Crítica – O Homem de Palha (1973)
07 mar

Crítica – O Homem de Palha (1973)

Coluna, Desafio Cinéfilo

Julia Giarola

Continuando nossa nova parceria com o blog Cinema Depois do Café e com o projeto Desafio Cinéfilo, onde nossa equipe do Desencaixados troca indicações de filmes com Vinicius Liessi do blog, fazendo a crítica dos filmes indicados. A segunda indicação é o filme de 1973, O Homem de Palha.

Filme: O Homem de Palha
Título original: The Wicker Man
Ano de lançamento: 1973
Duração: 1h 24min
Direção: Robin Hardy
Gênero: Suspense, Terror
Nacionalidade: Reino Unido

Sinopse: O policial Neil Howie (Edward Woodward) chega à ilha de Summerisle, na Escócia, para investigar o desaparecimento de uma jovem. Logo ele descobre que os habitantes não estão nem um pouco dispostos a colaborar. A tensão e o mistério aumentam ainda mais quando ele conhece o Lord Summerisle (Christopher Lee), um poderoso fazendeiro que lidera uma estranha seita pagã.

Situado na angústia dos anos 70 e a melancolia do cinema europeu, O Homem de Palha apresenta uma história de investigação que explora os elementos periféricos do terror. Se distanciando do que estamos acostumados hoje, mas sendo na verdade o pilar para o gênero nos filmes modernos, o longa de 1973 é o exemplo perfeito das direções que podem ser tomada ao explorar a inquietação e agonia do desconhecido, introduzindo um elemento deslocado em uma nova comunidade, servindo então como horror.

Acompanhando a investigação do policial Neil Howie a respeito de uma garota desaparecida, O Homem de Palha estabelece então um ponto de vista a ser seguido, introduzindo à audiência também como deslocada em meio das bizarrices da ilha de Summerisle. Com um protagonista aparentemente forte e desconfiado, essa é nossa primeira perspectiva sobre esse novo mundo, nos influenciando a interpretar o comportamento como estranho. É ao decorrer do filme, porém, que nos encontramos surpresos pela presença autoritária do protagonista, que encorpora a intolerância, questionando religiões primárias e seus julgamentos sobre outras crenças. Este é saído diretamente do nosso medo inicial do desconhecido como principal elemento do terror.

Abrindo então uma discussão interessante sobre liberdade religiosa, O Homem de Palha se posiciona como um filme extremamente cético, onde este enxerga a ironia do julgamento cristão sobre os “extremos” e os “absurdos” de outras crenças, sendo que o próprio destrói outros símbolos religiosos para construir os seus (como mostrado na cena onde Howie utiliza as tábuas para fazer uma cruz). O fanatismo é o obstáculo do filme, impregnado não apenas na comunidade antagonística, mas também em nosso “herói”, este que no final se depara com os outros sacrifícios, estes não tão diferentes quanto os da sua própria religião que o impede a ceder seu corpo ao desejo e ao estilo de vida liberal, fazendo, então, com uso da hipocrisia por trás de todas as crenças.

Com ângulos inclinados e música sinistra, o filme cria uma atmosfera nostálgica, característica do horror que deseja promover. O aspecto de deslocamento tem que encobrir o espectador, com um ambiente sombrio e não familiar; É exatamente isso que o longa faz, trazendo talentos tais como Christopher Lee para carregar o peso do tema e dos demais aspectos do filme, estes que, combinados, formam uma das melhores obras de gênero que o cinema já viu.

Depois de presenciar atos de desafio ao cristianismo encorporados em cenas eróticas de nudez, assim como discursos sobre as próprias diferentes perspectivas disponibilizadas pelas religiões, de certa maneira, no final, trocamos de lugar e nos tornamos intolerantes assim como o policial. A necessidade humana de se depositar em crenças, deixar doutrinas ditar nossas vidas, amenizando a responsabilidade e o peso de viver sobre o livre arbítrio, representa muito bem o sacrifício final de um mundo em chamas, rodeado apenas por pessoas fanáticas.

Nossa nota é:

Gostaram do projeto Desafio Cinéfilo? Então continue acompanhando nossa colaboração com o blog Cinema Depois do Café e não perca as próximas indicações que serão analisadas por nossa equipe e por Vinicius Liessi. E não se esqueça, se quiser a análise de algum filme específico basta nos desafiar… Deixe seu desafio abaixo!

Leia também

Comentários

  • Cora Clarice

    bom filme meio weirdo