo e brincando pelas ruas, enquanto seus pais lutam para sobreviver. O ponto de vista da protagonista é um dos charmes de Projeto Flórida, já que a garota aproveita sua infância com os olhos da inocência sem saber dos temas mais obscuros que são abordados pelo longa. Nós como audiência então somos convidados a experienciar tudo com esses olhos, mas ainda estando ciente da realidade que rodeia os eventos.

O fato de Projeto Flórida não seguir uma estrutura segura para sua história faz do filme uma experiência realista e natural que se tornou característica de Sean Baker, mostrando pessoas de verdade. O foco nas “aventuras” das crianças que vivem no projeto, destaca uma sensação de nostalgia, assim como o peso que suas vidas carregam. Elas não estão cientes das dificuldades que enfrentam e por isso não deixam de aproveitar a infância. O posicionamento de câmera muitas vezes cortando a metade de cima dos adultos passa bem esse ponto de vista e mostra quem realmente devemos seguir durante o filme.

Com um show de atuação não só do veterano William DefoeSean Baker consegue retirar o melhor de todo o elenco, resultando em interpretações naturais e poderosas. O destaque é sem dúvida é Brooklynn Prince, a garota de 8 anos que roubou o filme. Dos maneirismos de crianças até a cena final, a atriz carrega a trama pesada com facilidade e descontração, balanceando bem o tom do filme. A autenticidade é importante para que um filme como Projeto Flórida funcione, já que uma sem trama evidente, luta para fazer jus às pessoas que representa.

Assim como trabalhos anteriores de Baker, como Tangerina (2015), a fotografia tem personalidade própria, criando não apenas ambiente, mas também uma atmosfera mágica que envolve o filme. Um dia na vida de pessoas reais e tão diferentes de nós pode não parecer entretenimento, porém um dos maiores esnobados do Oscar 2018 chama nossa atenção para outros tipos de histórias, exigindo envolvimento emocional e empatia nos limites do contraste entre a classe média e as comunidades que estão um dia de atraso no aluguel para se tornarem sem teto. Não deixe de conferir esse filme mágico, com certeza vale cada centavo!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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