Postado por: Amanda Barros

Título: Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa
Título original: Birds of Prey (and the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn)
Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2020
Duração: 1h 49min
Direção: Cathy Yan
Gênero: Ação, Super-Herói
Nacionalidade: Estados Unidos
Sinopse: Em Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, Arlequina (Margot Robbie), Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), Cassandra Cain (Ella Jay Basco) e a policial Renée Montoya (Rosie Perez) formam um grupo inusitado de heroínas. Quando um perigoso criminoso começa a causar destruição em Gotham, as cinco mulheres precisam se unir para defender a cidade.

Depois do fracasso de Esquadrão Suicida, a DC resolveu investir novamente na história de um dos vilões do grupo, nesse caso a vilã, Arlequina (Margot Robbie), que nessa abordagem é mais uma anti-heroína do que vilã propriamente dita e muito carismática.

Em sua primeira aventura solo, Arlequina se vê sendo a sombra de seu ex-namorado, Coringa (Jared Leto?) e cansada dessa situação, ela resolve deixar claro para todos que eles não estão mais juntos e que agora ela é independente, porém essa emancipação vai custar mais caro do que ela imagina porque junto com o relacionamento se vai também a proteção que ele lhe dava.

Aves de Rapina vem em um estilo bem diferente do que foi utilizado em Esquadrão Suicida, desde o figurino ao desenvolvimento dos personagens envolvidos, certamente a visão de uma mulher na direção, nesse caso Cathy Yan, deu um toque distinto, afinal é uma história em que as protagonistas são mulheres. A atenção aos detalhes é um dos pontos mais interessantes do filme.

As personagens têm uma química muito boa juntas em cena, principalmente entre Arlequina  e Cassandra Cain (Ella Jay Basco) que estabelecem uma forte relação em meio à caçada de um diamante que é o objeto de desejo do vilão Máscara Negra (Ewan McGregor). A menor de idade é uma ladra muito sorrateira e dá muito trabalho para qualquer um que decidir levá-la como refém.

Margot Robbie entrega uma Arlequina leve, divertida e com muita personalidade, é visível que a atriz teve muito mais liberdade para adicionar identidade ao papel, além de explorar outros aspectos dela além da suposta loucura e beleza, como a inteligência por exemplo. A protagonista faz diversas análises de cunho psicológico durante a trama e conta a história de uma maneira própria. Ainda que esse jeito de narrar os acontecimentos possa parecer confuso funciona no roteiro e dá uma dinamicidade autêntica ao enredo.




Ewan McGregor traz um vilão louco e imprevisível, o cruel Máscara Negra, um homem mal que gosta de arrancar o rosto daqueles que não fazem suas vontades. A atuação e McGregor é incrivelmente boa e qualquer cena em que Roman Sionis está, ele toma para si. Além disso, o personagem é mais complexo do que aparenta ser.

O roteiro incluiu outros aspectos dos personagens, mas um dos maiores destaques é a retratação da sexualidade deles, como Renee Montoya (Rosie Perez) ter uma ex namorada, a relação entre Roman Sionis (Ewan McGregor) e Victor Zsasz (Chris Messina) claramente não ser apenas profissional, mas se trata de um casal problemático e doentio e até mesmo Arlequina que dentre sua lista de ex’s no início do filme é possível ver a referência ao relacionamento dela com a Hera Venenosa. O assunto é tratado com muita naturalidade na história.

Um detalhe incrível é a trilha sonora, composta somente de mulheres, com músicas perfeitas para cada situação e é impossível sair da experiência ileso e não se ver pesquisando sobre as artistas depois. O esquema de cores utilizado também desde a maquiagem da protagonista até às cenas de ação, sempre remetendo ao rosa e azul, clássicos da personagem, além de um figurino, mesmo que sensual, mas não sexualizado.

Aves de Rapina tem diversas cenas de ação incríveis e satisfatórias, com exceção da sequência na casa dos horrores com uma luta mal coreografada que é possível enxergar os figurantes esperando sua hora de apanhar, mesmo que essa sequência seja muito infantilizada, a cena de luta com água, por exemplo mostra a importância de uma direção que se importa em colocar as personagens em destaque por suas personalidades e não pela conotação sexual que elas podem passar. Com roteiro divertido, boa trilha sonora e ótimas atuações, o filme cala os que o chamaram de apenas uma tentativa de lacração e mostra finalmente mulheres em ação como merecem.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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