Postado por: Victor Tadeu

A história de Hannah Baker já emocionou inúmeras pessoas, infelizmente as maneiras rudes que foi tratada pelos colegas de escola desenvolveram grandes problemas na vida da menina, mas não só na dela, como também na de todos que se envolveram com ela, já que antes de cometer suicídio gravou fitas relatando tudo que a levou tomar aquela decisão.

Felizmente essa é uma história ficcional que trouxe grandes lições para quem já conheceu, para quem não sabe, 13 Reasons Why é uma adaptação em série do livro escrito por Jay Asher, cujo título publicado em território brasileiro é Os 13 Porquês. Na primeira temporada da série exibida pela Netflix, acompanhamos os relatos da menina já morta, porém não é exatamente essa mesma narrativa que inspirou o autor.

Hoje estamos iniciando uma coluna no Desencaixados, na qual apresentaremos a origem da história de determinado filme, livro ou série. Começando com 13 Reasons Why, transitaremos entre o livro e a série, mas com grande foco na obra literária, já que é uma adaptação e o próprio autor revelou, após muito tempo, a verdadeira história.

Por ser uma ficção que engloba suicídio, é mais do que obvio que o autor não mencionaria o nome da pessoa que inspirou a história. Porém, em 2017 ele revelou que uma pessoa da sua família também tentou tirar a vida, esse indivíduo tinha a mesma idade que Hannah Baker e isso despertou o interesse de Jay Asher em escrever histórias que não fossem de comédia.

A ideia de escrever o livro surgiu após 9 anos do ocorrido, quando ele já tinha um roteiro mais estabilizado e desejava transitar entre os pensamentos do suicida e daqueles que ficaram na terra sentindo a dor de perder uma pessoa querida.

Como todos sabem, Hannah comete suicídio e não uma tentativa, infelizmente ela realmente morre apesar de ter diversas aparições. Só que, antes de lançar o livro, Jay Asher informou que a personagem sobreviveria, na antiga versão ela tentava se matar engolindo pílulas, mas acaba sendo salva quando seus pais chegam e levam ela para o hospital.

“Eu gostava da ideia de ‘nós aprendemos algo com isso e aqui está uma segunda chance’. Mas sabemos também que seria difícil ter que lidar com os jovens quando Hannah voltasse para a escola. Não é como se tudo estivesse bem agora. Na verdade, poderia ser ainda mais tenso para ela. Pelo menos haveria Clay, que seria sincero sobre estar lá por ela.”

Contudo, ele notou que poderia errar na mensagem, acreditando que os leitores romantizariam uma história que merecia assustar, chocar e transmitir dor para que despertasse o interesse em se preocupar com o próximo.

Também em entrevista, o escritor afirmou que não utilizou características de sua família nos personagens da obra fictícia, justamente por uma questão de ética. Porém, espelhou em si mesmo para construir Clay Jensen, e caso ousasse escrever um livro sobre um adolescente que cometeu suicídio, não conseguiria passar a mesma mensagem, caso não tivesse sentido a dor de quase ter perdido o parente.

Concluindo, Hannah Baker reflete em um adolescente da família de Jay que também tentou tirar a vida, Clay é uma alusão da personalidade do próprio autor e os outros personagens é uma inspiração da sociedade em si, não apresentando uma pessoa específica, mas o geral.

É válido ressaltar que Os 13 Porquês é lançado no Brasil pela Editora Ática, o livro é bastante elogiado entre os leitores e após a adaptação em série tomou maiores proporções, inclusive sua primeira temporada foi alvo de críticas positivas e construtivas, já as outras duas temporadas receberam respostas rudes.

Deixa nos comentários uma sugestão de qual história podemos trazer na próxima coluna.

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