Postado por: Amanda Barros

Título: Desventuras em Série – A Sala dos Répteis
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Gênero: Fantasia, Infantojuvenil
Número de páginas: 184
Onde Adquirir: AMAZON
SKOOB
Sinopse: Os Baudelaire têm mesmo uma incrível má sorte, mas pode-se afirmar que a vida deles seria bem mais fácil se não tivessem de enfrentar o tempo todo as armadilhas de seu arquiinimigo: o conde Olaf, um homem revoltante, gosmento e pérfido. Em Mau começo ele deu uma pequena amostra do que é capaz de fazer para infernizar a vida de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire – e aqui as coisas só pioram.

A Sala dos Répteis é o segundo volume da saga Desventuras em Série que acompanha os acontecimentos da vida dos irmãos Baudelaire, três órfãos que sofreram muito nas mãos de seu primeiro tutor, Conde Olaf, um homem horrível que provou ser capaz de coisas horrendas apenas para conseguir embolsar a fortuna dos jovens.

O livro dá continuação à história de Mau Começo, primeira narrativa da série. Nesse enredo, as crianças vão conhecer um novo tutor, o herpetologista apaixonado por répteis chamado Montgomery Montgomery e carinhosamente apelidado pelos irmãos de Tio Monty. O homem se mostra excêntrico, mas muito caloroso e dá aos Baudelaire a esperança de um lar com tranquilidade e paz.

Lemony Snicket leva o leitor, nessa narrativa, a um novo cenário, uma casa excêntrica tal qual seu dono onde as crianças Baudelaire pretendem ficar com seu novo tutor, Tio Monty, entretanto, como no primeiro livro, o autor avisa quem está lendo a todo momento que algo terrível está prestes a acontecer e que é melhor não esperar uma história com final feliz, pois esse não é o caso.

Uma das coisas mais difíceis da vida é pensar nos arrependimentos.

A utilização dessa espécie de humor ácido, além das várias explicações sobre os significados das palavras em determinados contextos, cria com o leitor uma aproximação e assim deixa à vontade para que quem está lendo possa se relacionar de maneira mais pessoal com a história. Além disso, Lemony Snicket usa o artifício de ser um narrador observador, mas ao mesmo tempo está incluso no enredo, como um investigador a fim de descobrir sobre a vida dos Baudelaire, isso traz uma riqueza narrativa para a história.

Quanto ao desenvolvimento dos personagens, é possível ver que Violet se torna a cada dia mais inteligente e é possível chegar a duvidar que ela tenha apenas 14 anos, isso se deve à maturidade forçada para ela, provavelmente por ser a mais velha dos três e agora se sentir responsável pelos irmãos depois que os pais morreram.

Tudo isso dá espaço para Klaus permanecer também inteligente, porém mais imaturo, além de ser mais novo ainda falta desenvolvimento do personagem, é necessário que ele deixe de depender tanto da irmã. Sunny, a mais nova, permanece um bebê fascinante e inteligente e que, até o momento garante boas gargalhadas em meio ao caos que os três vivem.

Se esse fosse um livro para entreter crianças, vocês sabem o que viria a seguir.

O temido Conde Olaf cresce bastante nessa narrativa, cada cena que o personagem aparece é capaz de roubar o espaço para si. Olaf é o ponto que mostra o porquê esta história não é tão infantil assim, finalmente o vilão mostra a que veio e reforça a ideia de que ele não é apenas um cara mau de história infantil, mas que além de cômico é uma pessoa sem escrúpulos e muito perigosa.

A Editora Seguinte traz uma edição com capa e ilustrações dentro do livro de Brett Helquist, em um design compacto, de acordo com a edição original. A cor base é bege e a da lombada é em cor de vinho, entrando em harmonia com o box completo de 13 livros da saga, onde cada um tem uma cor diferente. Um trabalho de design fofo e que dá a impressão de ser um livro antigo, detalhe que combina totalmente com a ambientação da história.

Com poucas páginas e ainda com ilustrações, Lemony Snicket prova que é capaz de escrever uma ótima história, com humor, mistério e um super vilão, que às vezes é um pouco atrapalhado, mas não menos assustador do que devia ser. A Sala dos Répteis ainda que classificado como infantojuvenil é um livro capaz de cativar até os mais velhos.

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