CRÍTICA – Pantera Negra
16 fev

CRÍTICA – Pantera Negra

Filmes

Julia Giarola

Filme: Pantera Negra
Título original:Black Panther
Data de lançamento: 15 de fevereiro de 2018
Duração: 2h 01min
Direção: Ryan Coogler
Gênero: AçãoAventura, Ficção científica, Fantasia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Após a morte do rei T’Chaka, o príncipe T’Challa retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo. T’Challa logo recebe o apoio de Okoye, a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri, que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia, a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue, que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás.

Há uma pressão discreta sobre grandes projetos de Hollywood em relação a visibilidade e o que essas histórias estão dizendo ao mundo. Sempre bem relutantes em serem políticos, grandes blockbusters como os filmes de super-heróis carregam a pressão diante o sucesso fazendo muitos recuarem para uma zona confortável de segurança. Porém, destacando não apenas uma demorada representação positiva da comunidade afro-americana, Pantera Negra explora as qualidades de seu diretor e suas raízes no cinema independente para trazer uma sofisticação ao universo cinematográfico da Marvel, mostrando mais uma vez que a qualidade não se baseia em um fórmula segura e sem na ousadia de artistas talentosos.

Se separando levemente do universo compartilhado, o novo filme da Marvel consegue se libertar das correntes das referências entranhadas em sua trama, sendo independente, de certa maneira dos filmes anteriores. Apenas mencionando acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil (2016) que servem um propósito direto na história deste determinado herói, Pantera Negra trás credibilidade aos tópicos que levanta, sem se apoiar em nenhum outro personagem. O conflito interno da política de Wakanda coordena o clima do filme, colocando todos os personagens em uma posição suscetível a desenvolvimento e evolução durante as duas horas de filme.

É essa política complexa por trás do longa que se destaca durante a história de T’Chaka, que parece mais como um conto íntimo sobre responsabilidade do que um simples filme de super-herói. A batalha interna entre tradição e modernidade tem papel importante nesta história que utiliza de seus diversos personagens coadjuvantes para desenvolver a trama, sendo esse show de personagens e atuações um dos destaques do filme. Todos os atores do filme representam uma parte dessa história se encaixando emocionalmente de algum lado. Essas justaposições, juntamente com as interações e química entre o elenco ajudam a certificar Pantera Negra como um sucesso.

A importância de ter um representação positiva de uma comunidade é lidada de maneira diferente dos muitos outros filmes que abordam a temática. Dando um fim na escravidão como a definição da raça negra, o longa não se esconde dos aspectos mais complexos desta discussão, servindo como um ponta pé inicial para esse tipo de conversa. Ainda mais além, este provavelmente é o filme da Marvel que melhor introduz personagens femininas fortes e complicadas dentro de uma trama bem construída, inserindo essas participações não apenas como adicionais, mas como indispensáveis para o funcionamento bem sucedido da história. Elas são as mulheres por trás do rei, demonstrando lealdade e força em apoio ao protagonista.

Com uma sensibilidade do cinema independente, Ryan Coogler consegue infiltrar a qualidade e complexidade de trama e personagens na mídia main stream, trazendo consigo o ótimo desenvolvimento de todos os personagens e principalmente do antagonista do filme, este que é um dos melhores vilões do universo cinematográfico da Marvel até agora. Apresentando pontos da trama que futuramente serão importantes de maneira orgânica e sutil, a audiência é convidada em um jornada de exploração em uma cultura diferente, conseguindo ainda simpatizar e conhecer um pouco mais dos detalhes por trás de linda tradições.

Pantera Negra não é um filme perfeito, apesar de chegar bem perto. Pecando um pouco nas cenas de ações e as vezes nos efeitos visuais, o longa se distrai um pouco quanto ao ritmo frenético esperado do gênero o que pode desagradar uma minoria da audiência. Porém, ao introduzir discussões importantes em um enredo envolvente, o filme acaba deixando uma incrível impressão juntamente com seu marco importante nesta geração de super-heróis.

Com certeza um filme que ninguém deve perder!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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