RESENHA: As Duas Faces de um Homem
10 abr

RESENHA: As Duas Faces de um Homem

Resenhas

Victor Tadeu

Título: As Duas Faces de um Homem
Autor: Luís Góes
Editora: Independente/Clube de Autores
Gênero: Thriller
Número de páginas: 212
SKOOB

Adquira aqui: Clube de Autores

Sinopse: Mistérios. Morte. Suspeitos. Tensão. A partir do momento que Johnatan Lemon é encontrado morto, em seu quarto no Hotel BPM, em Nova York, vários núcleos começam a tomar forma. E a equipe de detetives da cidade – liderada pelo talentoso Detetive Harry Shadowkurk – começam a desvendar os mistérios e segredos que envolvem a intrigante personalidade de John Lemon, que sempre fora odiado por sua própria família. Os suspeitos se tornam, com o passar do tempo, cada vez mais indecifráveis e enigmáticos, enquanto segredos do passado voltam para assombrar a família Lemon. Além disso, o autor nos transporta para o mundo virtual, uma realidade nos dias de hoje, e nos questiona: será que tudo que vemos e pensamos saber é real? Ainda existem pessoas que desejam apenas manter um relacionamento, mesmo estando distantes, através de um perfil na Internet? “As Duas Faces de Um Homem” é um livro atrativo para todo o tipo de público, do jovem ao adulto, do poeta ao romancista. E é apenas o primeiro de uma saga, onde o detetive Shadowkurk estará presente em várias situações – o caso Lemon será apenas o começo.

 

Após ter visitado alguns familiares, a família Shadowkurk volta de Jersey City com destino em Nova York para retorna a suas vidas rotineiras. Dentro do carro estava Harry Shadowkurk e Alicia Shadowkurk, pais de Dawbert Shadowkurt. O assunto ali dentro era sobre o jeito que Dawbert levava a vida, mas consequentemente a decisão sobre o seu nome também entrou no bate-papo. O garoto já com 22 anos odiava o nome escolhido pela mãe em homenagem ao seu avô, ele preferia que todos o chamassem de Tom, mas a mãe repreendia o nome escolhido por ele mesmo e não aceitava a forma que Tom reagia com o próprio nome.

Antes de chegarem em Nova York a família resolve passar na Dream Place, uma praça localizada em Jersey City, na qual muitas pessoas gostavam de passar um trecho do dia sentadas admirando e refletindo sobre a vida. Harry e Tom são detetives e trabalham na mesma empresa em Nova York a LFIC (Laboratório Forense para Investigação de Crimes), e mesmo tendo que trabalhar naquele dia, eles resolvem descansar em cerca de minutos naquela praça.

Tudo fora acontecido muito rápido, até parecia que o destino estavam colocando-os para trabalharem um pouco mais cedo. Chegando à praça eles deparam com uma situação totalmente iminente, uma moça estava sendo perseguida por um homem, Harry como profissional tentou domar a situação, mas falhou quando até o segurança da praça levou um tiro do criminoso. Sendo jogada dentro de um fundo chafariz e ainda por cima sendo baleada, a moça consegue sobreviver graças a Tom Shadowkurk.

“— Ele jogou a moça na água! — uma pessoa gritou. Naquela altura da confusão, muitos curiosos estavam em volta, mas como sempre, nunca ajudavam. (página 25)”

Não aturando mais a própria esposa, a família retorna para Nova York e recebe uma das melhores notícias do dia. Harry Shadowkurk acabava de nomeado o novo detetive-chefe do prédio em que trabalhavam, mas no mesmo dia ele recebe duas notícias que cortam o seu coração. Em poucos minutos após o novo cargo ser anunciado,  Shadowkurk é noticiado que Johnatan Lemon, irmão gêmeo de Mark Lemon acaba de ser encontrado morto no Hotel BPM.

O novo caso foi capaz de proporcionar um grande desafio a toda equipe do LFIC, infelizmente a morte do rapaz estava sem explicações e a dificuldade que os detetives estavam tendo para investigar era grande. Em meio ao caos a história vai tomando um rumo diferente, revelações significantes são desvendadas e segredos jamais contados são desmascarados.

As Duas Faces de um Homem é o primeiro livro da saga, todas as outras obras são histórias dos detetives, ou seja, cada livro um caso diferente. O livro é do escritor Luís Góes e foi publicado de forma independente pelo Clube de Autores.

O primeiro thriller que fiz a leitura foi Alta Tensão de Harlan Coben, mas a história não me criou muita empatia pelo gênero. O segundo foi esse ano da Andrea Killmore, Bom Dia, Verônica, o livro me aproximou muito desse mundo de “policia/mistério” por retratar um assunto muito esquecido no Brasil. Mas As Duas Faces de um Homem foi o livro que realmente despertou o meu gosto pelo gênero, até o momento estou vivendo e tentando distinguir a reviravolta que essa obra tem.

Um dos maiores assuntos do livro é a desvalorização familiar — quando um membro da família desvaloriza outro e não o reconhece como parente —, muitas pessoas podem achar isso muito normal e dizer que vários livros abordam esse tema. Mas eu discordo, pois dos livros que já fiz a leitura, nunca vi uma desvalorização familiar como essa, além disso, essa desvalorização gera uma grande bola de neve que sai atingindo e grudando todos que por ela passam, ou seja, o autor conseguiu retratar isso de uma maneira fantástica, encaixando mais pessoas dentro dessa bolha de “desgosto”.

“… Não sabe como me sinto culpada todos os dias… O dia da sua morte, Johnatan, será um alívio para todos nós. O que você aproveitou em tirar de mim, e foi muita coisa, nunca foi devolvido com o afeto esperado! Dei-te essa moradia, dei-te comida para te alimentar, ingrato… (página 36)”

As Duas Faces de um Homem também aborda o perigoso que a internet pode nos trazer. Na história encontramos uma personagem que namorava 6 meses via Orkut com Johnatan Lemon — não é spoiler, isso é narrado nas primeiras páginas —, e acaba desiludindo quando marcam o primeiro encontro. O autor conseguiu nos alertar sobre o perigoso que redes sociais podem nos causas e, além disso, ele justifica e argumenta detalhadamente o assunto que está sendo tratado. Isso é um ponto muito relevante, pois a história não fica superficial e com pontas soltas, muito pelo contrário, tudo foi pensado nos mínimos detalhes.

Um grande ponto positivo que encontrei no livro foi a forma que o autor aderiu a cultura norte-americana na história. Eu já li livros que a história é passada fora do Brasil, mas a cultura brasileira e até mesmo as regras do nosso país permanecem na história, um exemplo é Sombra do Mundo, de Daniella Rosa. Em nenhum momento vejo essa escolha como algo negativo, é até legal sair do “comum” que nós conhecemos e ser radicais em se aventurar no “diferente”. Mas é muito admirável o jeito que Luís Góes conseguiu aplicar a cultura na história, é nítido para o leitor perceber que ele tinha conhecimento do que estava escrevendo, colaborando para uma leitura muito empolgante. Sei que isso é questão de gosto, no meu ponto de vista em relação a As Duas Faces de um Homem foi um ponto extremamente importante, mas, ao mesmo tempo, eu não desfaço daqueles que radicalizam a história saindo do “comum”, por isso em geral considero essa questão muito relativa, vai de cada obra e cada leitor.

Os personagens criados pelo Luís foram extremamente importantes para a história, em nenhum momento algum deles foram esquecidos. Como é um romance policial o livro é intercalado por olhar de personagens diferentes — na 3° pessoa —, colaborando para o suspense da história e deixando mais dinâmico, e por esse motivo não são todos os personagens que participam do mesmo capítulo, mas todos são de extrema importância e não são esquecidos em nenhum momento, quando você pensa que o autor o deixou de lado, ele aparece te surpreendendo.

“Era um capítulo escondido no fundo de sua alma. (página 73)”

“Tinha inicio uma relação movida apenas pelo prazer e pela gostosa sensação da traição. (página 61)”

A forma que o livro foi escrito me chamou muita a atenção. Os capítulos são curtos e muito empolgantes, sempre convidando o leitor a ler o próximo e consequentemente deixando-os com uma pulga atrás da orelha. Eu fiz a leitura da 3° edição da obra, ou seja, os erros são mínimos, mas isso não significa que não existem erros. — encontrei repetição de palavras seguidas. — A forma que ele conseguiu intercalar cada capítulo com ambientes diferentes deixou a leitura muito dinâmica, além disso, colaborou muito para que eu lesse achando que estivesse assistindo uma série policial, achei isso muito bacana e muito prazeroso.

A capa do livro condiz muito com a história, as cores escolhidas escondem muito dos personagens e o prédio ao lado parece-me ser o LFIC, após ler o livro você consegue visualizar os pequenos detalhes que a capa nos apresenta, são detalhes muitos revelador da obra. Apesar de a capa dizer muito da história, eu achei ela muito simples, acho que poderia ser mais trabalha, principalmente com o fundo, pois o azul e suas diversidades deixou o livro um pouco “distante” do interesse, acho que leitores poderiam passar pela estante de uma livraria e não se interessar pela obra, até porque o primeiro contato do leitor com um livro é a capa e ela deve ser bem trabalhada. Por outro lado, eu entendo o motivo de tudo, pois o autor é independente e não teve o apoio de uma editora, além disso, produzir uma capa não é barato e requer uma grande quantia em dinheiro, por isso devemos entender esse lado e procurar sermos menos preconceituosos na hora de julgar um livro pela capa.

De início eu fiquei um pouco incomodado com a diagramação do livro, pois estou sem os óculos e minhas vistas estão péssimas e acabei tendo um pouco de dificuldade em pegar um ritmo agradável na leitura, mas depois de algumas páginas lidas a minha visão acostumou com o tamanho da fonte e engrenei rapidamente na história. Em geral a fonte não é muito grande e nem muito pequena, é média, o espaçamento é muito agradável e a divisão dos capítulos é muito bom, o que torna a leitura prazerosa. — para quem está com os óculos.

O desfecho da história é totalmente imprevisível, eu consegui imaginar o final em algumas passagens da história, mas nunca levei em consideração a minha ideia achando que muito maluca, mas acabei me surpreendendo quando cheguei nas últimas páginas. A forma que a bola de neve criada com o caso se desfaz é muito bem criado, o autor pensou nos mínimos detalhes e consegue enganar o leitor a todo mundo — mesmo aquele que tem uma ideia do final —, fazendo ele acusar tal personagem, mas no mesmo momento dando a esperança de que outro era o criminoso. Estou muito ansioso para ler a continuação e saber se o próximo caso é instigante como o caso de Johnatan Lemon.

Todos os livros têm um público especial para fazer a leitura, mesmo eu tendo falado muito bem de As Duas Faces de um Homem eu não o recomendo para qualquer pessoa. O livro aborda assuntos familiares e algumas pessoas podem ficar incomodadas, principalmente para aquelas que não sabem diferenciar ficção realista — o assunto abordado é real, mas pouco falado — e que não tem a mente aberta. Por outro lado, eu indico para todos que gostam de conhecer histórias intrigantes e diferentes, envolvendo várias pessoas em um só caso. Mas afinal, quem matou Johantan Lemon? Só lendo As Duas Faces de um Homem para descobrir.

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