CRÍTICA – Midsommar – O Mal Não Espera a Noite
21 jul

CRÍTICA – Midsommar – O Mal Não Espera a Noite

Filmes, Notícias

Julia Giarola

Título: Midsommar – O Mal Não Espera a Noite
Título original: Midsommar
Data de lançamento: 19 de Setembro de 2019
Duração: 1h 58min
Direção: Ari Aster
Gênero: Terror
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Um casal (Florence Pugh e Jack Reynor) viaja para a Suécia, para visitar o vilarejo de um amigo (Will Poulter), onde realizam um pequeno festival tradicional de verão. O que começa como um recreamento idílico, logo se torna uma violenta e bizarra competição controlada por um culto pagão.

Após sucesso e controvérsia de Hereditário (2018), Ari Aster volta a investir em seu estilo pessoal apresentando sua mais recente obra, Midsommar – O Mal Não Espera a Noite. Se beneficiando das reações fortes – tanto positivas quanto negativas – de seu primeiro filme, o diretor volta a produzir um terror com teor dramático que choca visualmente, mas, infelizmente não executa sua trama ao alto nível da execução técnica e artística do longa.

Já na cena de abertura, Ari Aster convida a audiência a grudar os olhos na tela. Apostando no suspense visual e excelente construção de relacionamentos em apenas alguns minutos de filme, o diretor introduz o elemento do choque como o percursor da trama. A partir daí, tudo pode acontecer, elevando o suspense e agonia antes mesmo dos créditos iniciais.

Seguindo as consequências do chocante acontecimento, Midsommar – O Mal Não Espera a Noite se arrasta, aprofundando personagens e, o que promete ser, um filme surpreendente. Ari Aster, porém, decidiu seguir outro caminho, apoiando principalmente no choque visual, em vez de utilizar reviravoltas na história em se. Se desenvolvendo naturalmente em enredos já contados – tal como o clássico dos anos 70, O Homem de Palha -, fãs de terror desenham as possibilidades previsíveis durante a trama, esperando algo surpreendente que possa pegá-los de surpresa. Isso, porém, não acontece, fazendo do longa a execução perfeita de uma história já contada.

Aprimorando ainda mais seus enquadramentos sofisticados, edição transcendente e fotografia pastel, Ari Aster se prova um dos artistas mais prominentes do gênero atual. Juntamente à Jordan Peele, seus filmes, até então, vem se provando imperdíveis, tanto para os amantes do terror, como também admiradores do cinema. Mas, assim como Peele – em seu mais recente lançamento Nós -, Aster se distraia da trama linear que, apesar de ser completa, não satisfaz o público que se contorce com agonia durante as duas horas e meia de filme.

Contando com a atuação brilhante de Florence Pugh, Midsommar – O Mal Não Espera a Noite eleva seu enredo fraco ao contar com a exploração do simbolismo característico de Aster. Expandindo o tema de perda, o longa pode ser visto também como um término de relacionamento, este sendo um dos aspectos mais interessantes do filme. O namoro entre Danny (Florence Pugh) e Christian (Jack Reynor) é bem construído, fugindo do extremo relacionamento tóxico tipicamente explorado em outros filmes. Ao em vez disso, Aster procura algo mais sutil, que com certeza funciona no aspecto dramático da trama.

Contudo, este simbolismo parece raso ao se sobrepor em uma trama tão simples. A falta de conexão e/ou finalização de sub-tramas paralelas parecem, ao final de tudo, uma oportunidade perdida, deixando a audiência sem a sensação de realização após as horas de tensão e agonia.

Em muitos aspectos, Midsommar – O Mal Não Espera a Noite é um filme essencial, historicamente representando o gênero da atual década, assim como transcende a execução magistral dos elementos técnicos. Visualmente, este é um filme perfeito, acompanhando performances incríveis e os passos iniciais de um grande diretor em criação. Quando se trata dos elementos da narrativa, porém, o filme fica a desejar, trazendo de volta o mito do culto que já não nos surpreende mais.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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