Postado por: Amanda Barros

Título: Coringa
Título original: Joker
Data de lançamento: 03 de outubro de 2019
Duração: 2h 2min
Direção: Todd Phillips
Gênero: Drama / Suspense
Nacionalidade: Estados Unidos

Sinopse: Em Coringa, Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.

É fato que o apelo dos filmes de super-heróis, originários das gigantes dos quadrinhos Marvel e DC, é imenso, principalmente entre 2018 e 2019, entretanto a DC não obteve tanto sucesso em suas produções como a concorrente. Mesmo assim, a Warner decidiu investir na ideia do diretor Todd Phillips de fazer um filme de estudo de personagem, e assim nasceu o aclamado Coringa, em 2019.

O filme conta a história de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um comediante fracassado que tenta manter seu trabalho e cuidar de sua mãe em uma sociedade, ambientada em uma Gotham bem menos glamourosa, e em meio disso ainda cuida de sua própria saúde mental com sessões de terapia regulares, onde consegue as receitas necessárias para comprar seus remédios. Além disso, Arthur tem de conviver com uma risada patológica que sempre aparece quando ele sente medo ou nervosismo e dificulta sua convivência com outras pessoas.

À primeira vista o roteiro pode parecer confuso, pois ele trata o espectador como alguém que supostamente já conhece Arthur e sua vida melancólica, entretanto, a narrativa passa a envolver quem está assistindo e percebe-se que essa introdução aparentemente abrupta é apenas um recurso utilizado por quem conta a história. Além disso, os sentimentos de Fleck são o que guia a narrativa, da melancolia inicial ao ápice do longa.

Joaquin Phoenix já era conhecido por grandes transformações físicas, mas ainda sim o Coringa é um personagem de difícil construção, principalmente na proposta de Phillips que consistia em mostrar o palhaço mais humanizado em uma história de origem de um personagem com legado de tantos anos, mesmo assim, Phoenix fez um trabalho transcendental não somente pelos quilos que perdeu, mas por se tornar difícil até mesmo identificar o ator, como se ele tivesse sido consumido pela identidade de Arthur Fleck.

Vale a pena também citar Robert De Niro mesmo que com um personagem coadjuvante dando seu toque especial à história, além de sua presença ser uma referência e tanto, visto que, algumas das maiores inspirações para o longa foram Taxi Driver e O Rei da Comédia, estrelados por ele. Sua atuação tem momentos específicos e muito importantes para o desenvolvimento da trama e brilha no auge do longa.

Outro fator importantíssimo foi a fotografia que ajuda a transmitir os sentimentos de Arthur, começando sempre com tons frios para demonstrar a melancolia e tristeza do personagem até ele chegar em seu clímax, com tons mais quentes. O filme também conta com uma trilha sonora pensada de maneira perfeita para o personagem, que inclusive foi vencedora do Globo de Ouro 2020, destaque para a cena em que Fleck dança no banheiro e todo o momento parece uma obra-prima.




Toda essa construção foi necessária para criar uma narrativa crítica sobre como as pessoas tratam umas às outras; sobre como uma sociedade pode enxergar salvação nos piores lugares e da maneira mais violenta possível; e sobre a responsabilidade dos governantes nessas situações. Coringa é um personagem de quadrinhos que nas mãos de Phoenix e Phillips se tornou uma alegoria à sociedade patológica em que vivemos e à pouca importância que damos à saúde mental.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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