The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada
09 ago

The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada

Séries

Julia Giarola

Série: The Handmaid’s Tale
Título original: The Handmaid’s Tale
Ano de lançamento: 2017
Duração: 10 episódios
Criador: Bruce Miller
Gênero: Drama, Ficção-Científica
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Depois que um atentado terrorista ceifa a vida do Presidente dos Estados Unidos e de grande parte dos outros políticos eleitos, uma facção catolica toma o poder com o intuito declarado de restaurar a paz. O grupo transforma o país na República de Gilead, instaurando um regime totalitário baseado nas leis do antigo testamento, retirando os direitos das minorias e das mulheres em especial. Em meio a isso tudo, Offred é uma “handmaid”, ou seja, uma mulher cujo único fim é procriar para manter os níveis demográficos da população. Na sua terceira atribuição, ela é entregue ao Comandante, um oficial de alto escalão do regime, e a relação sai dos rumos planejados pelo sistema.

Desde o sucesso de Game of Thrones, podemos notar um significante aumento na qualidade técnica das séries de TV. Após conquistar um nível cinematográfico e também uma base forte de fãs, a série da HBO baseada nos livros de George R. R. Martin provaram que boas histórias são melhores contadas quando a atenção é dada também à outros aspectos como direção, fotografia e até mesmo trilha sonora. E é neste novo mundo que surgiu The Handmaid’s Tales, a série original da Hulu que além de uma história fantástica, também apresenta incrível qualidade técnica.

A série de televisão estadunidense foi criada por Bruce Miller e é baseada no romance homônimo de 1985 da escritora canadense Margaret Atwood. Como podemos ver em diversas obras de ficção-científica distópicas, estas tendem a intensificar problemas sociais, sendo a maneira perfeita de fazer as pessoas notarem e prestarem atenção nestes problemas. The Handmaid’s Tales aborda diversas destas situações que hoje temos que lidar mostrando o quão intemporal é a história de Atwood. Assustadoramente similar ao que pode ser as consequências do governo Trump nos EUA, é interessante encaixar a série em um contexto mais amplo como o atual clima político. Discussões recentes como o sexismo e os direitos das mulheres conseguem resignar perfeitamente com o público que está, hoje, tão ligado à tais assuntos. Porém, podemos ver também uma incrível relação ao clima político brasileiro que está tão dependente do povo para encontrar sinais de progresso. A falta de engajamento político da população, assim como suas consequências, são ressaltadas na série.

“Agora eu estou acordada para o mundo. Eu estava dormindo antes. Foi assim que que deixamos isso acontecer. Quando eles destruíram o congresso, nós não acordamos. Quando eles culparam terroristas e suspenderam a constituição, nós também não acordamos.” – Offred

O enredo da série utiliza perfeitamente as noções do feminismo que está sendo tão batalhado nos dias de hoje. A história acompanha Offred que, depois de uma facção católica tomar o poder com o intuito de restaurar a paz, se torna uma “handmaid“, ou seja, uma mulher cujo único fim é procriar para manter os níveis demográficos da população. Devido a trama marcante, a série é sim difícil de assistir por causa de momentos incrivelmente brutais e cruéis. Porém é assim que esta luta contra a própria tirania que é representada na história. Este é o valor do choque.

Conseguimos identificar também as camadas do próprio movimento feminista que é tão polêmico entre extremistas. Ao desenvolver a história e seus personagens, os muitos “tons de cinza” são revelados deixando clara a complexidade do feminismo que representa. Nesta trama, homens não são os inimigos. Estes são a facção conservadora que prega a liberdade exigindo o contrário. Isso é muito importante na discussão que vem sendo criada, trazendo todos para a luta contra a tirania. É sobre parceria, conjunto, não exclusão do sexo masculino.

A complexidade da história, porém, vai ainda mais além. Apresentado rastros do pós-modernismo, podemos aplicar a crítica em nossa própria realidade onde nossa sociedade representa um estilo de vida desatualizado disfarçado sob burocracias impessoais e sem rosto, criando ainda um debate concreto sobre as pessoas, não apenas conservadores, que precisam ultrapassar o primitivo pensamento das práticas tradicionais antigas. Nossa atualidade é colocada em jogo expondo as preocupações que incluem a construção e o uso de armas de destruição em massa e incentivam uma quantidade ilimitada de consumismo, promovendo assim uma sociedade descartável, assim como as mulheres inférteis são representadas na série.

O pós-modernismo representado na série estabelece as reivindicações de liberdade e prosperidade promovidas pela religião e pelo capitalismo como sendo apenas promessas vazias, não atendendo verdadeiramente às necessidades da humanidade, isso que é tão claro durante todos os episódios, onde a imensa concentração na reprodução e procriação distrai a tirania dos direitos humanos das pessoas que são obrigadas a obedecer tais regras religiosas.

Então, entre tantas abordagens sobre liberdade, The Handmaid’s Tales ainda consegue sutilmente envolver temas delicados tais como a homossexualidade e o próprio direito de reprodução. A objetificação da mulher vai além de suas escolhas comportamentais, e ultrapassa os limites emocionais dos personagens. Os próprios nomes das “handmaids” estabelecem um senso de propriedade dos comandantes que servem, como por exemplo nossa protagonista Offred (of – fred), significando “de fred”. Desta maneira, as torturas vão muito além da liberdade física, sendo também incrivelmente emocionais ao ponto de reduzir as mulheres a simples “incubadoras”.

“Posso te contar um segredo? Eu posso fazer o que eu quiser.” – Offred

Quanto aos aspectos técnicos, como mencionados anteriormente, estes são impecáveis. A direção magistral e fotografia maravilhosa ajudam a criar uma poesia visual elevando ainda mais o conteúdo da história. As cores contam uma história e realmente ajudam no tom emocional da hustória. A série utiliza músicas populares para evocar emoções familiares na audiência, transferindo esta do discreto, para o épico. As atuações também são impecáveis, tendo Elizabeth Moss no comando, a atriz que com certeza irá ganhar um Emmy por sua atuação. O elenco coadjuvante também consegue transcender da tela, dando jus ao conteúdo extremamente emocional.

A primeira temporada da série é composta por 10 episódios e estão disponíveis no serviço streaming da Hulu. É tudo perfeito! E se todos esses motivos não forem o suficiente para te convencer a assistir esta série épica, The Handmaid’s Tales já foi renovada para uma segunda temporada, que estreará em 2018. Assistam esta distopia interessante que com certeza vale a pena!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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