Black Mirror
28 mar

Black Mirror

Séries

Felipe Porteiro

Uma chapa de vidro comum com um dos lados pintados de preto. Assim é feito um espelho negro. Para os amantes do mundo esotérico, um “black mirror” funciona como um mecanismo de vidência, uma porta para uma viagem astral, comunicação com outros planos… Para os amantes de Netflix, “black mirror” significa “futuro”. Uma série que não requer acompanhar capítulos sequenciados. A série feita pela Netflix (que para muitos ainda vai dominar o mundo). Black Mirror mostra o futuro e os avanços tecnológicos que vem com ele. Assim como Aldous Huxley com seu livro “Admirável mundo novo”, Arthur C.Clarke em “2001: uma odisséia no espaço” e William Gibson em “Neuromancer” mostraram um futuro que aconteceu, a série de televisão britânica de Charlie Brooker lançada em 2016 alcançou sucesso com seu tema futurista e sombrio.

O que Black Mirror tem em relação com um espelho negro?

A série mostra onde os avanços tecnológicos podem nos levar, como um vidente, Brooker olha em seu espelho e despeja sobre nós sua vidência, como se estivesse se comunicando diretamente com os espíritos do futuro. Mas diferente de alguns livros e aspirações do que nos esperam daqui a vinte ou trinta anos, Black Mirror mostra onde nós não devemos parar com nossos avanços.

Uma sociedade difícil de engolir se você não está adequado aos padrões virtuais. Uma sociedade que comemora a selvageria controlada e televisionada, como no episódio “Urso Branco”, onde as pessoas assistem a punição de uma criminosa, que tem suas memórias apagadas todos os dias para que o show se repita outra vez. Que prioriza o contato virtual mais do que o pessoal, como no episódio “Queda Livre”, onde uma espécie de rede social abre portas ou as fecha pra você nesse mundo. Que extirpa o diferente como uma barata que precisa ser esmagada, como no episódio “Engenharia Reversa”, que relembra o passado trazendo para o futuro um novo e velho tipo de fascismo ao mesmo tempo. Onde a palavra “privacidade” é levada a um outro extremo: a de que ela não precisa existir, de que todos precisam saber um dos outros e que precisam contar um dos outros, como no episódio “Toda sua história”, onde as pessoas podem transmitir em qualquer tela suas memórias visuais. Onde não é necessário dizer adeus, se você não quiser, mas que também nos permite apagar qualquer coisa da memória, sejam lembranças, emoções ou pessoas, em episódios como “San Junípero”“Volto já” e, um episódio especial “Natal Branco”. Um futuro onde tudo é possível. Mas nem tudo convém.

A revolução tecnológica que nos leva a refletir o quanto estamos dependentes de novos tipos de drogas, não injetáveis, você não precisa prová-las em sua língua, nem inalá-las, basta destrava ser celular ou ligar seu computador. Não estamos á beira da morte, mas estamos ligados à aparelhos. A série mostra que tentando melhorar o mundo e as pessoas que vivem nele, podemos acabar perdidos, podemos acabar tragados pelo espelho negro e virarmos apenas ecos que tentam alertar um futuro das próximas temporadas.

Quanto a série, os capítulos são longos, alguns com mais de 50 minutos, mas as temporadas são pequenas, entre três e seis episódios, além de um episódio especial e no momento encontra-se em “hiatus” no Netflix, talvez Brokeer esteja consultando seu próprio “Black Mirror”, indo mais fundo no futuro para nos alertar do que precisamos fugir se quisermos não nos transformar em máquinas orgânicas, que respiram e andam, mas que deixam que a “inteligência artificial” nos controle.

Comentários

  • Já ouvi falar muito bem dessa serie, adoro a pegada sci-fi/futurista. Tenho que assistir o primeiro episódio pra “sentir”o tom da serie, geralmente não gosto que tenham um tom sombrio.

  • Catrine Vieira

    OOi!
    Faz um tempão que não assisto séries. Estava sem tempo nenhum, mas agora que estou livre na maior parte do dia já estou procurando alguns para iniciar. Dica anotada!
    Beijoos!

  • Olá.
    Comecei a assistir essa série recentemente, mas só vi o primeiro episódio da primeira temporada. Acho que não dá muito para assistir vários de uma vez só porque é muito pesado. Terminei com uma sensação de náusea e ver para onde a humanidade está caminhando por conta da tecnologia não é nada animador.

  • Our Brave New Blog –

    “um “black mirror” funciona como um mecanismo de vidência” SIMMM!!!
    É preocupante… Algumas coisas já estão super presentes no nosso dia a dia, como o episódio Nosedive por exemplo e até mesmo o White Bear, o que é MUITO APAVORANTE.
    Apesar de ficar desgraçada da cabeça em todo episódio, é uma série que faço questão de acompanhar e indicar. Sensacional, espero mais mil temporadas de tapas na cara hahaha.

    ourbravenewblog.weebly.com

  • Michele Lopez

    Olá,
    Confesso que não tenho o hábito de assistir/acompanhar a séries por causa da correria, São poucas que acabo assistindo.
    Já ouvi falar sobre esta em questão e fiquei bem intrigada pela forma como ela apresenta a relação com as tecnologias e as consequências que elas podem nos trazer.
    Adorei saber um pouco mais sobre Black Mirror através da sua postagem e digo que fiquei intrigada para assistir.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

  • Oi, Victor!
    Não costumo acompanhar muitas séries, são poucas as que conseguiram me prender entre os episódios, mas o burburinho em torno de Black Mirror foi tão grande que a curiosidade surgiu e quando foi lançado Queda Livre, então, parei para assistir ao menos à esse episódio e realmente é impactante a forma como o seriado faz a crítica sobre os males da tecnologia excessiva de uma forma que ao mesmo tempo parece normal mas, mais ainda, nos assusta mesmo e é um grande alerta sobre o que não podemos deixar acontecer com nós mesmo quanto aos aparelhos de hoje em dia. Ainda não tive tempo – ou coragem, de repente, vai saber, rs – para conferir os demais episódios, mas legal que pode ser assistida sem nenhuma sequência exata.
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br ♥
    ♥ DandoUmadeEscritora.blogspot.com.br ♥

  • Juliana Xavier

    Faz tempo que não consigo encaixar séries na minha rotina, mas essa tem me deixado bem curiosa. O pessoal do meu trabalho não para de comentar e acho a premissa bem intrigante. Achei o máximo algo que você disse, que não estamos à beira da morte mas estamos ligados a aparelhos, isso me deixa enlouquecida.

  • Ana Souza

    Olha, eu simplesmente AMEI Black Mirror. Achei sensacional e consumi em poucos dias todas as temporadas.
    As críticas sociais, o futuro distópico a lá Aldous e George…. Simplesmente único!
    Querendo muito uma continuação!!!

    Parabéns pela matéria!!

    Ana

    https://literakaos.wordpress.com/