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Resenha

RESENHA: Apocalipse Segundo Fausto

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Adotar temas culturais é uma das maiores características do terror e similares ao gênero. Com uma cultura rica e que abrange um grande contexto religioso, as obras acabam se transformando em plataformas para críticas sociais que se remetem ao tema. Apresentando um conceito extremamente interessante, Apocalipse Segundo Fausto relata a nova versão do apocalipse, onde fanatismo e fé são analisados debaixo de holofotes – literalmente.

Em uma obra prima da literatura contemporânea, Marcos DeBrito traz a nova interpretação de histórias bem conhecidas, misturando bem a dosagem da crítica com adoração das mesmas. Antes de tudo, o livro nos traz mais perto das famosas decisões de Fausto, indo além da lenda purgatória. Acompanhando a jornado do personagem e sua carreira como ator, a obra traça uma linha fina onde o sucesso é uma obsessão que encontra na vaidade um dos maires incentivos que trazem o Diabo com uma proposta ilusória.

Além da famosa lenda alemã de Fausto, o livro de Marcos DeBrito constrói uma justaposição interessante sobre a história bíblica do apocalipse. Trazendo estes dois temas para a trama moderna, Apocalipse Segundo Fausto aponta Fausto como a antítese de Jesus, o Falso Profeta, que assume o papel sem assumir seus fardos. O questionamento interno do personagem sobre tais responsabilidades religiosas apresenta um novo conceito onde as decisões do protagonista são acompanhadas de perto através de um contexto denso e urgente. A obra remete temas como o medo e a crença como sinônimos e antônimos, simultaneamente, o medo que alimenta a própria crença do Falso Profeta.

A jornada de Fausto inicia-se e gira em torno do medo. Inicialmente temendo as comparações de sua idade (33 anos) com a idade em que Jesus (personagem que interpreta) morreu, a trama utiliza bem da comparação como morte da carreira espelhando ao destino final do personagem, que finalmente revela um medo de apenas ser bem sucedido devido sua aparência, e assim, a morte do personagem.

Este tema é explorado ao longo do livro e pode muito bem ser representado pelas aparições do Diabo como Mefisto. Tais visitas parecem ser retiradas diretamente dos filmes tais como o clássico O Sétimo Selo (1957) e até O Labirinto Do Fauno (2006) como um exemplo mais moderno. As figuras místicas que lideram os protagonistas em suas jornadas pessoais mantem sua simbologia na obra de DeBrito, que opita por uma figura mais controversa que se encaixa perfeitamente com o gênero do livro.

As críticas sociais da obra vão além da rivalidade entre religião e ciência, oferecendo um equilíbrio entre crença e fato, fé e informação. Estes tópicos auxiliam o personagem em sua jornada solitária, construindo padrões de comportamento que fazem do inevitável a maior ferramenta de suspense do livro. Entre outros aspectos, o terror apresentado pelo fim do mundo não é mais aterrorizante que o que o evento representa, apontando para o fanatismo e caos social.


Título: Apocalipse Segundo Fausto
Autora: Marcos DeBrito
Editora: Grupo editorial Coerência
Gênero: Terror
Número de páginas: 192

Sinopse:
Com os indícios de que o fim do mundo está próximo, um ator reconhecido por interpretar Jesus é acusado de ser o Falso Profeta depois que pequenos chifres crescem em sua cabeça. A massa fervorosa, que anteriormente o venerava, começa a enxergá-lo como uma ameaça à sobrevivência e partem em busca de seu sacrifício para que sejam salvos das trombetas do apocalipse.

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