RESENHA: O Príncipe Congelado
26 mar

RESENHA: O Príncipe Congelado

Notícias, Resenhas

Victor Tadeu

Título: O Príncipe Congelado
Autor: Raigor Ferreira
Editora: Astral Cultural
Gênero: Fantasia
Número de páginas: 176
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Sinopse: Bem-vindo a Arvoredo, um reino tomado pelo gelo. Depois de muitas desventuras e tragédias, Arvoredo conheceu o impiedoso Inverno que se prolonga e dificulta a vida de todos os seus habitantes. Porém, a chegada de uma forasteira misteriosa e de cabelos vermelhos pode mudar o futuro do reino para sempre. O Príncipe Congelado é um conto de fadas que revela o lado mais encantador do amor entre dois jovens bem diferentes do “convencional”. Entre nessa aventura de autodescoberta, amizade e aceitação de quem somos da forma como somos. Você está pronto para deixar seu coração se aquecer com essa história?

Arvoredo era um reino como qualquer outro, mas tudo começou sair dos trilhos quando a família real começou a falecer, cada uma por motivos diferentes, deixando o adolescente Philipe cuidar do seu povo totalmente sozinho. Infeliz com toda a situação ele acaba se fechando em suas mágoas, pois perder pessoas que tanto amava não passava por sua cabeça.

Agora, como novo herdeiro de Arvoredo, o príncipe necessita fazer uma cerimônia para a coroação, e mesmo lutando contra a sua vontade ele começa tomar iniciativa. Mas, infelizmente, nos primeiros minutos de coroação outra tragédia é ocorrida, Philipe começa ficar frio e congelado, consequentemente deixando todo o reino com temperaturas baixas.

A história foi motivo de chacota, o povo de Arvoredo começou caçoar do difamado Príncipe Congelado, colaborando para que ele voltasse a sua situação anterior; preso em seus aposentos sem qualquer vínculo com a comunidade. Anos passam, o reino fica cada vez mais frio e sem qualquer movimento, afogando em um inverno sem fim.

Porém, em um reino distante existia uma princesa pouco semelhante ao Philipe, seu nome é Lavinah e seu corpo é coberto por chamas, ao contrário do jovem, ela não se sente envergonhada diante das condições, muito pelo contrário, está sempre disposta procurar por respostas e ao saber do Reino Congelado decide entrar em uma grande aventura, podendo colocar sua vida e a do príncipe em risco.

“Lavinah precisava conhecer o Príncipe Congelado. Não era uma simples opção ou um desassossego de donzela. Era a esperança de conhecer alguém em estado semelhante ao seu e a busca por respostas minimadamente suficientes para explicar a sua condição. (página 45)”

O Príncipe Congelado, escrito por Raigor Ferreira, é um livro de fantasia que inicialmente fez bastante sucesso na Amazon e agora foi publicado pela Editora Astral Cultural. A obra conta a história de dois jovens peculiares tentando lidar com suas divergências e problemas familiares e/ou sociais.

Navegando em uma história congelante e, ao mesmo tempo, calorosa, o livro de Raigor Ferreira levanta questões interessantes e por partes importantes, ao narrar a história de dois adolescentes com condições temperamentais diferentes de qualquer outro. Remetendo aos clássicos da fantasia infantil, em O Príncipe Congelado acompanhamos um enredo apaixonadamente e curiosamente instigante.

A obra não se limita nos contextos de contos de fadas referenciais, que o próprio autor afirmou ter inspirado, como A Bela e a Fera e Frozen. Raigor consegue ir um pouco além dos contos, mas não eliminando a possibilidade de em partes lembrar as histórias tão bem conhecidas no Universo da Disney. É válido ressaltar que em momentos é notável que O Príncipe Congelado carrega  essência de alguns contos, como a presença de anões receptiv0so e ignorante, a cura de uma maldição através do beijo, a temperatura incontrolável e entre outros elementos, porém o título acaba sendo original em ter uma história além do universo já conhecido, retornando a dizer; ele vai além dos contos de inspiração.

Os personagens são bem desenvolvidos, cada um deles têm uma mensagem para passar ao leitor, mas nem todos conseguem ter tanto destaque quanto poderia. Apesar de ser protagonista, e não totalmente o foco da história, Lavinah é muito bem construída, ela é fofa, atenciosa, empática, focada e guerreira, uma princesa que suavemente remete ao empoderamento e força feminina. Por outro lado, Phelipe é reprimido e sempre carregado de surpresas — aparentemente uma inversão dos contos de fadas —, mas diante das consequências proporcionadas pelo rumo das situações, tudo vai se estabilizando. O Príncipe Congelado também contém outros personagens incríveis que preenchem a obra de forma positiva e sem tampar buracos, como Helga, a responsável pelos serviço do reino e bastante apaixonante, também existe Amé, um personagem secundário, mas que faz muito importância dentro do enredo. Resumidamente são personagens maravilhosos, que têm muito para ensinar e que podem ser aprofundados em uma possível spin-off, acreditamos que eles têm mais para comunicar ao leitor.

“— Eu te pedi palavras, não ações. Leio desde pequena e sei o poder que as palavras têm. No fundo, você sabe que só estou querendo ajuda-ló. Pense nisso antes de adormecer. (página 81)”

Apesar de trazer referências de outros contos de fadas bastante conhecidos e presentes em releituras contemporâneas, o autor inicia a história desde o nascimento de Phelipe até o seu atual estado, demonstrando preocupação o suficiente para os leitores compreender os pensamentos e passado do protagonista, principalmente a condição de todo o reino de Arvoredo. Porém, particularmente acreditamos que Raigor poderia ter explorado de forma mais aprofundada a personalidade do Príncipe Congelado, exclusivamente por ele ser um protagonista com muitos assuntos importantes e interessantes para apresentar ao público. Infelizmente em determinados momentos o personagem soa um pouco superficial, momentos esses que Lavinah se destaca e carrega muitas cenas.

A escrita de Raigor Ferreira é recheada de surpresas, através de um vocabulário simples e, ao mesmo tempo, fiel ao cenário da história ele consegue fazer o leitor se envolver com os dramas dos personagens. Durante toda a leitura ele levanta sentimentos provocativos aos leitores, consequentemente fazendo-os acreditarem e desacreditarem com o rumo que as cenas podem tomar, um elemento muito bem desenvolvido durante O Príncipe Congelado.

Astral Cultural realizou um trabalho de produção muito bom, todo o material utilizado para a edição física são de qualidade. O desenvolvimento da capa, realizado por Aline Santos, matem a essência da edição virtual da Amazon, mas ela trabalhou com traços elegantes e chamativos, tornando toda a ilustração de Beatriz Mayumi destacada, cativando a atenção do leitor — principalmente as crianças. — Já a diagramação é confortável aos olhos, a forma como os capítulos e partes foram divididas ajudam no engajamento da leitura, deixando ainda mais prazerosa toda a história.

O Príncipe Congelado é um livro sensível e, ao mesmo tempo, apaixonante, uma ótima opção de leitura incrível para uma tarde chuvosa e/ou um dia frio. Por ser uma história curta ele contém diversos ganhos para spin-offs, até porque alguns personagens e assuntos são tratados de forma rápida no título, o que acaba estimulando um desejo de querer saber mais.

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