RESENHA: Vox
19 dez

RESENHA: Vox

Notícias, Resenhas

Victor Tadeu

Título: Vox
Autora: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Gênero: Distopia
Número de páginas: 320
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Sinopse: Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.

O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS

O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.

Esse é só o começo…

Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.

…mas não é o fim.

Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

 

Há anos existiam militantes nos Estados Unidos afirmavam que alguns políticos estavam interessados em assumir a presidência do país para realizar uma mudança totalmente radical. Infelizmente diversas pessoas, principalmente as minorias, não acreditavam nas probabilidades, mas acabaram convivendo com a verdade de forma nua, crua e totalmente silenciosa.

Dra. Jean McClellan é uma das surpreendidas, tudo aquilo que ela acreditava ser mentira acaba tornando realidade, as mulheres agora são censuradas de forma torturante. Elas podem falar somente cem palavras por dia, contendo um contador de palavras no pulso, chegando a eletrocutá-las caso ultrapassassem a cota estabelecida.

Existem câmeras espalhadas por diversos locais monitorando todos os movimentos das mulheres e da população em si, ninguém pode ir contra o governo, matérias escolares foram alteradas com o intuito de estabelecer um ensino à base de religião e sistema patriarcal. As mulheres não têm posicionamento, elas não podem comunicar através de sinais e cartas, suas identificações foram confiscadas, assim, sendo obrigadas a viver no país.

Dra. Mc Clellan tem uma família composta por quatro homens – marido e três filhos – e Sonia, a filha casula que não tem muito conhecimento sobre o sistema e que já contém o contador de palavras no pulso. Surpreendida novamente pelo governo ela recebe uma proposta muito arriscada e comprometedora, cuja a participação pode reviver sentimentos passados e, além disso, chantagear todo o estado.

“Imagino  que as outras mulheres fazem. Como elas lidam com isso. Será que ainda encontram alguma coisa para curtir? Será que ainda ama os maridos como antes? Será que os odeiam, nem que seja só um pouquinho? (página 29)”

Vox, de Christina Dalcher foi publicado pela Editora Arqueiro em 2018 e promove discursos extremamente importante para diversos país, assim fazendo alusão ao atual governo dos Estados Unidos e também levantando pensamentos viáveis ao presidente do Brasil. Consequentemente a obra é uma leitura muito válida para todas as pessoas, sejam elas pró ou contra os pensamentos políticos desses presidentes.

Mantendo-se na censura perturbadora das mulheres, onde elas podem falar somente cem palavras por dia, o livro consegue seguir uma linha de raciocínio muito angustiante, e ao mesmo tempo, sufocante. Durante a leitura conseguimos sentir as emoções negativas e positivas das personagens, principalmente da protagonista que acompanhamos toda a história sob suas perspectivas.

Levantando pensamentos filosóficos, religiosos e linguístico muito bem trabalhados, Christina Dalcher consegue prender o leitor com toda a metáfora claustrofóbica desenvolvida nesta distopia metaforicamente presente em nossa sociedade. O fato das mulheres terem que fazer escolhas o tempo inteiro, serem controladas de todas as formas e, acima de tudo, serem totalmente submissa aos homens que seguem uma religião e ensinos machistas, deixa qualquer pessoa – independente do gênero – muito sufocado, acertando em cheio nas emoções provocativa aos leitores.

Apesar das mulheres serem o foco de toda a trama, existem outras minorias que o sistema de governo não aceita e também são torturados. Essa foi uma forma da escritora ser inclusiva em sua história, demonstrando que não é somente as mulheres que sofrem censura, mas também diversas outras pessoas, porém essas repressões são feitas e toleradas de formas diferentes, desenvolvendo dores e lutas semelhantes e ao mesmo tempo distantes.

      ” – Querida, sempre há uma resistência. Você não cursou faculdade? (página 161)”

Vox não é um livro de mil maravilhas, infelizmente a autora obteve erros muito comprometedores em toda a história. Esses erros se prologam ao longo da trama, alguma das vezes se ajeitando e outra fortalecendo, como a presença de personagens fracos para como o Patrick – esposo de Jean –, o romance deles é muito cansativo e sem muita significância, pontas soltas são presentes em diversos momentos no livro e muita das vezes Christina Dalcher torna os capítulos confusos aprofundando em pensamentos passados.

Apesar desses erros a autora fez um trabalho muito bom ao demonstrar diversos lados da opressão desenvolvida pelo estado – governo – como os censurados, os pequenos influenciados, as meninas que sofrem sem ter noção do motivo, os militantes que lutam contra as leis do governo, aqueles que são obrigados a servir o estado mesmo discordando de toda a situação e diversos outros. A história também fica mais interessante com essas apresentações, assim se aproximando muito da realidade.

Editora Arqueiro realizou um trabalho excelente distribuindo o título em território nacional, principalmente ao desenvolver uma capa que fala pouco sobre o livro deixando as pessoas instigadas pelo vazio – silêncio – presente na arte. Além disso, todo o trabalho de diagramação e divisão de capítulo estão excelentes, chegando a ser um dos pontos mais fortes para uma leitura com ritmo acelerado e curioso.

Vox, de Christina Dalcher é um livro que promove expectativas extremamente altas, mas não são totalmente atendidas. Dotado de conteúdos incrivelmente importantes e inteligentes, a autora conseguiu manter a sua história, porém obteve problemas sérios em algumas partes da história, assim perdendo muita fidelidade com os leitores.

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