Postado por: Paulo Olin Francês

Título: A Grande Luta
Título original: The Main Event
Data de lançamento: 10 de abril de 2020 (Netflix)
Duração: 1h 43min
Direção: Jay Karas
Gênero: Comédia
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Leo (Seth Carr) é um garoto de 11 anos que tem a chance de realizar o sonho de se tornar astro da luta livre ao encontrar uma máscara mágica que lhe concede superpoderes. Com o apoio da avó (Tichina Arnold), ele decide entrar no campeonato da WWE e enfrentar incríveis adversários. Será que ele vai conseguir conquistar o grande título?

Na busca para criar um catálogo com diferentes gêneros de filmes para todos os tipos de público, a Netflix opta, nessa ocasião, por entregar um filme que busca entreter o público infanto juvenil, com uma aventura simples e um humor infantil. Logo, A Grande Luta pode ser comparado com outros filmes que eram recorrentes na Sessão da Tarde (espaço reservado pela rede Globo para transmitir filmes), desde personagens caricatos até uma premissa fantasiosa.

Na trama, Leo Thompson (Seth Carr) é um garoto de 11 anos que tem o sonho de participar de um campeonato de WWE, ainda que não tenha estrutura física para isso. Certo dia, encontra uma máscara capaz de fornecer uma incrível força física e uma personalidade diferente. Com isso, começa a participar de campeonatos que sempre sonhava, contando com a ajuda dos amigos e da avó (Tichina Arnold) para esconder esse segredo.

A premissa de um filme que propõe que uma criança lute com diversos lutadores profissionais de WWE sem que houvesse qualquer questionamento com relação a discrepância de altura, peso e idade desses personagens, é uma premissa que deixa claro o tom do longa. A infantilidade do roteiro é proposital, encaixando situações aceitáveis se levar em consideração a idéia proposta pelo filme. No entanto, mesmo descomprometido com a seriedade e tentando dar foco no humor, a nova obra da Netflix cria um cenário com atuações exageradas e subtramas que se pouco desenvolvem.

O carisma do ator iniciante Seth Carr sustenta o personagem principal, que disfarça bem alguns toques exagerados na sua atuação. Tichina Arnold (Todo Mundo Odeia o Chris) também possui destaque quando está em cena, mas exagera ainda mais no humor espalhafatoso, e quando finalmente interrompe a personagem extravagante, só tem espaço para entregar diálogos clichês e lições de moral pouco convincente. O resto do elenco não se difere muito também, com exceção Adam Pally (Loucuras no México, Joshy), pai do protagonista, que parece não está com vontade de participar do longa.

A repetição das piadas é o principal defeito do filme, ainda que certas piadas não tivessem funcionado desde a primeira vez que apareceram. Exemplo que pode ser visto nas situações envolvendo o mal odor da máscara utilizada pelo protagonista, que não provoca a risada que pretendia extrair do público e piora ainda mais quando filme usa essa informação no clímax como artifício narrativo.

O roteiro de Larry Postel se perde em algumas subtramas que, inicialmente, pareciam ajudar a construir um peso emocional a mais para a trama principal, mas, no final, perde a importância que visava. No fim, o que sobra é somente a direção de Jay Karas, que sabe a hora de deixar os atores mais a vontade nas cenas para improvisar algumas delas, entretanto, muda completamente o estilo de filmagem quando o filme transita entre momentos emotivos e humorados, causando uma certa estranheza no resultado final.

Sem se comprometer em entregar algo que seja além do humor,  A Grande Luta busca apenas garantir uma dose de bom humor. Ainda que consiga entregar alguns bons momentos, não consegue atingir seu objetivo de maneira bem sucedida, seja por uma narrativa simplória (até para os padrões de filmes desse gênero)  ou pelo humor exagerado. Pode ser que a nostalgia por filmes assim ainda sirva como motivação para conferir esse longa, mas se esse não for o caso, as suas risadas não estão garantidas aqui.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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