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O que “Soul” tem a ensinar para a era digital?

Soul é mais que uma animação e tem muito o que ensinar para a era digital

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Mesmo com tantas tragédias, o ano de 2020 terminou com a Pixar trazendo um enorme presente para o mundo: o filme “Soul” estreou na plataforma de streaming Disney+ e vem emocionando o público.

O roteiro e a direção são de Pete Docter, a mesma mente por trás de “Up- Altas Aventuras” e “Divertidamente”. Uma característica de Pete é como ele consegue trazer temas sensíveis e complexos para a linguagem popular das animações, com histórias e personagens que além de nos divertir, proporcionam uma grande reflexão.

Em “Soul”, acompanhamos o dia em que Joe Gardner, um professor de música extremamente apaixonado por jazz, recebe uma proposta da escola onde trabalha que lhe proporcionará estabilidade financeira, deixando sua mãe extremamente esperançosa – afinal, foram anos vendo seu filho sem dinheiro por conta do sonho de viver da arte. Paralelo a isso, o musico é aprovado em um teste para tocar na banda de uma grande saxofonista.

Justo no dia em que iria realizar um dos seus maiores sonhos mostrando sua arte ao lado de uma grande estrela, acaba sofrendo um acidente e indo parar em outro plano. O espírito de Joe escapa do fluxo que precisa seguir e foge para um lugar onde todos ainda estão descobrindo sua missão, que precisará ser executada ao nascerem na Terra. Só então ele conhece 22, uma alma que não faz ideia de qual será seu propósito. Clique aqui para ler nossa crítica.

Soul (Reprodução/Internet)

Joe era extremamente obcecado por seu trabalho e buscava incansavelmente a aceitação das pessoas, o reconhecimento de que todo o amor e dedicação por sua arte, tinha valido a pena.




Assim como qualquer artista ou comunicador, vivia rodeado de pressão, seja ela social ou por auto cobrança. A falta de dinheiro e de apoio familiar é algo diário, o descaso com os trabalhadores da cultura é extenuante, e as grandes dúvidas sobre a carreira estar caminhando ou dando voltas, sem ir para algum lugar que seja concreto, também somam ao quadro.

Até que ponto vale se sacrificar tanto por algo que a gente ama? O que chamamos de “vocação” realmente nos define?

Quem batalha por um sonho já há algum tempo, sabe que aquele papo de “meritocracia” não existe. É extremamente injusto colocar nas suas costas a cobrança de algo que aparentemente “não deu certo” – e, mesmo assim, todos os dias o medo de errar bate na nossa porta.

Será que todos nós, sem perceber, estamos virando máquinas obsessivas por sucesso e validação? O que será que “Soul” tem a ensinar para a era digital?

Com a pandemia, as redes sociais se transformaram não apenas na maior válvula de escape das pessoas, mas também a principal forma de cada um divulgar o seu próprio trabalho e tentar ganhar dinheiro de forma autônoma.

Soul (Internet/Reproduçã)

O Brasil é o país com maior número de pessoas que vivem com transtornos de ansiedade segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Novos dados mostram que 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão, e, segundo especialistas, as redes sociais têm impulsionado esses quadros de doença mental.

Dentro dessas plataformas, existe uma busca incansável para se entender as melhores estratégias, os melhores caminhos, o que realmente faz uma pessoa crescer e criar um público. Muitas pessoas sonham em tornar-se digital influencer, instagramer, youtuber, tik-toker, etc…




Qual o melhor horário para postar? O que precisa ter no meu post para gerar compartilhamento? Como criar um público? Vídeo de 30 segundos ou 15 segundos? Como faz? Tem segredo? Fileira organizada vale a pena? Vídeo ou foto?

“Soul” abre espaço no meio desse turbilhão, e faz um convite a uma grande reflexão: aquilo que você ama e quer não resume quem você é! O tempo que você fica gastando para conseguir realizar os seus sonhos obviamente tem o seu valor, porém a sua vida vale mais do que o cansaço físico, mental e espiritual que você gasta diariamente tentando atingir sua meta ou querendo provar algo para alguém.

Uma parte que chama atenção no roteiro é que quando alguém está executando algo que realmente ama na Terra, sua alma é elevada de uma maneira em que ela chega até o plano espiritual mesmo sem ter morrido. Alguns chegam enquanto estão cantando, tocando, e um senhor consegue até mesmo chegar até lá enquanto dança com uma placa de rua em uma esquina, algo totalmente aleatório, mas ao mesmo tempo… Simples.

Soul (Reprodução/Internet)

Outra parte extremamente tocante acontece durante um diálogo entre Joe e a saxofonista famosa. Ela lhe conta uma anedota que envolve um peixe e um ancião, sendo que o peixe está procurando pelo oceano. O ancião diz “Você está no oceano”, e o peixe responde “Isso aqui é água, eu quero o oceano”.

Um tremendo tapa na nossa cara sobre como colocamos expectativas em algo que sempre sonhamos e que quando acontece, sua vida não entra em um patamar extremamente surreal, você simplesmente segue em frente.




Talvez este filme faça com que as pessoas reflitam sobre novas maneiras de buscar a realização dos seus sonhos e alcançar as suas metas após uma era pandêmica. Lute pelo o que você ama, mas veja a vista que está lá fora… Ela é incrível! E você também é!

Clique aqui para saber mais sobre Soul.

Assista ao trailer da animação:

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