Postado por: Victor Tadeu

Título: Kardec
Título original: Kardec
Data de lançamento: 16 de maio de 2019
Duração: 1h 50min
Direção: Wagner de Assis
Gênero: Biografia/Drama
Nacionalidade: Brasil

Sinopse: A jornada de Allan Kardec (Leonardo Medeiros), nascido Hypolite Leon Denizard Rivail, desde quando trabalhava como educador em Paris até iniciar seu processo de codificação do espiritismo ao lado de sua esposa Amélie-Gabrielle Boudet (Sandra Corveloni).

Filmes religiosos estão cada vez mais sendo integrados dentro do mercado cinematográfico, mas isso requer bastante cuidado pois nem sempre é bem recepcionando pelo público e, às vezes, consegue ser atraente para uma parcela muito pequena. Visando apresentar um nome importante do espiritismo, o longa Kardec nos proporciona uma história com envolvimento religioso, mas que não se limita em religião.

Hippolyte Léon Denizard Rivail era um educador que acabou abandonado a atuação dento de ambiente escolar devido um sistema de doutrina recém-obrigado nas escolas. Começando ensinar crianças dentro da própria residência, ele ganha tempo para conhecer um pouco mais das famosas “mesas que giram” e após uma experiência curiosa começa acreditar nos rumores. Aprofundando cada vez mais na realidade por trás dessas mesas, o homem acaba assumindo o pseudônimo Allan Kardec e consegue codificar o espiritismo, mas nem tudo é mil maravilhas.

Kardec é uma adaptação em filme do livro com mesmo nome escrito por Macel Souto Maior, no Brasil publicado pela Record. Essa é uma produção dirigida por Wagner de Assis (A Menina Índigo, de 2017) e apresenta Leonardo Medeiros como protagonista, mas também contém Guilherme Piva, Genézio de Barros e entre outros no elenco. Esse é mais um título nacional que pretende agregar muito o cinema brasileiro, principalmente por aprofundar em um gênero pouco apostado no mercado.

Há muitos anos diversos brasileiros se manifestam pela ausência de produções que fogem das comédias apelativas frequentemente lançadas. Caso você seja um desses expectador, aproveite para conhecer a biografia dramática de Kardec, claro com uma narrativa condensada, mas que consegue introduzir a importância do homem para a sua religião.

Com uma proposta bastante interessante, o título consegue nos chamar a atenção justamente nos primeiros momentos, onde são apresentados os auges das mesas que giram, situações essas que estavam dividindo a população e Hippolyte Léon Denizard Rivail, antes de se assumir Allan Kadec, era bastante cético em relação aos rumores. Mesmo que de modo um pouco corrido, foi possível passar a mensagem como um homem que não acreditava em determinadas “especulações” começa se interessar profundamente pelo assunto, principalmente após começar ter contato.

A forma como Leonardo Medeiros atuou o protagonista transitando de uma realidade para outra não é um dos grandes destaque, mas acaba sendo impactante e engenhoso dentro de sua atuação. A partir do momento que o personagem obtêm mais informações sobre o espiritismo em si, sua frequência muda por completo e isso é bem desenvolvido durante o filme. Além disso, a química de Allan com sua esposa Amélie-Gabrielle Boudet, vivida por Sandra Corveloni, é arrebatadora e apaixonante.

A tentativa de explorar o choque entre tipos de conhecimentos é muito presente dentro do longa-metragem, mas isso acaba sendo mais destacado quando Wagner de Assis apresenta a intolerância da igreja católica naquela época, principalmente com a repercussão de  Kardec em relação ao espiritismo. Isso demonstra a força que o cristianismo tinha — e ainda tem — e como diversos líderes religiosos não estavam dispostos pregar os mandamentos de Deus, consequentemente respeitando o próximo e/ou o livre-arbítrio, mas nutria o desejo de ter poder sob tudo e todos.

O diretor realizou um trabalho bastante admirável ao ter cuidado de apresentar o personagem como educador até o momento que codificou o espiritismo. Essa transição é hipnotizando, e funciona bastante para os expectadores que gostam de acompanhar as mudanças de uma pessoa, inclusive isso fica mais rico e enraíza as origens do personagem quando são citados frases filosóficas e nos momentos que ele defende seus princípios colocando toda carreira em risco.

Apesar de muitos elogios é necessários ressaltar que o roteiro desse título é agradável, mas algumas cenas acabam sendo mecânicas pois existem muitas frases de efeitos para uma entonação mais reflexiva e isso não é bem gesticulado sempre.

Com bastante respeito e muito atenção, Kardec consegue explorar a passagem importante do homem dentro do espiritismo. Apostando em uma narrativa dramática e repleta de reflexões, é possível aprender muito sobre a religião e o próprio codificador durante as cenas desse longa-metragem.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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