RESENHA: O Lado Real do Abstrato
23 ago

RESENHA: O Lado Real do Abstrato

Resenhas

Victor Tadeu

Título: O Lado Real do Abstrato
Autora: Caroline Fortunato
Editora: Selo Jovem
Gênero: Ficção científica
Número de páginas: 76
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Sinopse: Em 2050, o Homem finalmente tem tecnologia apropriada para explorar outros planetas com o fim principal de descobrir se há mesmo vida inteligente por lá. Joaquim, um frio e cético astrofísico brasileiro, se propõe a fazer uma viagem como astronauta de treze anos terrestres à velocidade da luz até o irmão gêmeo da Terra, com a diferença de este possuir uma massa três vezes maior. Romance de tese, o ambiente da história é totalmente distinto com o objetivo de examinar outra população com comportamentos e ideologias reais que normalmente escapariam à nossa imaginação mais abstrata.

Joaquim é um astrofísico brasileiro que vive no Brasil em 2050, onde todas as teorias de ficção científica virou realidade, a inteligência superficial dominava, o clima já não era mais possível ser controlado e os robôs haviam substituídos os humanos. Porém, toda a população já estava preparada o suficiente para explorar outros planetas.

Com muito empenho os habitantes da Terra conseguiram desenvolver tecnologia o suficiente para explorar um irmão gêmeo da Terra, na qual, Joaquim muito cético e frio se disponibiliza embarcar nessa aventura. Durante a exploração de outro planeta, o homem conhece seres jamais imaginados por ele, além disso, Joaquim começa a conhecer uma cultura totalmente distante da Terra, onde o ego e a ganância já havia habito. Por isso, o astrofísico estava propenso a aprender muito com a missão de explorar o novo planeta.

O Lado Real do Abstrato, é o livro de estreia da escritora Caroline Fortunato que recentemente fora lançado pela Talentos, um selo editorial da Selo Jovem. A obra é uma ficção científica curta com muitas reflexões sobre a nossa sociedade, com um grande foco nos humanos. Fizemos a leitura e para conferir a nossa experiência continue lendo a resenha.

Ficção científica é um gênero literário que consiste em um público muito específico, as histórias estão sempre visando em trabalhar diante de seres e/ou conceitos ficcionais e/ou imaginário, muitas das vezes relacionados ao futuro, ciência e/ou tecnologia. Muitas das vezes algumas histórias desse ramo acaba abordando as consequências futuras que uma sociedade moderna pode sofrer diante de suas atitudes, decisões e invenções, o que acaba sendo uma possível realidade, e esse foi o contexto que Caroline colocou em seu primeiro título.

“Não me admira que aqui morram tão cedo, embora eu deva admitir que o jeito deles carregarem a vida não é como uma cruz, ao modo como eu e muito dos meus semelhantes fazemos. (página 26)”

A obra conta a história de Joaquim navegando em um novo planeta, na qual, o protagonista começa a deixar de ser cético e fazer reflexões sobre o quão perigosa e contraditória é a sociedade na Terra. Convivendo com seres diferentes — porém semelhante aos humanos — e que adotaram um estilo de vida estabilizado e sem conflitos, a autora utiliza os personagens para trazer assuntos interessantes e totalmente válidos na obra. O que consequentemente ela nos apresente uma filosofia de vida muito bem explorada e argumentada através dos diálogos e monólogos dos personagens.

Provavelmente o vocabulário utilizado por Caroline Fortunato trará algumas ressalvas durante a leitura, inicialmente a escritora escreve de forma compreensível e de fácil entendimento, só que, a partir do momento em que ela estabelece um diálogo entre o humano e os seres de outro planeta, as palavras acabam tendo uma conotação um pouco complexas, o que vai necessitar da atenção do leitor e pode incomodar alguns e agradar outros, já que, essa foi a única forma dela unir idiomas diferentes dentro da obra.

O desenvolvimento da história é rápida, só que, não foi um erro da escritora, já que a mesma afirmou em uma entrevista e até mesmo na obra que a sua intenção é ser direta na história, assim, passando a mensagem desejada sem muitas voltas. Infelizmente devido à visão da Fortunato não temos um aprofundamento nos personagens, entretanto ela conseguiu trabalhar de forma razóavel com o desenvolvimento. A escrita dela é boa, mas requer algumas melhorias, acreditamos que nos próximos lançamentos ela já tenha evoluído nesse quesito, o que também não deixou à desejar.

O Lado Real do Abstrato tem um ritmo rápido devido a forma direta de Caroline Fortunato, e apresar do ritmo recomendamos os leitores fazerem uma leitura calma e sem pressa, já que, estaremos nos aprofundando em um novo planeta que irá passar mensagens impactantes incríveis através de uma filosofia de vida. Com uma leitura rápida você pode deixar alguma informação importante passar despercebidas, o que será fluente de forma negativa em sua experiência com o título e pode sofrer consequências na trama, que por sinal, foi bem elaborada.

“Agora um segredo, bonita: viva do modo mais ilimitado possível que o seu eu permite limitadamente por ainda ser somente um eu. (página 61)”

Como fizemos a leitura em e-book estamos eliminados em falar sobre a edição física da obra, porém toda versão digital está bem desenvolvida, a fonte está agradável aos olhos, a revisão de Vinicius Fernandes  (escritor de Lázaro – A Maldição dos Mortos) está boa,  os capítulos são remediados com uns pequenos e outros grandes — pode incomodar algumas pessoas — a ilustração interna é simples, porém agradável e a capa do livro faz jus à história e teve um desenvolvimento bacana, explorando pequenos detalhes do título.

O Lado Real do Abstrato, de Caroline Fortunato é um livro bom com uma história interessante, porém carrega suas ressalvas, que consequentemente são relativas, cada leitor terá uma opinião divergente sobre elas. A obra é uma excelente opção para quem gosta de ficção científica e para aqueles que adoram conhecer novas filosofias de vida, também não podemos deixar de recomendar para quem ama estudar sobre conceitos da sociedade, que é outro elemento explorado no título.

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