RESENHA: Misery – Louca Obsessão
16 mar

RESENHA: Misery – Louca Obsessão

Resenhas

Victor Tadeu

Título: Misery – Louca Obsessão
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Gênero: Terror
Número de páginas: 326
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Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.
A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

Após finalizar sua série matando a personagem Misery Chastain, o famoso escrito Paul Sheldon sente-se aliviado e desacorrentado. Ele já estava farto de escrever aquela série melodramática e tudo que ele queria era se livrar daquele mundo de Misery com o último livro chamado O Filho de Misery. O escrito estava feliz em ter terminado sua nova obra, cujo nome seria Carros Velozes, o que ele não esperava que uma nevasca o atingia fazendo-o sofrer um grave acidente.

Em meio a névoa de dor e sofrimento Paul acorda após dez dias, ele se assusta quando consegue distinguir o que estava acontecendo. O escritor não havia sido salvo pelo hospital, muito pelo contrário, ele estava sendo cuidado à base de Dovil (remédio fictício a base de codeína) por sua fã número um. Annie Wilkes é o nome da sua “salva-vida”, ela conta para ele tudo que tinha acontecido e explica que suas pernas haviam sofrido um grave problema e que impossibilitaria ele de andar por um bom tempo.

Como fã número um do autor, Annie começa a cuidar dele com máximo de carinho possível, mas se aborrece ao fazer a leitura do livro O Filho de Misery. O seu comportamento muda por completo e ela assusta Paul, fazendo ele tomar atitudes contra a própria vontade. Como se tudo isso não fosse o bastante, ela o mantêm em cativeiro obrigando-o a reescrever o último livro da série, onde a sua personagem favorita, Misery, não morresse.

“Pela primeira vez o pensamento emergiu na mente de Paul Sheldon: Eu estou encrencado. Essa mulher não bate bem. (página 22)”

Durante a leitura do livro vamos acompanhar a queda de equilíbrio temperamental da descontrolada Annie Wilkes, além disso, vamos sofrer psicologicamente e fisicamente junto com Paul Sheldon. Misery, escrito por Stephen King é um livro recheado de pressão psicológica, com muitas dicas de como escrever um livro de sucesso.

Essa é a primeira obra que leio do Stephen, ela foi republicada pela Suma de Letras e está com uma edição maravilhosa. A editora pensou em muitos detalhes importantes na hora de construir a capa, mas também lembrou da diagramação especial que o livro necessita ter em algumas partes. A primeira edição do livro foi publicada em meados de 1987, mas agora com a republicação ele voltou a fazer um grande sucesso.

Muitos dizem que o Stephen costuma escrever histórias sobre fantasmas, palhaços e afins, já vi pessoas dizendo que não fazem a leitura das obras dele por ter medo de fantasmas e palhaços, mas o bom de Misery – Louca Obsessão é que não tem nada disso, muito pelo contrário, o autor procura trabalhar com o nosso psicológico e com o psicológico dos protagonistas. Eu acho que é exatamente por isso que quando uma pessoa começa a fazer a leitura de Misery, ela custa deixar o livro de lado, pois a forma que Stephen consegue nos prensar é realmente admirável.

“Annie não notou. Ele ficou na cama, metido em um casulo de dor, tentando não gemer, mas gemendo mesmo assim. (página 49)”

Os personagens criado pelo autor nessa obra parece ser poucos, mas se analisarmos bem são muitos, pois conhecemos os personagens de Misery – Louca Obsessão, e além disso, acompanhamos a reescrita de Paul Sheldon com O Último Filho de Misery. Ou seja, Stephen conseguiu criar duas histórias dentro de um só livro. O autor me surpreendeu bastante nesse ponto, fiquei bastante feliz com essa capacidade maravilhosa do King. Como personagens principais temos a Annie Wilkes e Paul Sheldon, dois personagens muito bem trabalhados. Eu queria falar muito de Annie, mas acho melhor vocês fazerem a leitura do livro e conhecer ela — é até bom que fujo de spoiler —, mas tudo que posso dizer a vocês é: Annie é totalmente descontrolada, insana e é capaz de tirar sua noite de sono, ela consegue te surpreender de todas as formas possíveis. Por outro lado Paul Sheldon é um personagem mais calmo, mas com o passar do tempo e sendo mantido em cativeiro acaba mudando seu modo de pensar e procura várias formas de se livrar da sua “enfermeira particular”.

“…Paul, e minha mãe sempre dizia que a esperança da primavera é que nem a esperança do Paraíso. (página 76)

Essa é a segunda vez que tento fazer a leitura de Misery e fiquei muito feliz que dessa vez eu consegui completar. Acho que a escrita do Stephen King é bem diferente dos autores que costumo ler. Durante a leitura eu senti uma grande conexão do autor com o leitor, a escrita é bem dinâmica e colabora muito com uma leitura mais fluída. Mas uma coisa que me incomodou durante a leitura foi a forma que o autor escreveu certos capítulos, é claro que nem tudo são rosas e o autor escreveu algumas partes mais lentar, são partes que deixa o leitor mais calmo, e sinceramente, essas partes quase me levaram a desistir do livro. Eu não consigo fazer a leitura de livros com muitas cenas paradas, onde não tem muito diálogos, mas eu continuei lendo e resistindo aquilo que me incomodava pelo fato do Stephen dizer que os locais e personagens do livro são fictício. Eu andei pesquisando sobre isso e descobri o que o autor quis dizer ao escrever isso, e a Mayra do All About That Book sabe explicar direitinho em sua resenha.

Eu poderia ficar escrevendo muitas coisas sobre o livro, mas acho que a resenha ficaria cansativa e poderia estragar a leitura de vocês, por isso eu acho melhor parar por aqui. Mas eu recomendo o livro para todos, principalmente para você que nunca teve contato com o autor e pretende ler a primeira obra dele sem ficar decepcionado.

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