CRÍTICA – Casal Improvável
30 maio

CRÍTICA – Casal Improvável

Filmes, Notícias

Julia Giarola

Título: Casal Improvável
Título Original: Long Shot
Data de lançamento: 2h 05min
Duração: 2h 05min
Direção: Jonathan Levine
Gênero: Comédia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Solitário, sem emprego, autodestrutivo e fracassado, o jornalista Fred Flarsky (Seth Rogen) se esforça para tentar mudar os rumos de sua vida. Quando se reencontra com a sua antiga babá, Charlotte Field (Charlize Theron), que hoje se tornou uma das mulheres mais poderosas do mundo, um romance improvável surge entre eles, causando uma inesperada reação em cadeia.

Depois de se despedir dos pares românticos perfeitos, as audiências agora parecem se agarrar à ideia dos casais implausíveis. Normalmente relacionado apenas com aparências – onde mais uma vez assistimos Adam Sandler conquistar uma mulher atraente com características generalizadas (com algumas exceções, é claro) -, o conceito parece se evoluir juntamente ao contexto social atual. Enfatizando agora uma improbabilidade mais complexa, Casal Improvável utiliza deste velho conceito das aparências utilizado no ambiente político para produzir uma comédia romântica divertida e charmosa.

Com um elenco forte e conceito perfeito para uma comédia romântica, Casal Improvável tenta provar o motivo de não fazer parte de um lançamento perdido da Netflix. Em vez de se entregar então aos “novos” padrões de implicatividade dos casais, assim como muitos filmes do gênero, o longa se esforça para explorar a superficialidade e improbabilidade ao introduzir a história em um contexto político. Desenvolvendo então uma dinâmica charmosa entre Charliz Theron e Seth Rogen, a comédia se destaca onde os enredos românticos devem se destacar: no casal em si.

Após anos investindo em comédias românticas à estilo “patinho feio”, onde convida a audiência a repensar os padrões de beleza com os pareamentos “improváveis”, Hollywood se depara com uma nova demanda. Sendo definitivamente um passo adiante para chegarmos onde estamos atualmente, este conceito é sim batido. Casal Improvável, porém, brinca com esta concepção de aparências e definições superficiais quando, na verdade, introduz um casal  totalmente plausível – uma vez que estas primeiras impressões são ignoradas. Compartilhando senso de humor, crenças e carinho, Charlotte e Fred formam um par charmoso que apresentam muito respeito um pelo outro. Ambos profissionais respeitados e pessoas solitárias, o longa consegue demonstrar esta compatibilidade na maneira no qual os personagens interagem entre si.

A evolução de cada um durante a história fortalece este aspecto principal do longo que foca tanto no casal em si, em vez de sua “improbabilidade” devido aparências. Isto vem quando colocado diante o contexto político introduzido pelo filme. Este sub-tom político também adiciona uma trama paralela interessante na jornada pessoal de Fred onde este é confrontado por suas próprias concepções antiquadas sobre democratas e republicanos. Uma separação bastante visível nos EUA, o roteiro consegue desenvolver este tema da visão de superioridade de cada lado da discussão simultaneamente ao romance, mostrando a posição do filme entre a superpopulação do gênero.

Utilizando o enredo para também introduzir a discussão do momento sobre sexismo, Casal Improvável é menos sutil sobre este aspecto. Mesmo conseguindo deixar claro os diferentes parâmetros para mulheres e homens no mercado de trabalho, o filme perde a oportunidade de ir um pouco mais além. Os tópicos discutidos durante a história são sim relevantes, porém não é nada que audiência atual já não sabe ou viu.

Casal Improvável está em seu melhor quando mostra a ternura do casal, deixando Charlize Theron e Seth Rogen desenvolver ambos os aspectos do longa: a comédia e o romance. A química entre os atores beneficia tanto o humor quanto a jornada dos personagens que, apesar de cair em alguns clichês, não impede o filme de ser divertido e charmoso do começo ao fim.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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