RESENHA: A Trilha
17 fev

RESENHA: A Trilha

Notícias, Resenhas

Victor Tadeu

Título: A Trilha
Autor: Danilo França de Azevedo
Editora: Coerência
Gênero: Thriller
Número de páginas: 256
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Sinopse: Após encontrar três corpos em uma trilha na região de Túnica, as margens do rio Mississipi no estado de Louisiana, a detetive Hillary Marshall terá que confiar em sua equipe de policiais para desvendar o mistério que envolve uma única sobrevivente encontrada à beira da estrada, a jovem Barbara Shelton, filha de um famoso serial killer que aterrorizou a costa Oeste nos anos 80 a 90. Será que um fruto estragado não cai longe da árvore? Quais segredos envolvem a vida de Barbara? E quais decisões a detetive Hillary Marshall tomará para solucionar essa trama?

 

Tudo começou em uma manhã, quando os policiais Steven Norman Wood e Henry Philip Sampson avista uma mulher jogada próximo a estrada que liga Tunica a uma comunidade não registrada nas proximidades. A mulher estava desacordada, fria e com bastante sangue na roupa, porém sem feridas pelo corpo e sem qualquer documento de identificação.

Os dois policias ficam assustados e comunicam ao departamento, enquanto esperava o restante da equipe, um deles anda pela região procurando por algum elemento que ajudasse no caso. Mas, o mesmo acaba deparando com outros três corpos jogados a uma distância considerável de onde encontraram a jovem desacordada.

Toda a cena é extremamente pesada, três jovens haviam sidos brutalmente assassinados às margens do rio Mississipi. Sem saber por onde começar, a detetive Hillary Marshall é acionada para resolver o caso, aprofundando nas provas que tinha sobre toda a situação, ela descobre a identidade da única sobrevivente e todo o passado da sua família e amigos.

A única sobrevivente chama Bárbara Shelton, a detetive descobre que ela pode ser filha de um famoso serial killer, que infelizmente foi responsável por assassinar diversas pessoas. Um caso de assassinato é revivido dentro do departamento, ninguém sabe quem matou os três jovens e Hillary está disposta a solucionar a história, podendo comprometer até a sua vida.

“— Agora você tem a oportunidade de ajudar outras pessoas novamente. Encare como uma forma de se redimir consigo mesmo, está na hora de dar a volta por cima. (página 106)”

A Trilha, escrito por Danilo França de Azevedo, é um thriller envolvendo muito assassinato, onde policiais revivem um caso de serial killer. O livro foi publicado em 2018 pela Editora Coerência e pode ser uma promessa para este ano, principalmente devido toda a história desenvolvida pelo escritor e a sua forma de escrita.

Mantendo-se na investigação do caso de assassinato, A Trilha acaba tornando um livro curioso, instigante, e ao mesmo tempo, impactante. Durante a leitura o autor não limitou somente na procura pela solução, muito pelo contrário, ele consegue navegar de forma leva em outros pontos importantes da história, como os sentimentos de uns policiais, alguns costumes de seriais killers e entre outros que enrique o enredo.

Por ser um thriller de estreia do escritor, é necessário afirmar que ele desenvolveu uma história bastante interessante. Mesmo precisando de algumas otimizações em determinados quesitos mencionados na resenha, a obra não deixa de ser original, surpreendente e incrivelmente bem construída. A aprofundação na história de Barbara Shelton e seu pai é muito perturbador, por outro lado, a série de assassinato ocorrendo ao mesmo tempo, é motivo de deixar o leitor ainda mais preocupado com toda a equipe de Hillary Marshall. A história é um combo de pressão, sangue, descobertas e aflições.

Um dos pontos mais fortes de A Trilha, é como o escritor soube utilizar a perspectiva de cada personagem para trabalhar no timming bem elaborado da trama. Danilo apresenta a cena e não entrega tudo, ele sempre deixa um gancho para sustentar a nossa curiosidade e depois retornar de forma muito impactante. Felizmente este é um elemento que torna a leitura muito engajada desde o início — com a colaboração da divisão de capítulos — dando a possibilidade dos leitores mais vorazes fazer a leitura em apenas um dia.

“— Detetive Marshall, se ela é culpada, estou feliz por você tê-la prendido. Mas, se ela não é, ainda temos um serial killer à solta. (página 119)”

Os personagens desenvolvidos por Danilo são fortes e ao mesmo tempo falhos, é uma equipe mediana de policiais que infelizmente acabam sendo submetidos ao plano do(s) criminoso(s). Durante a leitura é possível o leitor se perguntar como que foi o preparo profissional daqueles polícias — e até mesmo detetives — por ceder a inteligência de forma tão fácil. Mas, voltando a reforçar que essa é uma estreia do autor, então acreditamos que ele é capaz de melhorar isso, principalmente por tudo que lemos.

Escrever histórias envolvendo assassinatos requer bastante criatividade, principalmente na elaboração dos crimes. Danilo afirma em sua minibiografia ser fã de séries e programas policiais, mas diante de toda as formas que o(s) serial(is) killer(s) usou para assassinar é um pouco igual, infelizmente tornando algumas cenas previstas. Porém, existe um questionamento para ser levantado; essa é a forma dele(s) assassinar ou foi um limite do escritor?

O trabalho de capa realizado por Decio Gomes é curioso, da mesma forma que o enredo, consequentemente fazendo jus a história. Toda diagramação da Editora Coerência é muito bem analisada e bem pensada, em A Trilha não foi diferente, Bruna Lira soube diagramar muito bem o título, porém é necessário uma revisão de digitalização, pois alguns parágrafos contêm erro de digitação.

A Trilha, de Danilo França de Azevedo, é um livro impactante e instigante, onde diversas pessoas são assassinadas de forma cruel. O escritor é novo no meio editorial, acreditamos que ele pode amadurecer a escrita, com a capacidade de desenvolver histórias melhyores, inclusive, existe uma possibilidade deste título ter continuação, justamente devido a reviravolta das últimas páginas.

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