RESENHA: Querido Evan Hansen
14 ago

RESENHA: Querido Evan Hansen

Notícias, Resenhas

Safira Cardoso

Título: Querido Evan Hansen
Autores: Val Emmich, Steven Levenson, Benj Pasek e Justin Paul
Editora: Seguinte
Gênero: Drama
Número de páginas: 336
SKOOB

Adquira aqui: Amazon

Sinopse: Dos criadores do premiado musical da Broadway Dear Evan Hansen, esta é uma história emocionante sobre solidão, luto, saúde mental e amizades inesperadas.

Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma. Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira.

Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter? Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.

Evan é um menino tímido, sem muitos amigos, que faz acompanhamento psicológico em razão de sua intensa ansiedade, que atrapalha a socialização do adolescente. Após passar o verão como aprendiz de guarda florestal e ter um braço quebrado como recordação, ele retorna as aulas sem nem imaginar que aquele ano mudaria sua vida.

O protagonista é encorajado a escrever cartas para si todos os dias e entregá-las a seu medico para avaliação. No seu primeiro dia de aula decide imprimir uma de suas cartas na biblioteca da escola, e Connor acaba lendo. Após sua carta de auto ajuda ser “roubada”, não intencionalmente, ser interpretada como uma carta de despedida, Evan se vê em uma situação complicada em que é “obrigado” a fabricar uma mentira acreditando que seria o melhor para todos.

Depois de algum tempo, sua mentira se torna uma bola de neve incontrolável. Apesar atormentado por ela, ele é acometido por uma popularidade repentina e melhora considerável de sua saúde. Assim, ele se vê dividido entre contar a verdade e manter a farsa, continuando a conviver com a menina de seus sonhos: Zoe.

“Qual é o meu problema? Sério. Por que me iludo pensando que o pior que pode acontecer já aconteceu? As coisas sempre podem piorar. Essa é uma certeza. É assim que a vida funciona” (Página 111)

O livro foi escrito por um grupo de autores dos quais três participaram da obra original, que é o musical, eles são Steven Levenson, Benj Pasek e Justin Paul. O trabalho da capa é muito criativo e chamativo, feito por Vitor Martins, já que o gesso de Evan aparece em alto relevo. A tradução foi feita por Guilherme Miranda de forma que expressões não são perdidas, com destaque para um trecho de música que inclusive apresenta rimas em português

O desenvolvimento do livro ocorre de acordo com os sentimentos do personagem e a sua percepção dos acontecimentos. Isso acontece quando o narrador também é personagem. No caso desse livro específico, a progressão da história acaba se dando de forma lenta, ficando pouco interessante ao decorrer.

Por ser adaptação de um musical, as descrições da cena e dos sentimentos de cada personagem ficam muito detalhadas de forma que é possível o leitor imaginar com clareza cada circunstâncias, o que é fantástico se não fosse pela cronologia lenta dos fatos. Apesar de tudo, é uma história interessante, mas passa a sensação de que poderia ter sido contado em menos páginas, consequentemente eliminando uma leitura um pouco arrastada.

“Eu só quis dizer que teria sido bom ter uma amizade como essa. Ter alguém com quem conversar, alguém que escutasse.” (Página 121)

O livro alterna entre o ponto de vista de Evan, que prolonga a mentira, e o que Connor, narrador-observador-personagem, está pensando sobre todos os acontecimentos. Algumas partes do “mentiroso” são bem interessantes, mas as do “observador” com certeza se sobressaem a um ponto que o leitor deseja que as partes dele fossem maiores que as de Evan. Isso acontece também por que além de comentar, Connor complementa a história com suas verdades, fazendo-a mais rica.

O tamanho da fonte é um pouco maior do que outras obras literárias e as páginas são de um amarelo bem clarinho, o que faz da leitura confortável aos olhos, principalmente para aqueles que usam óculos.

O livro definitivamente foge dos clichês, apesar das falhas, deixa o leitor com vontade de pegar um avião com direção a Nova Iorque para assistir o musical da broadway. Também toca em assuntos delicados como o suicídio, a hipocrisia da sociedade, a dificuldade de ser você, atender padrões, homossexualidade e depressão, fazendo da sua leitura reflexiva.

Querido Evan Hansen é um livro interessante, amplo e divertido. Impossível não se identificar e difícil de esquecer.

Comentários