O fracasso de Divergente nos cinemas
14 mar

O fracasso de Divergente nos cinemas

Coluna, Notícias

Victor Tadeu

Divergente é uma trilogia de livros escritos por Veronica Roth, uma norte-americana que teve bastante sucesso dentro do mercado editorial, mas falhou miseravelmente com as especulações de Hollywood em relação as adaptações dos títulos. Nele acompanhamos a história de uma Chicago no futuro onde as pessoas vivem em facções (ou sem facções) de acordo com suas virtudes, mas caso você for apto em mais de duas, é considerado uma ameaça para o governo, recebendo o nome de Divergente.

Beatrice Prior tem dezesseis anos e deve realizar o teste para determinar o seu futuro, imediatamente ela é detectada como um Divergente, condição que custará a sua vida. Mesmo trazendo perigosos a sociedade, ela é salva pela mentora do seu teste, sendo um alvo fatal para o sistema da comunidade.

Reunindo diversos elementos incríveis, a série Divergente tinha de tudo para ser mais uma trilogia YA futurista com críticas espetaculares, principalmente para os cinemas, onde é concentrado o maior número de pessoas para conhecer histórias como essa. Só que, na tentativa de Hollywood levar mais títulos literários para as telonas envolvendo aspectos já conhecidos em outras adaptações, como Harry PotterJogos Vorazes, Crepúsculo e entre outros, acabou corrompendo toda a história.

Começamos pelo incrível elenco presente nas adaptações Shailene Woodley (Beatrice Prior), Theo James (Quatro), Kate Winslet (Jeanine Matthews), Zoë Kravitz (Christina) e vários outros tão capacitados como esses citados. Mesmo nem todos aparentando com os personagens, acredito que a cotação tenha sido incrível, onde eles conseguiram transmitir expressões fácies, personalidades intensas e sentimentos provocativos aos expectadores.

O fato de acompanharmos Shailene Woodley como irmã de Ansel Elgort (Caleb Prior), é fascinante e, ao mesmo tempo, curioso principalmente pelo fato de no mesmo ano, alguns meses depois, os mesmos atuaram na adaptação de A Culpa é das Estrelas (John Green) como um casal apaixonado. Esse é só um detalhe para reforçar que Divergente poderia ser mais uma franquia de sucesso, mas infelizmente não foi.

O primeiro filme foi aceito pelo publico, poucas pessoas saberiam o que encontrariam durante as cenas, e mesmo havendo partes que não tinham no livro ou foram adaptadas de forma cruelmente erradas, aceitamos. É fato que muito compararam o livro do filme, mas isso é comum, em qualquer adaptação os fãs fazem isso, inclusive fizeram de forma drástica com Percy Jackson e os Olimpianos, outra adaptação totalmente infiel aos livros.

Escritor Rick Riordan afirma que avisou aos produtores que o roteiro de Percy Jackson era fraco.

De início a bilheteria foi de 288,9 milhões USD, um número que subiu insignificantemente em Insurgente, a continuação da franquia, a mesma que afastou diversos fãs dos cinemas por medo do que encontrariam nos próximos longas-metragens.

Insurgente é um dos livros mais incríveis da série literária, também sendo o preferido de muitos leitores. Com expectativas altas, principalmente pelo marketing e hype feito pela Hollywood, foi motivo de ódio e decepção. O diretor Neil Burger (Amigos Para Sempre) parece ter esquecido de toda essência da história, apostando em um cenário ainda mais futurista que o enredo nos apresenta, indo além do permitido e falhando assustadamente.

Não contente em errar em elementos necessários para a história, o foco do romance entre Breatrice Prior — conhecida como Tris — e seu tutor de facção Quatro acaba sendo um erro não tão crucial e responsável pelo cansaço do público em acompanhar os filmes. Isso acontece porquê recentemente diversas franquias envolvendo casais “impossíveis” estavam sendo lançadas, sem dar fôlego para os expectadores descansarem. O romance é necessário, faz parte do enredo, mas o foco neles é tão grande que infelizmente invisibilizou outros assuntos importantes em Insurgente.

Essa receita deu muito bem em outras adaptações como Jogos Vorazes e Crepúsculo, mas infelizmente não precisava de tanto foco no filme, justamente por não ser uma novidade para o mercado cinematográfico, deixando o melhor livro da série, como um dos piores filmes, afastando uma parcela significante de futuros leitores das obras escritas por Veronica Roth.

Nesse filme foram arrecadados 297,3 milhões USD em bilheteria.

Convergente é o último título da trilogia e aparentava obter problemas de investimento justamente devido o lucro das bilheterias anteriores. Porém, os produtores foram confiantes, eles decidiram dividir o filme em duas partes, outro mecanismo extremamente conhecido, cansativo e oportuno do mercado cinematográfico. A ideia era recompensar as bilheterias, mas acabaram errando novamente, pois arrecadaram somente 179,2 milhões USD na primeira parte, quase não cobrindo o orçamento de 110 milhões USD.

Todo o elenco estava decepcionado com os rumos que a franquia tomava, Convergente era para ser os filmes de maiores bilheterias, simplesmente pelos caminhos que o livro traçam — meio sem nexo, porém triste e instigante. — O susto foi grande para todos, imediatamente foi levantado hipótese de finalizar a história com uma série de TV, mas todo mundo do elenco descartou a possibilidade, somente Shailene Woodley queria dar um fim para Tris, mas não como série.

A trilogia Divergente tinha de tudo para ser mais um sucesso das livrarias e telonas, mas acabou obtendo resultados significantes, porém de forma negativa, consequentemente tornando exemplo para diversos outros diretores, produtores e autores para não venderem seus títulos de qualquer forma. O fracasso de alguns foi exemplo para outros, é notável como a ausência de adaptações do gênero sumiram dos cinemas, esse é o momento de respirarmos para o futuro retorno desses enredos, o momento que a trilogia Divergente não soube reconhecer e respeitar para não obter o fracasso.

No Brasil os livros foram publicados pela Editora Rocco, a mesma é responsável pela distribuição de Crave a Marca, também escrito por Veronica Roth. A série literária Harry Potter também é lançada em território nacional pela mesma casa editorial.

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