CRÍTICA – Tully
30 maio

CRÍTICA – Tully

Filmes

Julia Giarola

Filme: Tully
Título original: Tully
Data de lançamento: 24 de maio de 2018
Duração: 1h 36min
Direção: Jason Reitman
Gênero: Drama, Comédia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Marlo (Charlize Theron), mãe de três filhos, sendo um deles um recém-nascido, vive uma vida muito atarefada, e, certo dia, ganha de presente de seu irmão: uma babá para cuidar das crianças durante a noite. Antes um pouco hesitante, Marlo acaba se surpreendendo com Tully (Mackenzie Davis).

É sempre interessante assistir à vida de pessoas reais nas telas do cinema. A pequena chance de olhar para suas vidas privadas e analisar todos os aspectos em que somos iguais ou diferentes. Um sub-gênero de cinema alternativo caracterizado pela atuação naturalística, diálogos improvisados, produção de baixo custo, ênfase no diálogo em vez da trama e na maior parte das vezes focado nas relações pessoais, o mumblecore está hoje entranhado até mesmo em filmes mais conhecidos que conseguem atrair grandes talentos de Hollywood. Oferecendo a oportunidade de estudo de personagens e atuações naturalistas, muitos atores atualmente buscam uma carreira alternativa neste aclamado sub-gênero. Charlize Theron é um ótimo exemplo disso, alternando entre grandes produções como Atômica (confira nossa crítica aqui) e o cinema independente em filmes como Monster (saiba mais sobre o filme aqui) – que lhe rendeu o Oscar em 2004. Brilhando mais uma vez,  Theron, juntamente com o incrível diretor Jason Reitman, traz um conto moderno sobre maternidade, mostrando as muitas facetas do simbolismos por traz de amadurecer.

Explorando um humor embutido na realidade, Tully é um filme mais engraçado e divertido que parece ser. A comédia orgânica e inteligente distribuída entre as cenas ajudam o enredo à adquirir um ritmo muito interessante e dinâmico. Os atores apostam nesse humor sutil para construir este aspecto cômico do filme que tem a dose perfeita de sutileza e peculiaridade. O roteiro bem estruturado de Diablo Cody nos introduz às interações verdadeiras que ajudam no desenvolvimento emocional do longa.

A subtonalidade do simbolismo carregado durante o filme ajuda a estabelecer um tema interessante sobre mudança. Tully faz a pergunta se somos sempre a mesma pessoa ou se estamos em constante mudança. Tentando abordar o conceito com uma nova perspectiva, o filme se beneficia do roteiro, da direção e dos atores que trabalham em harmonia para criar essa história em volta deste tema principal.

No começo do filme, encontramos a protagonista Marlo tentando lidar com os diferentes aspectos de sua vida como mãe, e também como ela equilibra sua vida como esposa e uma pessoa individual. Este questionamento traz elementos do passado, construindo o real conflito do filme. Tully, então, busca uma forma de seguir Marlo por essa jornada na qual ela tenta encontrar uma nova maneira de lidar com seu dia. Nada disso seria possível sem a atuação de ambas Charlize Theron – e seu compromisso com o sub-gênero -, e Mackenzie Davis – e seu carisma durante todo o filme. Juntas, as duas atrizes criam uma dinâmica interessante entre o realismo e o simbolismo; o mumblecore e o peculiar.

Com uma história completa, comovente e divertida, Tully consegue se destacar entre os enormes lançamentos deste mês de maio com uma originalidade característica do cinema independente e honestidade do sub-gênero mumblecore. Todo o elenco, assim como o roteirista e o diretor, contribui para transformar esse projeto em um filme que merece atenção, mas que provavelmente será perdido entre os grandes blockbusters sem conteúdo lançados pelos grandes estúdios. Não deixe de conferir!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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