Siga nossas redes sociais

Crítica

CRÍTICA: A Mulher na Janela

Uma homenagem Hitchcockiana em um filme fraco

Publicado

em

A Mulher na Janela Netflix Filme

Depois de ter adquirido os direitos pela distribuição do longa A Mulher na Janela, inicialmente pensado para chegar aos cinemas, a Netflix lança hoje (14/05) o filme do diretor Joe Wright (O Destino de uma Nação) baseado no livro homônimo de grande sucesso no Estados Unidos. A obra ainda conta com um grande elenco, com Amy Adams (A Chegada, Trapaça) no papel principal e coadjuvantes como Gary Oldman (Vice, Mank) e Julianne Moore (Para Sempre Alice, Filhos da Esperança).

Ao que parece, quando o livro de A. J. Finn – obra que serviu de base para esse filme – foi ovacionado pela crítica no seu lançamento e caracterizado como uma história digna de um filme hitchcockiano, o cineasta Joe Wright entendeu que era o momento perfeito de mostrar o seu amor pelo mestre do cinema com essa adaptação. O problema é que não passa disso. O diretor pode até perceber o grande potencial da premissa, dos temas tratados e do mistério da trama, mas não sabe escolher um caminho para conduzir o filme.

De um lado, temos a clássica história de um assassinato misterioso que se deixa conduzir para achar o verdadeiro culpado do crime, por meio de pistas que querem envolver o público também; do outro, a história de uma protagonista que sofre de ansiedade e depressão, e precisa lidar com seus traumas. As duas tramas não funcionam tão bem, menos ainda quando são intercaladas em uma hora e quarenta minutos de filme. A direção e o roteiro até tentam proporcionar um tempo para o público entender a personagem e o cenário que ela se encontra logo no primeiro ato. Porém, o diretor perde o controle da narrativa para mostrar suas composições de cenas inspiradas em Alfred Hitchcock. As cenas funcionariam, se acompanhasse o mesmo ritmo da história.

Filme A Mulher na Janela Netflix

Imagem: Netflix/A Mulher na Janela

Enquanto a direção procura a todo momento os apelos visuais e técnicas de câmera que chegam a se transformar em um exibicionismo barato, a história não desenvolve qualquer subtexto que almeja. O mistério do filme e o seu desenrolar estão aqui, e muito provavelmente acarretarão certos impactos no público (mais especificamente quem ainda não conferiu a obra original), porém, os diálogos expositivos e exagerados, e a dinâmica de montagem das cenas causam a sensação de uma história apressada a partir de um determinado ponto.

Quem sofre com essas decisões também são os atores, praticamente todos subaproveitados aqui. Amy Adams ainda consegue convencer que sua protagonista é alguém que precisa de ajuda e não está nada bem psicologicamente e faz o possível no papel, mérito somente da atriz. Contudo, Gary Oldman, Julianne Moore e Wyatt Russell não possuem muito material além de aparecer em momentos específicos como uma peça de tabuleiro só para fazer o espectador olhar “desconfiado”.

Ainda que a narrativa não seja tratada da maneira mais eficiente, os recursos da internet e dos celulares parecem funcionar de uma forma orgânica e bem encaixada no longa. Esses recursos aparecem poucas vezes, mas é o suficiente para ajudar a trama na medida do possível e ainda abre espaço para uma interessante subversão que com certeza vai causar um curioso efeito no público.

Filme A Mulher na Janela

Imagem: Netflix/A Mulher na Janela

A Mulher na Janela fica longe de ser um péssimo filme, mas também se tornou um experiência esquecível e decepcionante, levando em consideração a sua fonte principal. Uma história que não entrega nada além da pergunta “quem fez isso?” e sua resposta, e uma composição de cenas bem estudadas, mesmo que já tenha sido inovadora a mais de 60 anos atrás por grandes cineastas. Se você não se interessou por essa homenagem do diretor, não tem por que assistir.

Assista ao trailer:


pôster a mulher na janelaTítulo: A Mulher na Janela
Título original: The Women in the Window
Ano de lançamento: 2021
Direção: Joe Wright
Gênero: Suspense/Drama
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Em A Mulher na Janela, Anna Fox (Amy Adams) é uma alcoólatra reclusa que passa os dias em seu apartamento em Nova York, assistindo a filmes antigos e observando seus vizinhos. Quando a família Russell se muda para o prédio da frente, ela passa a espionar o que seria a família perfeita, até testemunhar uma cena chocante que muda sua vida.

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copyright © 2020 Desencaixados. Todos os direitos reservados.