RESENHA: Feitiço
15 mar

RESENHA: Feitiço

Resenhas

Victor Tadeu

Título: Feitiço
Autora: Sarah Pinbourough
Editora: Única Editora
Gênero: Fantasia/Ficção
Número de páginas: 247
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Sinopse: Cuidado com o que você deseja!
Para fãs de Once Upon a Time e Grimm, a série Encantadas prova que contos de fadas são para adultos!
Você se lembra da história da Cinderela, com sua linda fada madrinha, suas irmãs feias e um príncipe encantado? Então esqueça essa história, pois nesta releitura de Sarah Pinborough ninguém é o que parece. Em um reino próximo, a realeza anuncia um baile que encontrará uma noiva para o príncipe e parece que o desejo de Cinderela irá ganhar aliados peculiares para ser realizado. Contudo, não será fácil: ela não é a aposta de sua família para esse casamento real, e sua fada madrinha precisa de um favorzinho em troca de transformar essa pobre coitada em uma diva real. Enquanto isso, parece que Lilith não está muito contente com os últimos acontecimentos e, ao mesmo tempo em que seu reino parece sucumbir ao frio, ela resolve usar sua magia para satisfazer suas vontades.
Feitiço é o segundo volume da trilogia iniciada com Veneno, um best-seller inglês clássico e moderno ao mesmo tempo em que recria as personagens mais famosas dos irmãos Grimm com personalidade forte, uma queda por aventuras e, eventualmente, uma sina por encrencas. Princesas, rainhas, reis, caçadores e criaturas da floresta: não acredite na inocência de nenhum deles!

 

 

Em Feitiço o segundo livro da Saga Encantadas, vamos conhecer a trágica vida de Cinderela. Cinderela vive com seu pai, sua madrasta e suas irmãs Rose e Ivy — Ivy já é casada com um visconde. A vida deles não iam nada bem, mas uma pequena esperança surge quando são anunciados os dois dias de baile, para o príncipe decidir quem seria a sua princesa. Todos enlouquecessem, fazendo de tudo para ir com o melhor vestido, o melhor penteado e chamar a atenção do príncipe.

Cinderela cuidava dos afazeres de casa enquanto observava sua madrasta fazendo loucuras para preparar Rose. Rose não tem muita postura para entrar nos padrões de uma princesa, além disso, seu corpo não estava muito adequado para entrar no vestido, sapatos e afins — ela não é gorda, mas tem o corpo inchado. Como sonho de qualquer menina Cinderela também desejava ir ao baile e dançar com príncipe que ela sempre sonhou em conhecer, mas é claro, ela era a invisível da família e só não se sentia solitária por causa de Buttons, um “ladrão do bem” que sempre a visitava escondido, além disso, levava algum presente roubado para ela.

Ainda desejando ir ao Baile da Noiva Real ela começa a reclamar, até que em um toque de mágica uma fada madrinha aparece realizando o seu desejo, mas tudo tinha uma condição. Após ter aquilo que ela queria, Cinderela deveria ajudar a fada madrinha de certa forma — não vou contar, se não estraga a leitura de vocês —, assim o combinado é feito e Cinderela vai ao baile. Após sua primeira noite indo ao baile muitas coisas acontecem, uma reviravolta acaba mudando o rumo da história, e a segunda e última noite do baile as coisas tomam um rumo que até certo momento parece ser bom, mas com o passar do tempo começa ser assustador.

“… A beleza é fácil com dinheiro, e essas pessoas têm o melhor de tudo que existe… (página 30)”

Com o mesmo intuito de Veneno, Sarah Pinborough procura mudar a visão dos contos de princesas, mostrando que nem tudo são mil maravilhas. Em Feitiço temos uma ligação forte com o primeiro livro da saga, achei que essa ligação seria fraca, mas muito pelo contrário, é de total importância. Se você está lendo essa resenha com medo de spoiler, pode ficar tranquilo, vou me limitar nas palavras e te livrar de qualquer tipo de spoiler possível.

No início da história temos a apresentação dos personagens e confesso que fiquei bastante confuso até meados da página 30. Ainda acho que a editora poderia fazer uma revisão de tradução e melhorar alguns erros de vírgula, são probleminhas que não me incomodam, mas têm pessoas que desistem das obras por causa deles. Fora esses pequenos problemas a apresentação dos personagens são bem elaboradas, vamos encontrar personagens secundários de outras de outros contos, além disso, vamos rever personagens da primeira obra da saga e tudo isso colabora com uma profissionalização e originalidade incrível da autora.

No primeiro livro eu encontrei uma critica social que até então não vi nenhuma outra pessoa falando sobre ela — recomendo vocês lerem a resenha de Veneno e conhecer a crítica. Em Feitiço não foi diferente, encontrei outra crítica maravilhosa e que deve ser discutida pela sociedade. Dessa vez a autora focou no padrão de beleza criado pela sociedade, é bem claro notarmos essa crítica no livro, principalmente quando as meninas procuram se vestir da melhor forma possível para agradar o príncipe. O alvo central dessa crítica é Rose e sua mãe — irmã e madrasta de CinderelaRose não está muito apta para agradar o príncipe e sua mãe faz de tudo para colocar a pobre jovem nos padrões que uma realeza exige. O grande problema não é esse, o real problema é como isso influência as duas, pois Rose não dá muito a mínima para isso, mas a forma que sua mãe reage diante da situação leva a pobre Rose fazer coisas indesejáveis, sem falar dos surtos que sua mãe começa dar.

“A beleza nunca foi a minha maior qualidade. E você não tentou cortar meu dedo do pé, foi eu. (página 119)”

O cenário criado pela autora está impecável, a forma que ela dividiu a história foi bem elaborada, mas a maneira que Cinderela conhece Buttons me incomodou um pouco. Cinderela e Buttons tem uma amizade há um determinado tempo — não é recente —, além disso, Buttons gosta de Cinderela e leva algumas necessidades de sobrevivência para ela, como carvão, pois naquela época crianças estavam sumindo na floresta em busca de lenha, carvão e afins. O que realmente me incomodou foi o fato de Cinderela não saber o real nome do “ladrão do bem”, sinceramente, até um tipo de relação sexual eles tiveram e ela não sabe o real nome dele, isso me incomodou de uma forma incrivelmente absurda, mas eu consegui relevar e fazer a leitura tentando ignorar esse pequeno probleminha.

Para quem não sabe eu estou fazendo a leitura do livro em uma edição econômica, as folhas são brancas, a capa é mole, não tem orelha de informação e a fonte, tamanho da fonte e espaçamento é muito confortável aos olhos. Ou seja, você consegue fazer a leitura sem ser incomodado pela diagramação. Um grande ponto positivo, pois eu tinha medo de ser incomodado.

“A beleza pode ser subestimada — Seus olhos escuros pareciam zombar dela — E ela acaba. (página 70)

O desfecho desse livro foi incrível, nunca passou pela minha cabeça que ele terminaria dessa forma, fiquei bem surpreendido pela coragem da autora ao finalizar a história tão “baphônica”, mas é claro tem o terceiro e último livro da saga, cujo nome é Poder, eu já estou fazendo a leitura dela e em breve tem resenha no blog.

A minha indicação para esse livro é a mesma que indiquei para Veneno. Indico o livro e a saga para quem é fã de Once Upon a Time e Grimm — a autora que faz essa indicação. Além disso indico para aqueles que têm interesse em conhecer uma história totalmente diferente que acredita, uma história com conteúdo e muita pitada de realidade, mas, por outro lado, eu não recomendo para pessoas muito novas, pois o livro contém cenas de sexo bem detalhas e também tem palavrões.

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