RESENHA: Mulheres na Luta
22 mar

RESENHA: Mulheres na Luta

Notícias, Resenhas

Victor Tadeu

Título: Mulheres na Luta
Autora: Marta Breen
Ilustradora: Jenny Jordahl
Editora: Seguinte
Gênero: HQ
Número de páginas: 128

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Sinopse: Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade.

Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar.

Há anos as mulheres estão lutando para conquistar seus direitos, pois, infelizmente o sistema que foi instalado não fazia tanta questão de articular uma condição de vida formidável, igualitária e respeitável para elas. Apesar de muitas pessoas da atualidade não acreditarem severamente no passado delas, existem formas de comprovar suas lutas e conquistas, onde diversas outras mulheres tiveram que sacrificar suas vidas sonhando em um futuro — possível presente — de igualdades.

Apesar de muitos começarem a ter ciência do Movimento Feminista somente no século XX, existem vários livros que relatam a história das mulheres e suas lutas na sociedade, seja brasileira ou não. Em 2018 foram publicados dois títulos que estão fazendo muito sucesso sobre o assunto como Extraordinárias – Mulheres que Revolucionaram o Brasil (Duda Porto de Souza e Aryane Cararo, Editora Seguinte) e Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (Djamila Ribeiro, Companhia das Letras), mas agora chegou o momento de uma HQ também ser destaque nas livrarias brasileiras.

Mulheres na Luta é um quadrinho escrito por Marta Breen e ilustrado por Jenny Jordahl, a obra é norueguesa, mas está sendo lançada e distribuída em território brasileiro pela Editora Seguinte, um selo editorial do Grupo Companhia das Letras. Com uma edição incrível e páginas carregadas de excelentes e marcantes conquistas, o título consegue ser mais um sucesso da casa editorial.

Iniciando a leitura de Mulheres na Luta acompanhamos os 150 anos de lutas e conquistas de diversas e diferentes mulheres que foram contra o estado em busca de igualdade. Apesar de existirem alguns finais trágicos, as páginas deste livro foram desenvolvidas de modo suave, onde a realidade é narrada com teor de introduzir as guerreiras e suas lutas de forma rápida e marcante.

Esse livro acaba tornando importante por diversos motivos, um dos deles é a forma como ele demonstra que mulheres unidas conseguem ter mais voz diante de um estado patriarcal, além desse fato, também apresenta ao leitor a origem das sufragistas, como as mulheres negras têm uma luta muitas das vezes divergente das mulheres brancas e mulheres trans, porém nenhuma delas invalidando a outra. Assuntos como o início da legalização do aborto, primeira ministra, lésbicas e entre outros reforçam as histórias em Mulheres na Luta, seguidamente ensinando o desejo pela liberdade, empoderamento, sororidade e igualdade.

A obra é recheada de referências para o leitor realizar uma pesquisa e aprofundar o seu conhecimento diante de alguns assuntos e representantes. Uma das referências marcantes de Mulheres na Luta é o livro A Cabana do Pai Tomás, escrito por Harriet Beecher, onde ela aborda a escravidão dos Estados Unidos na perspectiva dos escravizados, esse título  foi o segundo mais vendido, ficando atrás da Bíblia, ele também foi o gancho para o governo daquele país abolir a escravidão. Assuntos como esses são fortemente presentes neste quadrinho.

Pelo fato desse ser um título envolvendo sociologia e história, muitos podem acreditar que o vocabulário de Marta Breen, a escritora, seja um pouco difícil de ser interpretado. Se você tem essa perspectiva, pro favor, tire-a de sua mente, a autora teve muito cuidado em adaptar as palavras para um vocabulário contemporâneo, muitas das vezes desenvolvendo algum humor com frases memoráveis da atual sociedade. Além de ter essas preocupações, ela também foi cuidadosa o suficiente para explicar alguns fatores histórias e/ou políticos, consequentemente não deixando a leitura confusa e entendiante.

Jenny Jordahl foi a responsável por toda ilustração dessa obra, com traços simples e levemente caricatos acompanhamos páginas visualmente encantadoras, seja pelas ilustrações, cores e histórias narradas. A ideia de adaptar essas lutas do Movimento Feminista em uma HQ particularmente consideramos extremamente oportuna, expandindo as informações para um público diferente dos livros, provavelmente chamando a atenção de alguns pré-adolescentes.

A Editora Seguinte conseguiu desenvolver mais uma obra incrível para o seu catálogo, a edição de Mulheres na Luta está admirável. Todo o material utilizado para a construção dos exemplares físico são de qualidade, a capa é dura, as páginas carregam uma simetria de cores, o que intensifica e torna a leitura ainda mais prazerosa.

Mulheres na Luta é um livro necessário para a sociedade em que vivemos, principalmente neste momento onde todos acreditam que a luta do Movimento Feminista é vitimismo. Durante a leitura muitos irão se enriquecer com informações valiosas, independente do gênero ou posição política. Essa pode é uma obra com uma imensa capacidade de alterar a visão de muitas pessoas diante de diversas situações, sempre incluindo o respeito, principalmente durante suas lutas.

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