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Crítica Reality Z | Desencaixados

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Título: Reality Z

Título Original: Reality Z

Ano de lançamento: 2020

Duração: 10 episódios

Diretor: Cláudio Torres

Gênero: Terror/Comédia

Nacionalidade: Brasil

Sinopse: “É noite de eliminação no reality show Olimpo, mais conhecido como a Casa dos Deuses. O programa segue seu ritmo normal, até que os participantes recebem a seguinte notícia: o Rio de Janeiro vive um apocalipse zumbi, as ruas tomadas pelo caos e pelo pânico. O estúdio da emissora se torna então um dos únicos lugares seguros da cidade, e o grupo de confinados vai precisar agir com muito cuidado se quiser sobreviver ao ataque.”

A adaptação da minissérie britânica Dead Set, criada pelo roteirista Charlie Brooker (Black Mirror), é a nova proposta do cineasta brasileiro Cláudio Torres em parceria com a Netflix. A idéia é trazer a trama do apocalipse zumbi para o Brasil, ao mesmo tempo que explora, como plano fundo, um reality show e seus bastidores. Porém, o que parecia ser uma algo interessante, e diferente entre as produções brasileiras, acaba se tornando uma obra sem substância e uma experiencia entediante.

A série se divide, inicialmente, entre duas tramas: a primeira envolvendo Ana Schmidt (Carla Ribas) e seu filho Leo Schmidt (Ravel Andrade) e a segunda, que seria a principal trama, envolvendo Nina (Ana Hartmann), que trabalha nos bastidores do programa, e os participantes do reality Olimpo. Na primeira, há uma certa curiosidade com relação a personagem de Carla Ribas e toda sua relação com a depressão e dúvida do que teria motivado tudo isso, mas quando se trata do segundo núcleo de personagens, a série mostra todas as suas falhas.

Desde o primeiro momento que os personagens envolvidos no reality show aparecem, já fica evidente que os atores se limitaram a performances unidimensionais e sem camadas, como por exemplo a interpretação de Guilherme Weber cujo único objetivo do seu papel é tratar todo mundo mal além de parecer extremamente caricato. No entanto, a principal falha não está na forma como os atores interpretam, mas sim no roteiro escrito por Torres.

Recheado de diálogos artificiais e momentos que se intercalam entre vergonha alheia e sem sentido, o roteiro ainda insiste em desenvolver relações entre personagens que não cativa o público, como o “triangulo amoroso” presente nos primeiros episódios.

Outro ponto específico que colabora nessa lista de falhas é a atmosfera confusa presente no decorrer da série. Existem momentos caóticos, como por exemplo o ataca dos zumbis no primeiro episódio, e momentos que a série esquece o rumo que estava seguindo e distribui cenas de alívio cômico com um humor um tanto questionável, e aqui entra em cena a personagem Jessica (Hanna Romanazzi), a qual passa a maior parte do tempo sendo “bobinha”.

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O texto presente na série é muito expositivo ao tratar certas situações, exemplo disso é o personagem político que só pense em si mesmo, ou então a senhora da elite que sente “nojo” de tudo, ou até mesmo a pessoa que sempre sabe a resposta do que é certo e errado. Tudo entregue sem profundida e da forma mais simples possível, sem que haja uma naturalidade nas situações.

Se por um lado tivemos todos esses pontos negativos, por outro é preciso ressaltar o esforço da produção, que realmente entregou todo sangue necessário aqui. Todo o gore está presente, desde a maquiagem dos zumbis até as paredes sujas de sangue, tudo muito exagerado como deve ser as obras desse gênero.

Há quem diga que Reality Z trata-se de um série trash, e que o intuito não pra ser levado tão a sério, mas a verdade é que mesmo assim a série não cumpre seu objetivo, afinal ela não consegue se decidir se quer ser algo exagerado e sem compromisso ou se quer apresentar uma trama mais desenvolvida e envolvente. Mas uma coisa é certa, a mistura dessas duas propostas pode dar origem a uma obra sem sentido e entediante, e foi isso que aconteceu com Reality Z.

Por Paulo Olin

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