CRÍTICA: Sintonia — 1ª Temporada
12 ago

CRÍTICA: Sintonia — 1ª Temporada

Notícias, Séries

Victor Tadeu

Título: Sintonia
Título original: Sintonia
Ano de lançamento: 2019
Duração: 6 episódios
Criadores: Kondzilla e LosBragas
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil

Sinopse: Doni, Nando e Rita são moradores da mesma favela em São Paulo. Crescendo juntos pelas ruas da comunidade, eles descobriram aos poucos o mundo do tráfico de drogas, da religião e também da música. No entanto, as experiências da infância os levaram a trilhar caminhos bem diferentes, e agora esse trio sabe que quem pode salvá-los dos problemas com os quais se envolveram são eles mesmos.

Diversas produções brasileiras já procuraram rasamente apresentar a realidade das comunidades, porém todas não foram à fundo, automaticamente deixando de explorar uma realidade muito presente no Brasil. Acreditando o quão importante é narrar as histórias de adolescentes que moram em periferias, o produtor musical Kondizilla em parceria com LosBragas lança Sintonia pela Netflix.

A história gira em torno de três adolescentes periféricos criados desde pequenos juntos, cada um encontra uma forma de crescer, porém existem diversos empecilhos que podem comprometer suas vidas.

Sintonia é mais uma série brasileira investida pela Netflix, ela é uma direção de Kodzilla em parceria com LosBragas. O show foi recentemente lançado pela plataforma de streaming e carrega Christian Malheiros, Mc Jottapê e Bruna Mascarenhas no elenco, apostando em uma narrativa muito conhecida, mas pouco explorada.

O funk está cada vez mais ganhando espaço dentro dos mercados, consequentemente apresentando diversas realidades periféricas para o mundo; seja essa apresentação nas letras ou não. Diante dessa realidade bastante difícil e recheada de várias escolhas, existem diversos assuntos que precisam ser explorados e melhor visionado, e Sintonia consegue nos proporcionar essa visão.

De início a série não consegue ser totalmente instigante, principalmente pela atuação dos iniciantes atores e o fato dos acontecimentos serem rápidos, porém durante o desenrolar das situações, o expectador consegue se acostumar com o modo de produção e entra em um mundo cheio de possibilidades. A forma como a produção encontrou para explorar as poucas e arriscadas opções que de pessoa periférica, é muito próximo da realidade, trazendo uma diferencial muito grande e importante de outras séries já lançadas pela Netflix.

Apesar de quase tudo em Sintonia ser bastante mediano, o que mais se destaca são os assuntos abordados em cada perspectiva dos protagonistas, como Rita e seu recente contato com a religião, Doni enfrentando as dificuldades e preconceitos do mercado musical como MC e Nando arriscando sua vida cada vez mais na rede criminal da comunidade em que vivem. Durante os episódios isso é tratado com total atenção e de forma muito chamativa, fazendo o expectador conhecer um pouco mais dessa vivência e demonstrando que existem envolvidos além das periferias.

A direção de Kondzilla e LosBragas é interessante, mas peca em deixar algumas pontas soltas durante a narrativa, mas isso viabiliza uma possível 2a temporada. Por outro lado, essa equipe consegue se destacar bastante ao aprofundar na força de Rita como mulher batalhadeira e com força de vontade. A presença de Kondzilla foi muito essencial para a série, principalmente por apresentar a complicada, gananciosa e tão disputada a carreira de MC.

Os diálogos dos personagens são carregados de gírias conhecidas dentro das favelas paulistas e mesmo que isso seja bastante atrativo na série, as outras conversas que fogem desse ramo de gírias soam bastante mecânicas e compromete muitas cenas que poderiam ser espetaculares. A fotografia do show é muito fiel ao cenário, apostando na verdadeira imagem das periferias sem querer tampar o sol com a peneira, e já a trilha sonora é trabalhada com maestria durante os episódios.

Sintonia é uma série que conversa bastante sobre nossas escolhas e a relatividade de vencer na vida, demonstrando que existem barreiras e perigos em qualquer nicho e que precisamos ser guerreiros o suficiente para entrar nessa batalha.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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