CRÍTICA: Black Mirror – 5ª Temporada
14 jun

CRÍTICA: Black Mirror – 5ª Temporada

Notícias, Séries

Amanda Barros

black_mirror_ver10Título: Black Mirror
Título original: Black Mirror
Ano de lançamento: 2019 (Netflix)
Duração: 3 episódios
Criador: Charlie Brooker
Gênero: Ficção-científica; Antologia
Nacionalidade: Estados Unidos da América

Sinopse: Esta série antológica de ficção científica explora um futuro próximo onde a natureza humana e a tecnologia de ponta entram em um perigoso conflito. Em “Striking Vipers”, dois colegas universitários se reencontram após anos, desencadeando uma série de eventos que podem alterar suas vidas para sempre. Em “Smithereens”, um motorista de táxi se torna o centro das atenções em um dia que sai de controle rapidamente. Em “Rachel, Jack and Ashley Too”, uma adolescente solitária anseia por se conectar com sua estrela do pop favorita – cuja existência encantada não é tão cor-de-rosa quanto parece.

De desconhecida a aclamada, Black Mirror é uma série que só acumula fãs a cada nova temporada e a ansiedade da comunidade de admiradores da série só aumentava a medida que o dia 5 de junho desse ano se aproximava, trazendo com ele a 5ª temporada da antologia.

Exatamente por ser uma antologia, Black Mirror não conta exatamente uma história, mas várias que normalmente utilizam a tecnologia como principal recurso para fazer críticas sociais sobre como os seres humanos se relacionam uns com os outros e com a própria tecnologia em si, entretanto, nesta nova temporada o clima foi um pouco diferente e conta com 3 episódios.

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O primeiro episódio (filmado no Brasil), se chama Striking Vipers e traz a história de Danny (Anthony Mackie) e Karl (Yahya Abdul-Mateen II), dois amigos de faculdade viciados em videogame que se reencontram depois de bastante tempo e decidem jogar online seu game favorito, mas isso pode trazer a eles dúvidas que aparentemente nunca tiveram antes.

Nessa história a tecnologia é usada como uma forma de refúgio dos personagens e o espectador acaba conhecendo-os melhor no mundo virtual que é apresentado do que na realidade em que eles vivem. Claramente Danny é o protagonista, por isso seu conflito interno sempre é melhor explorado. A atuação de Mackie contribuiu muito para dar profundidade ao personagem que não é tão carismático no início.

O final demonstra exatamente o ponto que o episódio busca analisar, as relações modernas e como as pessoas ainda buscam refúgios e esconderijos para não admitir certas verdades sobre si mesmos, além disso, o que muitos fãs reclamam sobre ser um “final feliz” talvez seja pela ausência de uma tragédia visível, mas é de se pensar que a tragédia possa ser justamente esse suposto final feliz.

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Smithreens é o segundo episódio da temporada e traz Chris (Andrew Scott) como personagem principal da trama. O homem é um motorista de aplicativo que todo dia fica em frente à sede de Smithreens pronto para apanhar passageiros, mas tudo muda quando ele sequestra um dos funcionários do prédio, mas descobre que o rapaz é somente um estagiário.

Esse provavelmente foi de todos os episódios da série o mais próximo da atual realidade, com uma tecnologia realmente “palpável”, sem plot twists, sem muitos recursos tecnológicos, um episódio cru e real, entretanto, de todos é o mais fraco de roteiro e com uma história que não se sustenta tão bem, ainda que seja uma possibilidade muito real.

Porém, os pontos que mais podem ser destacados são justamente a realidade e a precisão do episódio, a trama utilizou problemas que já existem e fez sua tão conhecida crítica e trouxe a “moral da história”, mas com certeza o maior destaque o episódio é a atuação impecável de Andrew Scott no papel do perturbado Chris, pois o ator consegue despertar no espectador diversos sentimentos como raiva, medo, confusão e até empatia pelo personagem em um curto espaço de tempo. Smithreens está longe de ser o melhor episódio da série, mas é uma história que precisa ser contada.

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Rachel, Jack and Ashley Too é o terceiro e último episódio dessa temporada e traz a história de Ashley O (Miley Cyrus), uma cantora de música pop com milhares de fãs, mas que como muitos que vivem disso, tem muitos problemas consigo mesma e com a carreira que construiu. Para conseguir aumentar o lucro seus agentes resolvem lançar uma boneca da cantora, a Ashley Too que é feita com a consciência de Ashley e pode conversar com as pessoas.

O episódio em questão também é bem próximo da realidade, apesar da tecnologia da boneca ainda parecer um pouco distante, esta história mostra como a indústria da música, a fama e a cobrança podem ser nocivas para os artistas, pois Ashley já não tem mais controle da própria vida e sofre com isso por ser controlada por sua empresária, seu médico e seu produtor.

Miley Cyrus aparece em um papel sério e que infelizmente ela deve conhecer bem por já ter passado por diversas fases difíceis em sua carreira, e é impossível não dizer que ela entregou uma atuação mais do que satisfatória com muita entrega à personagem e autenticidade, realmente um dos pontos fortes da trama. O episódio também não conta com uma grande reviravolta, mas ainda si merece atenção por tratar de problemas que já estão acontecendo.

A quinta temporada de Black Mirror não foi tão Black Mirror assim, mas manteve a essência da crítica social e ao sistema que rege o mundo, porém com perda de qualidade de roteiro, mas nada que afete a série como um todo.

Nossa nota é:

35

Assista ao trailer: 

 

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