Postado por: Paulo Olin Francês

Título: Sergio
Título original: Sergio
Data de Laçamento: 17 de abril de 2020 (Netflix)
Duração: 1h 58min
Direção: Greg Barker
Gênero: Drama, Baseado em fatos reais
Nacionalidade: Estados Unidos
Sinopse: Baseado no livro “O homem que queria salvar o mundo”, de Samantha Power, e produzido pela Netflix, Sergio relata a biografia de Sergio Vieira de Mello (Wagner Moura), diplomata brasileiro das Nações Unidas que morreu em Bagdá, em 2003, durante um bombardeio à sede da ONU local.

Explorar a história de Sergio Vieira de Mello é a nova proposta do cineasta brasileiro Wagner Moura (Tropa de Elite, Narcos) na Netflix, que não se limita ser apenas o produtor do projeto, mas encarna a protagonista do filme também. Contando com a direção de Greg Barker (Sérgio, Caçada) e o roteiro Craig Borten (Os 33), a produção acerta ao entregar um longa que descaracteriza a figura latina para o exterior, mas erra ao exaltar demais o seu personagem principal em detrimento de coadjuvantes e da sua trama política.

O longa conta a história verídica do falecido diplomata brasileiro Sergio de Mello (Wagner Moura) nos seus últimos anos de carreira, passando pela sua vida pessoal até o lado profissional. Recém-colocado no cargo de representante da ONU no Iraque, Sergio sofreu um atentado terrorista no ano de 2003, provocado pelo grupo terrorista que seria chamado de Estado Islâmico futuramente.

Não tem problema quando um filme tenta admirar e ovacionar o próprio protagonista da história em diversos momentos, principalmente quando estamos falando de alguém que realmente existiu e é, até hoje, admirado por muitas pessoas, como é o caso de Sergio. No entanto, desequilibrar a própria trama para tentar sustentar essa admiração é o que prejudica aqui.

Dito isso, para quem estava esperando uma trama focada nos anseios do diplomata pelo território Iraquiano pode se decepcionar um pouco. Aqui, o objetivo é demonstrar as características mais humanas e gentis do protagonista, ao passo que demonstra sua postura de líder com o discurso forte sempre pronto, umas das primeiras cenas dentro do Hotel Canal exemplifica isso.

Portanto, tratar as situações políticas de forma simplória é a escolha mais segura quando se tenta enfatizar o autor e não seus feitos, mas isso pode resultar numa narrativa que perde seu impacto quando o efeito de causa e consequência acontece. Por outro lado, a construção de um protagonista com uma personalidade admirável e com uma sutilidade nos seus gestos é ponto forte do filme, muito por conta de Wagner Moura, que parece realmente admirar o seu personagem ao se entregar complemente no papel, resultando na sua ótima atuação.

Contudo, os coadjuvantes Ana de Armas (Blade Runner 2049, Entre facas e Segredos), Brían F. O’Byrne (Alama em Suplício, Medeas) e Bradley Whitford (Corra!, O segredo da Cabana) não possuem a mesma sorte no roteiro. Os atores se dedicam nos seus papéis, porém são limitados apenas a motivar e construir traços na personalidade do protagonista, e no final não possuem motivações consistentes. A direção de Barker ainda é muito apegada aos documentários feitos por ele, na maior parte do tempo com a câmera na mão, mas ao se juntar com a edição, que mescla cenas reais e fictícias no filme, cria de maneira bem eficiente o teor realista daquele momento.

Sergio é uma bela homenagem dos seus realizadores com o falecido diplomata, respeitando a sua história e, acima de tudo, redesenhando a figura do brasileiro no resto do mundo. O ritmo do longa perde a força em alguns momentos, resultado de uma trama política pouco explorada, mas recupera o folego na química dos personagens, nos seus flashbacks e na sua narrativa não linear.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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