CRÍTICA – Shazam!
25 mar

CRÍTICA – Shazam!

Filmes, Notícias

Julia Giarola

Título: Shazam!
Título Original: Shazam!
Data de lançamento: 04 de abril de 2019
Duração: 2h 12min
Direção: David F. Sandberg
Gênero: Ação, Fantasia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Billy Batson (Asher Angel) tem apenas 14 anos de idade, mas recebeu de um antigo mago o dom de se transformar num super-herói adulto chamado Shazam (Zachary Levi). Ao gritar a palavra SHAZAM!, o adolescente se transforma nessa sua poderosa versão adulta para se divertir e testar suas habilidades. Contudo, ele precisa aprender a controlar seus poderes para enfrentar o malvado Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong).

Após anunciar o novo nome do universo compartilhado na Comic Con de San Diego no ano passado (2018), Os Mundos da DC parecia apenas outra tentativa de marketing por parte da Warner. Tentando entrar em competição direta com a Marvel, porém, parecia algo vindo dos fãs, já que a comparação não deixa de existir. Se arriscando primeiramente com Mulher Maravilha (confira nossa crítica aqui) e, alguns fracassos depois, com Aquaman, a DC parece conseguir se destacar quando ignora os passos da comparação e se arrisca com os talentos atrás da câmera, sendo os dois maiores sucessos do estúdio. Apostando mais uma vez em um diretor de filmes de terror, Shazam! é a última peça da base para Os Mundos da DC ser concretizado.

Se juntando a Patty Jenkins e Jamaes Wan, David Sandberg se encarrega com a responsabilidade de pedir ao público para confiar mais uma vez na marca da DC, conseguindo entregar algo que agrada a maioria. Afastando-se do tom sombrio que o estúdio e os diretores anteriores havia estabelecido, Shazam! estabelece uma nova fase, onde se disfarça com humor, mas mantém um tom bem mais adulto que qualquer outro filme do gênero.

Apresentando um humor negro apimentado, violência gráfica, muitas casualidades e um Papai Noel falando palavrão, Shazam! pode passar despercebido pelo radar dos pais que irão trazer um público mais jovem para assistir ao filme. Sem atingir a autoconsciência ousada de Deadpool, o longa tenta ao máximo esconder o quão pesado é, evitando a censura que limitaria sua audiência. Sem uma base de fãs tão bem estabelecida quanto Deadpool, os roteiristas contaram com a criatividade para se passar por um filme de família.

E assim, Shazam! se destaca entre os filmes da DC, arriscando a tomar direções interessantes com o roteiro. Apoiando-se na química entre Zachary Levi e Jack Dylan Grazer, o filme consegue preencher os momentos mais quietos com as interações entre os dois personagens. Construindo lentamente a relação de Billy Batson com sua nova família e seu novo ambiente, são essas interações que prendem a audiência que está tão acostumado em ver apenas cenas de ação.

Shazam!, porém, deixa isso um pouco de lado e foca mais nos personagens. O filme tem sim suas cenas de ação, mas não perde tempo apenas com isso. Focando nos protagonistas e coadjuvantes, então, são as atuações que se destacam, sendo Jack Dylan Grazer uma das melhores coisas do filme. Zachary Levi tem seus momentos, mas é Dylan Grazer que carrega as interações.

Um resultado dessas interações é o humor presente no filme que, na maior parte acerta em cheio. Shazam! se inspira em clássicos como Quero Ser Grande (1988) – quando se trata da premissa principal do filme – e Gremlins (1984) – quando se trata da estrutura do roteiro – mimicando um pouco da comédia presente em ambos. As piadas funcionam na maioria das vezes, porém, quando vindas do roteiro e não quando dependem dos atores. As situações no qual os personagens se encontram conseguem arrancar mais risadas que a comédia física dos atores.

Shazam! como um herói em si é apenas tão bom quanto o desenvolvimento de seu outro ego Billy Batson – que apresenta uma sub trama interessante – e seu vilão. Mark Strong como Doctor Sivana toma conta de suas cenas sem esforço algum, adicionando um pouco de tensão ao filme. Apresentando um alto índice de casualidades, é difícil encontrar um vilão tão inconsequente e violento quanto o construído por Strong.

Quando se trata de Shazam! como um filme em geral, a produção tem um grande potencial que nunca atinge seu ápice, já que ainda conta com clichês fadados tais como flashbacks expositivos e dramas forçados. O longa, porém, quebra muitos vícios de filmes de super-heróis traçando uma nova era dos Mundos da DC, marcada por riscos e talentos que quebram o molde do gênero. Não deixe de conferir!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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