CRÍTICA — Juanita
08 mar

CRÍTICA — Juanita

Filmes, Notícias

Victor Tadeu

Título: Juanita
Título original: Juanita
Data de lançamento: 08 de março de 2019 (Netflix)
Duração: 1h 30min
Direção: Clark Johnson
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Cada dia mais desgastada por problemas na vida pessoal e no âmbito amoroso, uma mãe de três filhos já adultos procura sair da rotina de caos urbano que impera no local onde vive. Cansada e determinada a mudar, Juanita (Alfre Woodard) faz uma longa viagem de ônibus até Montana na intenção de se reinventar.

Adaptações de livros em filmes e séries está sendo uma aposta muito grande da Netflix, há meses que a plataforma de streaming demonstra investimento pesado em títulos incríveis para serem adaptados em seu catálogo, como Nerve, 13 Reasons Why, A Maldição da Residência Hill, Para Todos os Garotos que já Amei, Bird Box, Dumplin’ e entre outros. Porém, recentemente a empresa lançou Juanita, outra adaptação em filme de um livro incrível.

Trabalhando em um hospital, Juanita se encontra cada vez mais desgastada da vida que leva, principalmente por cuidar dos seus três filhos adultos e uma neta sozinha. Ela sabe que precisa fazer uma mudança, não aguento mais viver para os outros, por isso, decide fazer uma viagem que pode mudar a sua vida completamente.

Juanita é a adaptação de um livro do mesmo título, ela foi dirigida por Clark Johnson (Sentinela) e está sendo distribuída originalmente pela Netflix especialmente no Dia Internacional das Mulheres. Estrelada por Alfre Woodard, o longa-metragem contém uma história incrível de acompanhar, levantando diversas questões maternal e social, nos apresentando uma mensagem incrível.

Apesar do drama presente no filme, Juanita não é somente sobre a história de uma pessoa procurando novos ares, muito pelo contrário. Durante as cenas acompanhamos a vida de uma mulher representando diversas outras, demonstrando como carregar toda a família nas costas é cansativo, onde ela necessita tirar um tempo para si e preocupar menos com os outros.

Além dessa representação, o diretor utiliza os filhos da protagonista para levantar algumas questões, principalmente dos adultos que sugam o máximo que podem de seus pais. Na trama visualizamos nitidamente três maiores de idade afundando na vida, sem total responsabilidade e dependendo da mãe para qualquer coisa. Isso acaba deixando outra mensagem para o público, principalmente para as mães solteiras; felizmente e/ou infelizmente, demonstrando a realidade de muitas famílias.

Alfre Woodar vivendo Juanita é um dos destaques de toda a história, apesar dela ser a protagonista, consegue se destacar pelo seu empenho e representatividade no longa. Ela é uma mulher negra e de personalidade forte, demonstrando ser bastante experiente naquilo que se dedica fazer, consequentemente não aceitando pouca coisa. Além da personalidade, a mulher utiliza alguns diálogos para levantar a realidade da população negra diante do preconceito presente em diversos locais, principalmente no setor de segurança pública, que acaba retirando várias oportunidades de jovens negros.

Durante as cenas acompanhamos Juanita vivendo em um novo ambiente com cultura e pessoas totalmente diferentes, é nesse momento que ela acaba se encontrando. Por outro lado, também acompanhamos o sofrimento da mulher ao se afastar dos filhos repletos de problemas e ausentes de responsabilidades, e mesmo tentando se desconectar deles, o amor materno permanece no coração da solteira e isso é muito lindo de acompanhar durante o filme.

Clark Johnson realizou um trabalho agradável com a adaptação, de forma leve e sutil acompanhamos uma história encantadora e gentilmente engraçada. Apesar de haver pequenas falhas de produção, o diretor conseguiu recompensá-las com o enredo inclusivo e no drama presente em Juanita, chegando tocar no coração dos mais sensíveis.

Com uma fotografia mediana e um roteiro repleto de altos e baixos, a produção do longa-metragem consegue se sustentar. Mesmo com poucas novidades, a história consegue ter seus destaques e singularidades, principalmente por representar diversas mães solteiras e sem ajuda de qualquer homem para lidar com seus problemas.

Juanita é um filme que encanta o expectador aos poucos, com uma mensagem repleta de aprendizados e realidade, o diretor Clark Johnson conseguiu desenvolver mais uma adaptação dramática bastante funcional para a Netflix.

Nossa nota é:

Assista ao trailer;

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