Crítica – Nós
28 mar

Crítica – Nós

Filmes, Notícias

Julia Giarola

Título: Nós
Título Original: Us
Data de lançamento: 21 de março de 2019
Duração: 1h 56min
Direção: Jordan Peele
Gênero: Suspense, Terror
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Adelaide (Lupita Nyong’o) e Gabe (Winston Duke) decidem levar a família para passar um fim de semana na praia e descansar em uma casa de veraneio. Eles viajam com os filhos e começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seus próprios duplos.

Após o sucesso de Corra! (confira nossa crítica aqui), todos os olhos se voltaram à Jordan Peele. Em um era onde ideias originais são raras, o roteiro do então comediante impressionou audiências e críticos por todo o mundo com sua trama intrigante e crítica social. Explorando mais uma vez o horror pscicológico, era de se esperar já pelos trailers que o diretor entregaria mais uma obra prima do terror, aumentando as expectativas para este seu novo lançamento, Nós. Com um talento inegualável á sua disposição e conceito interessante, o novo filme de Peele é tenso, gloriosos e, assim como o teste de Rorschach, cheio de interpretações.

Quando se trata de filmes de terror, ultimamente, cada um tem seus próprios requisitos à respeito do gênero. Ao se apoiar no horror pscicológico, Jordan Peele encontrou o seu nicho, achando espaço não apenas para detalhes e referências sutis, mas também a crítica social. Explorando o conceito interessante de doppelgangers, o diretor tinha nas mãos várias direções a seguir deixando então para o trama, a responsabilidade de nos guiar até um. Porém, similar aos primeiros filmes de cineastas – categoria que agora Peele não se encaixa maia – Nós conta com a presença de muitas ideias em um só roteiro, deixando muitas questões ambiguas abertas no final do filme.

Tudo isso, porém pode ser superado com o talento do diretor que, através de movimentos e imagens, nos apresenta um conto simbólico sobre dualidade que intensifica os elementos de terror do filme. A ideia de ser perseguido por se mesmo não apenas aterroriza a audiência, como também dá oportunidade para Peele brincar com seus enquadramentos e atores. O resultado final é um filme meticuloso e bonito que prende a atenção do começo ao fim.

Ignorando os furos no roteiro tais como a falta de praticidade dos planos dos antagonistas, Nós é um filme que gosta mais de brincar com ideias que realmente concluí-las. Mantendo uma história linear quando se trata da trama principal, é somente quando analisamos o subtexto que começamos a questionar o longa. Com isso em mente, todos os aspectos da história entram em questionamento, criando discussões e infinitas teorias, como todo bom thriller pscicológico deve fazer.

Tendo um grupo de atores talentosos à sua disposição, Peele eleva seu filme à nível do premiado Corra!, dando-lhes a chance de brilhar. Winston Duke carrega o peso do alívio cômico da trama tensa, mas Peele sabe dividir esta responsabilidade com o roteiro, o aliviando com diálogos naturais que, dada a situação, são hilários. E, como já é de se esperar, Lupita Nyong’o rouba cada cena com uma dupla performance de tirar o fôlego. A atriz se carrega durante toda a história com uma fisicalidade cauculada que adiciona muito ao resultado final.

Como um bom maestro, Jordan Peele continua sendo a estrela do filme, coordenando cada aspecto de Nós com um cuidado artístico. Fotografia, trilha-sonora, referências e localizações são apenas alguns dos aspectos que fazem do longa uma coreografia muito bem ensaiada do começo ao fim que, mesmo desafiando a lógica em certos momentos, deixa toda a audiência vidrada e hipnotizada com cada movimento. Não deixe de conferir esta obra nos cinemas!

Nossa nota é:

Assistir ao trailer:

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