RESENHA: Os Ovos Azuis da Serpente
28 fev

RESENHA: Os Ovos Azuis da Serpente

Notícias, Resenhas

Safira Cardoso

Título: Os Ovos Azuis da Serpente
Autor: Roberto Marcos
Editora: Produção Independente
Gênero: Drama
Número de páginas: 520
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Sinopse: Já parou para pensar como seria se almas inimigas habitassem um só corpo ao mesmo tempo? Em busca da resposta para esta questão, o leitor encontrará uma senha pelos caminhos conflitantes do relato que tem em mãos: Os Ovos Azuis da Serpente. Como num jogo de espelhos, esta novela apoia-se em acidentes emocionais para atestar que a vida segue sendo importante, mesmo quando parece totalmente injustificável. Será necessário que, de posse deste livro, o leitor desenovele um grande segredo para que o enredo mostre todas as suas possibilidades. Portanto, fique atento aos detalhes, sobretudo, aos que, à primeira vista, pareçam desimportantes e dispensáveis. Neles, podem estar a chave e o código para uma verdade que você, talvez, não consiga tolerar.

Quatro pessoas um tanto quanto peculiares moram no edifício Parque dos Pardais. Escondidas ali, procuram conviver com as perdas, segredos, culpas e lutar contra seus próprios monstros dia após dia. Apesar de serem indivíduos que a princípio parecem totalmente diferentes, eles compartilham uma semelhança: A escolha da solidão.

Bella Flor (A Caçadora de Prazeres) Benjamin (O fazedor de dinheiro), Bizet (A aprendiz de bruxarias) e Bento (O quase morto quase vivo), protagonizam a narrativa que se passa em Santa Clara dos Cristais e, relembram o passado nem tão distante que viveram em Ribeirão das Onças, ou o “cu de mundo”.

Abandonados à própria sorte por seus familiares, ou por escolher viverem longe das barbaridades e hipocrisias que seus parentes acobertam submissos, vivem uma vida reclusa sob os olhares dos residentes de Santa Clara que curiosos, esperam, inventam e especulam sobre os moradores do pacato edifício.

Culpados por terem sido, de certa forma, cúmplices de atos que não se orgulham, se martirizam em suas rotinas diárias cheias de epifanias e lembranças, que de tão dolorosas a mente, com frequência, se esquece ao lembrar. Enquanto tentam viver e procurar na vida o perdão, sentem o peso maçante do segredo que carregam.

“A felicidade e o pesar são, quase sempre, impressas em faces opostas de uma mesma circunstância. (página 42)”

Os Ovos Azuis da Serpente, escrito por Roberto Marcos, é o primeiro título do autor e foi publicado de modo independente pela Artes Gráficas Modelo, uma empresa de Minas Gerais. O livro conta uma história original e complexa, levando o leitor para uma aventurar metaforicamente refletida na sociedade.

Logo no princípio é feito um pedido ao leitor, que ele imagine um mapa com três requisitos, entre eles: Quatro personagens peculiares, um narrador curioso e um grande segredo. A partir daí a imaginação já é instigada. Após isso, os personagens são apresentados, um por capítulo, bem descritivamente e com o passar das páginas o leitor passa a entender melhor a motivação de cada um e o porquê de terem escolhido viverem isolados no edifico Parque dos Pardais.

O livro como um todo usa de bastante descrição e metáforas então é necessário uma leitura mais cautelosa e atenta para não se perder em meio as palavras. É muito fácil chegar ao fim da página e não saber o que estava escrito na primeira linha para aqueles que tem um ritmo de leitura mais acelerado.

O desenvolvimento do livro é lento e complexo. Os segredos de cada um são revelados aos poucos e assim o leitor não fica desanimado. As narrativas individuais são quase como migalhas que o autor deixa, e fica para o leitor juntá-las e descobrir algo maior que vai sendo relevado de acordo com que a história avança.

“A raça humana não havia sido, até então, exterminada por conta da distração crônica de um Deus que tinha sono demais e curiosidade nenhuma em relação as complexidades humanas. (página 294)”

É possível perceber com um tom de crítica a forma como a sociedade lida diante dos personagens principais e suas peculiaridades e com isso, uma crítica a sociedade em geral. A obra desnuda o ser humano mostrando o mais maligno e obscuro da mente das pessoas, apresentando que o mal é algo inerente ao indivíduo e até que o ser mais puro carrega dentro de si o desejo pela perversidade.

O trabalho editorial se encaixa perfeitamente a trama. A arte da capa com cores escuras e a imagem da rua em vermelho revelam aos olhos o que esperar da obra. Os capítulos são maiores do que a maioria dos livros, mas necessários. A fonte e a diagramação é um quesito para ser avaliado individualmente — algumas pessoas vão gostar e outras não — as letras são grandes, consequentemente aparentando uma leitura rápida diante da quantidade de páginas.

Os Ovos Azuis da Serpente abriga uma criatividade imensa, totalmente original. Fazendo o leitor se apegar no detalhe dos elementos presentes na história e no porquê de cada ação. Roberto Marcos transmitiu uma visão crua da sociedade e do homem. Explorando as mais variadas faces do eu, proporcionando uma reflexão profunda e particular que rompe com o previsível, o título acaba sendo uma obra incrível.

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