CRÍTICA – Operação Red Sparrow
06 mar

CRÍTICA – Operação Red Sparrow

Filmes

Julia Giarola

Filme: Operação Red Sparrow
Título original: Red Sparrow
Data de lançamento: 01 de março de 2018
Duração: 2h 21min
Direção: Francis Lawrence
Gênero: Suspense, Espionagem
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Outrora talentosa bailarina, Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) encontra-se em maus bocados quando é convencida a se tornar uma Sparrow, ou seja, uma sedutora treinada na melhor escola de espionagem russa. Após passar pelo árduo processo de aprendizagem, ela se torna a mais talentosa espiã do país e precisa lidar com o agente da CIA Nathaniel Nash (Joel Edgerton). Os dois, no entanto, acabam desenvolvendo uma paixão proibida que ameaça não só suas vidas, mas também as de outras pessoas.

Em 1992, Instinto Selvagem surpreendeu o público e a crítica ao criar um novo gênero de thriller psicológico, esse que envolve a sensualidade. Sharon Stone se tornou uma estrela, mostrando a todos como balancear estes aspectos, sem desviar a sofisticação necessária para lidar com essa nova direção que o longa seguiu. Hoje como um clássico, o filme não deixa pra trás somente uma das cenas mais memoráveis da história do cinema, mas também um legado que muitos ainda não conseguiram carregar. Promovendo Operação Red Sparrow à este nível pode ter sido um erro, já que o filme não ousa em atingir os extremos que o gênero exige, se tornando um filme parado com alguns aspectos de qualidade.

A partir de um início intrigante e sólido, o filme não soube fazer transições entre os atos, já que o primeiro parece durar muito. Levando um longo tempo para realmente começar, Operação Red Sparrow logo perde um pouco de seu ritmo sem decidir qual direção irá tomar. Por um lado o filme deseja ser ousado e chocante, utilizando aspectos mais visuais e gráficos da história como o treinamento de Dominika na escola de espionagem russa; porém, ao decorrer da trama, o filme se recusa a levar a escolha adiante, se recuando de temas e cenas mais delicadas, que poderiam deixar o longa mais sofisticado. Decidindo mostrar e esconder a nudez e a violência, Francis Lawrence deixou de ser seletivo e passou a manipular a sensualidade do próprio enredo, o que não traduziu bem dentro do gênero.

Perdendo, então, o valor do choque que poderia ser explorado com uma classificação indicativa mais elevada, ou estabilização da ousadia, o filme parece criar desculpas para mostrar algo sensual, quando na verdade não cria o ambiente para isso acontecer. Talvez a falta de experiência do diretor com o gênero tenha prejudicado a premissa principal de Operação Red Sparrow, esse que, nas tentativas de se igualar à Instinto Selvagem, desperdiça seus talentos e seu enorme potencial.

Um aspecto estranho em relação ao longa é a ineficácia em estabelecer época – algo importante em thrillers políticos – não conseguindo determinar através de cenários, roupas ou até mesmo tecnologia se os eventos ocorrem atualmente ou não. Obviamente, ao explorar o governo de Putin, Operação Red Sparrow se passa nos dias de hoje, porém, a ênfase em disquetes e tecnologia considerada antiquada prejudicam o contexto da história. Isso acontece também nos cenários, na fotografia e no figurino que, apesar de serem bonitos, não informam esse tipo de coisa.

Por ser um filme de espionagem, é natural vermos uma história com várias reviravoltas, já que confiança é um dos temas principais. Apesar de uma direção interessante onde não sabemos as intenções da própria protagonista, a escolha é muito delicada, pois não lidada bem, pode manter a audiência de fora, sem envolvê-la emocionalmente na trama, algo essencial em todo thriller. Operação Red Sparrow faz isso bem até certo ponto, quando deixa de ser interessante e passa a ser confuso e cansativo. O enredo não prende muito a atenção e por isso deixa os expectadores em uma motivação passiva em relação aos personagens.

O ponto alto do filme realmente é o elenco, já que o pouco de complexidade que a protagonista parece ter, vem da interpretação de Jennifer Lawrence, que faz o máximo com o material que tem. Deixando de lado o sotaque instável da atriz, Dominika é a parte mais interessante de Operação Red Sparrow. A atuação de Lawrence ajudou a trazer uma sofisticação e potência que o roteiro adaptado parece não ter. Seu relacionamento com o personagem de Joel Edgerton tem só um lado, já que o ator está sem sal e sem vida no filme. Mary-Louise Parker aparece para dar uma vida à história, roubando as cenas que compartilham com o resto dos atores, estes que realmente foram desperdiçados em um filme sem foco, mas que tinha grande potencial.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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