RESENHA: A Metade Sombria
24 maio

RESENHA: A Metade Sombria

Notícias, Resenhas

Safira Cardoso

Titulo: A metade sombria
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Gênero: Terror
Número de páginas: 431
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Sinopse: Criar George Stark foi fácil. Se livrar dele, nem tanto.
Há anos, Thad Beaumont vem escrevendo, sob o pseudônimo George Stark, thrillers violentos que pagam as contas da família, mas não são considerados “livros sérios” pelo escritor. Quando um jornalista ameaça expor o segredo, Thad decide abrir o jogo primeiro, e dá um fim público ao pseudônimo.
Beaumont volta a escrever sob o próprio nome, e seu alter ego ameaçador está definitivamente enterrado. Tudo vai bem. Até que uma série de assassinatos tem início, e todas as pistas apontam para Thad. Ele gostaria de poder dizer que é inocente, que não participou dos atos monstruosos acontecendo ao seu redor. Mas a verdade é que George Stark não ficou feliz de ser dispensado tão facilmente, e está de volta para perseguir os responsáveis por sua morte.

Publicado pela primeira vez em 1989, A Metade Sombria conta a história de Thad Beaumont, sua família e o terror psicológico que sofrem ao terem que encarar a morte do pseudônimo de Thad. Enquanto ele e sua esposa parecem felizes em enterrar a sua “outra personalidade”, George Stark fica furioso com a ingratidão da família.

Tudo começa quando Thad, menino ainda aos onze anos, descobre um terrível tumor na cabeça que o faz ver e escutar pássaros e causa convulsões. Com um quadro grave, o menino ainda sem entender muito tem que passar por uma cirurgia de risco, mas que salva sua vida.

A partir daí ele segue sua vida normalmente sonhando em ser escritor. Com o passar dos anos esse sonho se concretiza, agora ele é um homem feito e casado. Infelizmente, com seu próprio nome não faz muito sucesso dentro do mercado editorial. Então, ele e sua esposa tem a ideia de criar um pseudônimo, George Stark.

George faz muito sucesso com seus livros e, consequentemente, Thad faz muito dinheiro. Após cinco obras, Thad e a esposa decidem enterrá-lo com o seguinte epitáfio em sua lápide: George Stark, um cara não muito legal. Coincidentemente após o funeral, uma série de assassinatos assombra a cidade de Castle Rock, e é quando Thad e Liz Beaumont passam a receber visitas frequentes da polícia.

“O juiz pender devia ter feito isso só porque não seria um ato muito político dar a moça o que ela realmente merecia, uma medalha.” (página 60)

A Metade Sombria, escrito por Stephen King, é uma nova edição da Editora Suma que está presente na Biblioteca Stephen King, um projeto que reúne clássicos do autor. O livro já foi adaptado em filme durante os anos 90 e desta vez retorna para o mercado editorial com conteúdos exclusivos, inclusive com a analogia do autor e seu pseudônimo Richard Bachman.

Stephen King é bastante conhecido por seus enredos de terror psicológico, muitos leitores esperam se espantar através da escrita dele, porém em A Metade Sombria é encontrada uma história mais branda. Apostando pesadamente em investigação, o Rei do Horror consegue mesclar ambos gêneros de forma bastante funcional e gesticulada, desenvolvendo uma história que consegue explorar a curiosidade do leitor com fatos apresentados.

Apesar de brando o escritor consegue atingir o ápice de horror presente no enredo, podendo causar medo e tirar noites de sono dos leitores que se sentem assustados com facilidade. Além desse terror psicológico é necessário apontar que a forma como King detalha os acontecimentos são tão tenebrosas e, por vezes, chocantes, trazendo uma originalidade muito agradável para o título.

“Só que ele sabia que mistérios similares eram bem documentados e aceitos, pelo menos casos que envolviam gêmeos; o laço entre os idênticos era ainda mais sinistro.” (página  257)

Em A Metade Sombria desde o início Stephen King levanta uma crítica muito realista com o protagonista e seu pseudônimo, onde as pessoas criam personalidade para suprir seus desejos pessoais — seja para uma boa ou má causa. — Além disso, o escritor aproveita essa nova edição e incluí um conto trazendo uma analogia de Stephen King e Richard Bachman, o seu pseudônimo, representando que nem todos estão isentos dessa necessidade, seja criando personagens públicos ou não.

A capa do livro, feita por Alceu Chiesorin Nunes, realmente combina com a obra, deixando inclusive algumas pistas sobre o enredo. A tradução foi feita por Regiane Winarski realmente capta a essência de todas as expressões. Por outro lado, a diagramação é um pouco pequena, mas por estar bem posicionada na folha não chega a ser incômoda.

A Metade Sombria traz a reflexão para dentro de cada um, e faz o leitor se questionar qual seria a sua própria metade sombria, aquela que apesar de rejeitar, é difícil não gostar, ao menos um pouco. O livro é realmente fantástico e com um final ainda mais surpreendente que todo o enredo, te faz apaixonar pela perfeita escrita do autor. Um ótimo livro para dias chuvosos, não recomendado para pessoas de estômago fraco.

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