RESENHA: Cartas no Corredor da Morte
29 abr

RESENHA: Cartas no Corredor da Morte

Notícias, Resenhas

Victor Tadeu

Título: Cartas no Corredor da Morte
Autoras: Claudia Lemes e Paula Febbe
Editora: Monomito
Gênero: Suspense
Número de páginas: 128
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Adquira aqui: Livraria Monomito

Sinopse: Steve Gurniak é russo, vive na Califórnia, assexuado, metódico e pouco sociável. Johnny Love é do Tenessee, carismático, vaidoso, ingênuo e promíscuo. Diferentes de todas as formas possíveis, ambos têm duas coisas em comum: são serial killers e estão no corredor da morte.

Um laço de cumplicidade nascerá entre eles quando numa intensa troca de cartas confessarem seus crimes, suas motivações e a distorção doentia de suas mentes. Mas esse laço se tornará um nó, quando um estranho pacto for firmado.
Gurniak e Love carregam a marca da crueldade e da frieza em seus crimes. Agora, ambos, mesmo confinados, estão unidos num plano que fará uma última vítima.

Cartas no corredor da morte é uma obra com matriz ultra violenta tal qual a mente de assassinos em série e que convida aos leitores a conhecerem almas doentias, sem cortinas ou embaraços.

A prisão de um serial killer foi o ponto de partida para uma troca de cartas entre dois assassinos em séries que estavam destinados à morte, principalmente devido suas crueldades feitas quando a liberdade era presente em seus cotidianos. Ambos estão no corredor da morte, eles trocam cartas frequentemente e durante essa conversa comprometedora eles desenvolvem um plano bastante arriscado.

Se você já leu muitas histórias envolvendo serial killers, chegou o momento de conhecer Steve Gurniak e Johnny Love, dois homens com um passado totalmente complicado e repleto de segredos que através de cartas se comunicam, correndo o risco de comprometerem a quantidade de dias que ficarão vivos no corredor da morte.

“Matar era um pesar, uma obrigação, a única forma de me certificar de que não seria pego. (página 12)”

Cartas no Corredor da Morte, escrito pelas autoras Cláudia Lemes e Paula Febbe é um terror psicológico publicado pela Monomito Editorial. A abordagem de dois serial killers se aproximando através de cartas é uma ideia bastante inovadora dentro do mercado e as escritoras souberam segurar a história até as suas últimas linhas.

Antes de tudo é válido ressaltar que este livro contém gatilhos que podem despertar certos traumas, por isso, caso deseje fazer a leitura saiba que será apresentado assuntos sobre estupro, drogas e entre vários outros — não posso citar todos por causa de spoilers —, eles envolvem muita violência, sangue e comove o leitor. Esta é uma história pesada e muito forte, elementos esses que se destacam, mas podem ser frustantes para quem tem, ou já teve, uma realidade próxima.

Apesar de toda a história conter seus momentos interessantes e instigantes, apresentando assuntos que muitos consideram tabus, mas está presente na vida de uma grande parte da população, o livro acaba sendo ainda mais relevante ao explorar as filosofias dos dois serial killers diante de seus motivos para matar e como eles enxergam isso, principalmente o do russo Steve Gurniak, que é experiente, tem uma ideia complexa e que dentro da sua mente é totalmente certa.

Outro quesito presente em Cartas no Corredor da Morte é que durante a leitura os leitores conhecem a história de vida dos dois serial killers, compreendendo as angustias presentes dentro dos seus corações e tamanha revolta que os levou estar naquela condição. Cláudia Lemes e Paula Febbe fizeram um trabalho maravilhoso ao desenvolverem um enredo de ficção que em partes se aproxima da realidade de várias outras pessoas, apresentando cenas maldosas, angustiantes, revoltantes e que causam certa repulsa em quem está lendo.

“Meu amigo, se houve o inferno, pelo menos há algo. A pior coisa será se não houver nada. Tudo o que você pensou, tudo o que foi… acabado em segundos. (página 36)”

Inicialmente a história pode parecer confusa, mas isso ocorre conscientemente, já que vamos conhecendo os personagens durante as trocas de cartas e essa ideia por si só é genial. Do mesmo modo que um assassino não confia cem por cento no outro, o leitor consequentemente acaba também não confiando em tudo informado por eles, essa aproximação nos envolve dentro da história causando sentimentos provocativos e bastante eficientes, fazendo a leitura de Cartas no Corredor da Morte ser incrivelmente empolgante.

Escrever uma história com outra escritora requer muita conexão para a trama não desconectar de um capítulo para o outro. Em Cartas no Corredor da Morte a autora Cláudia Lemes é responsável por um serial killer e Paula Febbe por outro, e podemos afirmar com toda certeza que elas souberam manter o vínculo de modo bastante eficaz, não divergindo uma da outra e surpreendendo o leitor com seus conhecimentos e criatividades totalmente cruéis, bem próximo da realidade e dotados de assuntos interessantes.

A Monomito Editorial está atuando recentemente no mercado e pelo exemplar é notável como a empresa chegou para fazer a diferença. Mesmo com uma edição simples a editora conseguiu apresentar uma obra instigante. A capa desenvolvida Marina Avila atrai muito o leitor, e durante a leitura a diagramação acaba sendo um elemento muito agradável para engajar de forma eficiente e prazerosa, eliminando diversos motivos para desistência.

Cartas no Corredor da Morte é um livro curto com desejo de quero mais, porém desenvolvido para ser impactante exatamente dessa forma. Cláudia Lemes e Paula Febbe souberem dosar uma história recheada de crueldade, manipulação e em partes comoventes, apresentando ao mercado editorial mais um título extremamente marcante para os fanáticos por terror psicológico.

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