Monster: O filme sobre a primeira Serial Killer dos EUA
09 maio

Monster: O filme sobre a primeira Serial Killer dos EUA

Coluna, Serial Killers

Julia Giarola

Filme: Monster – Desejo Assassino
Título original: Monster
Data de lançamento: 18 de junho de 2004
Duração: 1h 51min
Direção: Patty Jenkins
Gênero: Drama, Biografia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Vítima de abusos durante a infância, Aileen Wuornos (Charlize Theron) tornou-se prostituta ainda na adolescência. Ela está prestes a acabar com a própria vida quando conhece Selby (Christina Ricci), uma jovem lésbica com quem acaba se envolvendo. Certa noite, depois de ser agredida por um cliente, Aileen acaba matando o sujeito. O incidente desencadeia uma série de outros assassinatos, que faz com que ela fique conhecida como sendo a primeira serial killer dos Estados Unidos.

Em 2003 foi produzido o filme Monster, estrelado por Christina Ricci, uma irreconhecível Charlize Theron e dirigido por Patty Jenkins (hoje famosa por dirigir Mulher-Maravilha). Baseado na vida de Aileen Wuornos e os fatos que levaram sua decaída para como ficou conhecida como a primeira serial killer (aprenda Como identificar um Serial Killer) dos EUA, o longa atraiu bastante atenção não apenas pela interpretação transformativa de Theron, mas também devido à temática, sendo abordada logo após a execução de Wuornos em 2002.

Seguindo a vida difícil de Aileen e seu então romance com Selby, Monster procurou entender um pouco da origem da personagem além de adicionar algumas motivações especulativas em seus crimes. Isso porém gerou muito controvérsia, principalmente vinda das famílias das vítimas que, após assistirem ao filme, questionaram se era correto representá-la de maneira cativante. Isso tudo levanta uma questão interessante: é correto simpatizar com serial killers?

Essa pode ser uma pergunta simples, mas não tem nada simples sobre a resposta. Durante o filme, nos encontramos seguindo e até mesmo torcendo – em alguns momentos – por uma protagonista que no espaço de um ano matou sete homens. A perspectiva e a manipulação bem feita de emoções é um crédito da incrível direção de Jenkins que estava seguindo os relatos de suas fontes. O desenvolvimento da personagem de Aileen como uma pessoa complexa pode sim ser vista como uma característica artística, porém seria correto desconsiderar suas motivações e seus precedentes diante ao caso?

Uma dessas questões pode muito bem ser atribuída à uma visão específica que foi vendida à Hollywood; uma visão distorcida do caso real. Simpatizando também com a personagem de Selby – que é apresentada como uma vítima no filme – é importante saber um pouco do que realmente aconteceu durante aquele ano em que os assassinatos ocorreram. Abaixo segue um trecho do livro Serial Killers Anatomia do Mal, da editora Dark Side Books, explicando um pouco sobre a vida de Aileen e os eventos que precederam seus crimes:

“Com frequência chamada erroneamente de “a primeira serial killer dos EUA”, Wuornos teve o tipo de educação que é quase garantida de produzir um criminoso psicopata. Seu pai era pedófilo de longa data que acabou se enforcando depois de ser preso por molestar uma menina de sete anos. Aos seis meses de idade, Aileen foi abandonada pela mãe e deixada aos cuidados dos avós. Seu avô violento e alcoólatra a ameaçava constantemente de morte. Quando Aileen deu à luz um filho ilegítimo depois de ser estuprada, ele a expulsou de casa. Tinha 14 anos. Daí em diante, passou a viver nas ruas, vendendo o corpo por bebidas, drogas, e comida. Aos vinte anos, casou-se com um homem de setenta, união que durou apenas um mês. Dois anos depois, tentou suicídio, atirando na própria barriga. Após se recuperar, roubou uma loja de conveniência e passou pouco mais de um ano presa. Sua raiva contra o mundo – e particularmente contra os homens – atingiu um nível letal no final de 1989, quando matou a tiros um motorista que a apanhara em uma parada de caminhão da Flórida e a levara a um matagal isolado para fazer sexo. Outros seis assassinatos praticamente idênticos c=ocorreram ao longo do ano seguinte. Wuornos acabaria sendo presa em um bar de motoqueiros, e alegou legítima defesa para todos os sete assassinatos. Em seu julgamento, em 1992, sua amante colaborou com a promotoria e testemunhou contra ela. Wuornos foi condenada e sentenciada à morte. Dez anos depois, em outubro de 2002, a sentença foi finalmente aplicada.”

Conhecendo um pouco sobre passado de Aileen é quase inevitável de sentir empatia pela serial killer, porém, assim como foi abordado no filme – como um ato de legítima defesa – ainda fica a questão das vítimas e suas famílias que perdem um pouco do foco, já que agora todos viram sua atenção e simpatia em direção à assassina e sua cúmplice que foram – querendo ou não – diretamente responsáveis pelas mortes.

Enquanto essa questão ainda é deixada em aberto, afim de aprofundar discussões, Monster é sim um filme que merece ser assistido, sendo sobre a perspectiva de uma adaptação baseada em apenas um lado da história, ou sob a visão de como o cinema precisa das motivações, esses motivos por trás do mal, tentando entender as mais horrendas pessoas que, mesmo que não entramos em um acordo, são tão humanas quanto todos nós. Talvez é isso que nos assuste tanto!

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Comentários

  • Irlan Silva

    A atuação de Charlize Theron nesse filme foi fantástica! E esse jogo entre moral e empatia assistindo a história dela foi ótimo para o filme…