RESENHA: Rainbow
08 ago

RESENHA: Rainbow

Resenhas

Victor Tadeu

Título: Rainbow
Autora: M. S. Fayes
Editora: Editora Pandorga
Gênero: Romance/Ficção
Número de páginas: 288
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Sinopse: Rainbow Walker sempre se sentiu diferente das garotas da sua idade. Com um nome peculiar e uma família estranha, ela nunca conseguiu estabelecer vínculos ou manter muitas amizades. Agora, em uma nova cidade, ela terá que se adaptar a uma nova escola e rotina, ao mesmo tempo em que precisa deixar sua introspecção de lado.
Mas Rainbow não está sozinha nessa jornada, já que uma pessoa inesperada entra em seu caminho, fazendo com que ela precise rever todos os velhos preconceitos em relação aos outros, se obrigando a deixar as pessoas entrarem na sua vida.
Reviravoltas, conflitos familiares e toda espécie de desventuras típicas de uma adolescente no Ensino Médio não podem competir com o que ela menos esperava encontrar: o amor e a autodescoberta.

Rainbow Walker é uma adolescente de 17 anos que costuma passar períodos em várias cidades durante um ano. Isso acontece devido ao estilo de vida dos seus pais, eles são hippies e têm mais dois filhos — Sunshine e Thunder Storm —, sim, o casal optou em nomear os seus queridos com eventos da natureza, assim proporcionando uma vida social um pouco complicada, principalmente para Rainbow.

A garota de 17 anos é totalmente diferente dos seus irmãos, Rain é muto fechada e sempre preferiu não manter contato com muitas pessoas, principalmente os “colegas” de classes, o motivo era muito obvio. Seu nome a limitava em várias ocasiões e o maior problema de todos é que ela era obrigada a estudar em várias escolas durante um ano, isso tudo acontecia porque seus pais não se acomodavam socialmente em qualquer local.

Como de costumem a família acaba está tentando se adaptar em uma nova cidade há 1 mês e os pequenos estão começando os estudos. Na escola Sunshine e Thunder Storm — os gêmeos — conseguem levar uma vida tranquila, eles sempre enturmam com facilidade e fazem amizades em questão de minutos, mas, por outro lado, Rainbow leva uma vida totalmente complicada e solitária, só que isso estava prestas a acabar.

Em um determinado dia, Rain é surpreendida por uma garota que começa a conversar com ela, e não para por aí. Outras pessoas também conversam com a garota do nome “bizarro”, fazendo-a se sentir melhor, mas quem realmente a liberta dessa muralha que a limita de ter um convívio melhor com as pessoas é Thomas, um dos meninos mais desejados da escola e que estava começando a ter sentimentos avulsos pela Rainbow.

Rainbow, de M. S. Fayes é mais um lançamento de sucesso da Editora Pandorga que aborda assuntos interessantes que muitas das vezes não é questionado em histórias, principalmente em romances — considerável clichê — como esse. Continue lendo a resenha e saiba mais sobre o que iremos aprender nessa história.

Em 1960 o movimento hippie foi uma grande marca para a década devido ao comportamento contracultura do momento, além disso, os hippies acabaram optando por um estilo de vida que incomodou muitas pessoas. Marcados pelo uso de drogas — como LSD, maconha e entre outras — o movimento e o estilo de vida alternativo acabou tendo algumas sequelas.

O número de integrantes do movimento caiu bastante em 1970, mas o lema de suas vidas continuava erguido “paz e amor”. Tentando derrubar o capitalismo, enaltecendo questões naturais, praticando nudismo e levando uma vida muito liberal, os hippies tiveram as suas marcas, mas no Brasil e em alguns outros países o estilo de vida só começou a ser adaptado em 2000.

Os pais de Rainbow e de seus irmão são hippies, assim eles pregam o estilo de vida aos seus filhos ensinando-os sempre respeitarem a natureza, evitarem consumir tudo aquilo que favorece o capitalismo e praticarem rituais todos os sábados. Só que todo comportamento tomou algumas medidas e decisões um pouco desagradáveis, e um deles são os nomes dos adolescentes.

“Meus dias de uma adolescente calma e pacata provavelmente estava contados. Eu antes era apenas uma garota comum, com um nome estranho, um forte empenho me superar nas matérias da escola e nenhum interesse em garotos. Agora eu era a revoltada, possível destruidora de namoros alheios e alvo crítico de um ódio fulminante por parte de garotas invejosas. Eu estava ainda no centro de disputa entre dois garotos lindos e superpopulares na escola. (página 63)”

Rainbow significa arco-íris em inglês, Sunshine é brilho do sol ou se preferir luz do sol e Thunder Storm tempestade. A história é passada nos Estados Unidos e infelizmente eles acabam recebendo algumas piadinhas muito deselegantes, até porque são fenômenos da natureza e os nomes foram escolhidos em situações marcantes na vida do casal. É válido lembrar que Rainbow tem o apelido de Rain o que significa chuva em inglês.

A pobre Rain é a única que sofre com o nome, para uma pessoa que tem o nome comum — como João, Maria e entre outros — deve ser muito tranquilo quando recebem piadas, mas para pessoas como Rainbow é bem complicado e eu sei disso porque sou vítima de bullying devido ao meu sobrenome — sim, estou falando da minha vida pessoal —, sofri muito no Ensino Fundamental e durante o Ensino Médio foi mais tranquilo, só que era bem comum as “brincadeiras” sem graça. Durante a leitura eu fiquei muito triste por encontrar uma personagem que se limitava devido ao nome, a autora não conta, mas Rainbow provavelmente já sofreu muito bullying verbal durante o Ensino Fundamental, pelo simples fato de ter convivido com pessoas imaturas e que fazem de tudo para chamar a atenção, eu realmente fiquei muito chocado quando a autora decidiu abordar esse assunto que nunca é incluído na literatura.

Convivo social e familiar gera uma grande influência em nós quando somos crianças, principalmente em relação religiosa. Muitas pessoas são ensinadas desde pequenos qual religião seguir, o que deve ser feito e quais são as doutrinas que devem praticar, o problema que muitas das vezes essa prática vem de pais e avós e M. S. Fayes conseguiu representar essa cultura de uma forma muito sútil e totalmente tolerante.

Rain em nenhum momento se considera hippie, mas, por outro lado, é cristã e apesar de seus pais serem e seguir uma religião totalmente diferente ela se vê pressionada e limitada.  Ela e nem os seus irmãos gostavam de praticar as tradições da religião dos seus pais, e em um determinado momento ela começa a se questionar o fato de nunca ter sido perguntada qual religião seguia, e sinceramente, esse foi um ato tao revolucionário na história que me deixou de queixo caído, além disso, é um grande problema social do MUNDO, pois a intolerância e a indução religiosa está cada vez maior.

Como vários garotos da idade, Thunder Storm tem aqueles momentos machistas durante várias cenas da história — que particularmente fiquei um pouco incomodado, só que é uma característica do personagem, não é falha da autora —, quando não era para defender as suas irmãs de seus amigos jogadores, era sobre outras meninas e sinceramente, muitas das vezes o conceito dele é quebrado de uma forma muito boa o que me animou bastante com a leitura do livro, pois é desconstruindo conceitos que algumas atitudes culturais irão acabar e não com ódio gratuito, ou seja, mais um ponto para M. S. Fayes.

Apesar de muitos pontos positivos, alguns fatores do livro me incomodaram e um deles foi o vocabulário rico em palavras não tão conhecida para o público jovem. Acho que poderia ter sido aplicado palavras mais adequadas para o público, até porque eu tive que ir ao dicionário em alguns momentos. Mas vale ressaltar que as palavras não atrapalha ninguém durante a leitura, é tudo questão de empenho e mesmo que tenha me incomodado acho que deve ser considerável relativo, pois incentiva os jovens usarem o dicionário e enriquecerem o vocabulário.

“E obviamente o professor não quis correr o risco de uma debandada geral dos alunos, fazendo com que lugares fossem mudados. Logo lá, estava eu. De dupla com o garoto punk. Ops… Meu deslize. Thomas. (página 28)

O uso excessivo de palavrões é outro ponto relativo, mas que por um lado foi necessário. Adolescentes têm um grande hábito de utilizar palavrão em suas conversas — não estou generalizando —, mas em alguns momentos o uso da palavra “porra” soou muito forçado pela autora e para algumas pessoas acaba sendo enjoativo ou até mesmo pesado. Acho que poderia ser utilizado outros palavrões durante o diálogo, acho que ficaria mais “real”.

Eu sempre costumo alertar em minhas resenhas o cuidado que os autores têm ao optarem por cenários internacionais. M. S. Fayes não teve nenhum problema — ao meu ver — em relação a cultura norte-americana, fiquei muito feliz com a construção dos personagens, os hábitos que eles têm — para algumas pessoas podem ser caracterizados como infantis e/ou mimados —, o estilo de vida escolar que eles seguem foi muito bem representado durante a história e isso colaborou muito para uma história rica em conhecimento, pois a autora demonstrou a todo momento que estudou muito para escrever Rainbow.

Rainbow não foi o primeiro livro da Editora Pandorga que fiz a leitura, eu fiquei muito contente em saber que a editora procura trabalhar com uma diagramação diferente em cada obra, assim dando um ar de originalidade para cada história. Em Rainbow os capítulos são iniciados pela personagem Rain e intercalado com as perspectivas de Thomas — amigo/namorado — no final, e além disso a ilustração é muito fofa e admirável. Em relação a fonte, ela é bem confortável aos olhos, ajuda muito para uma leitura prazerosa.

Indico o livro para aqueles que gosta de Young Adult, principalmente para quem tem uma afeição maior por romances a primeira vista, além disso, recomendo muito Rainbow para os leitores que não tem muito conhecimento sobre hippies, pois mesmo que o livro seja um romance as tradições desse estilo de vida é uma grande influência na vida de Rainbow, Sunshine e Thunder Strom.

Comentários

  • Marcella Santos

    Adorei a resenha e as fotos. Realmente foi bem interessante a abordagem do assunto bullying no livro, a autora teve muito cuidado com o assunto e com seus personagens

  • Manoel Alves

    Olá
    Eu vi esse livro num Instagram que eu sigo e fiquei perplexo com a arte dessa capa que é sem duvidas um show a parte. Essa é a primeira resenha que elimina o já fiquei bem apaixonado para fazer a leitura. Anotada a dica é até mais ver
    Bjs

  • Luisa Aranha

    Estou louca pra ler esse livro, tenho visto críticas lindas, fora que a autora é uma fofa! A ideia de tratar de hippies, algo que a maioria acaba desconhecendo a filosofia de fato, também foi uma grande sacada.

    Bjos

  • Suelane Pereira

    Acho a capa desse livro linda mas vejo tanta gente falando dele que tenho receio em lê-lo e me decepcionar, mas adorei sua resenha.

    Beijos
    Suka
    http://www.suka-p.blogspot.com.br

  • Naylane Sartor

    Oie! Tudo bem?

    Eu amei a capa dessa obra, achei muito linda! Quero ele só por causa dela kkkk Já li bastante resenhas positivas sobre a história da autora, mas por enquanto passo a dica, como muitas pessoas estão lendo e saindo muitas resenhas e eu bem me conheço com certeza seria de uma opinião contraria, só para ser do contra do que todos falam kkkk mas não nego que estou curiosa para conhecer a história da autora!

    Bjss, e vem participar do nosso Sorteio do Desapego, serão três ganhadores não perca a oportunidade: http://resenhasteen.blogspot.com.br/2017/08/sorteio-do-desapego-3-ganhadores.html

  • Leituras Diárias

    Olá, tudo bem? Conheço a autora de nome, e tenho muita curiosidade de conhecer a obra dela, por isso Rainbow está entre meus desejados. Sua resenha me deixou muito ansiosa, mesmo com os pontos “negativos” e acho que irei gostar muito. Adorei e principalmente nessa questão dos nomes <3
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com.br

  • Crislane Barbosa

    Oi, Victor!
    Essa capa é maravilhosa! A editora fez um ótimo trabalho mesmo com essa edição.
    Como amo young adult, com certeza é um livro que vou adorar! Essa parte do vocabulário pode ser um tanto chato, mas acho que dá para ler sem problemas, né?
    Beijão!
    Blog La Garota
    Blog As Meninas Que Leem Livros

  • Nilton Alves

    Oi Vitor adorei seu blog. Menino que linda a capa desse livro! Estou louco para ler mais ainda está na minha lista de compras kkkk. Gostei muito da sua resenha e fiquei mais louco ainda para ter longo o meu aqui comigo.

  • Olá!!
    Essa capa é muito linda!
    Conheci esses livro através dessa resenha e apesar de não ser um livro que eu diga PRECISO LER AGORA! Achei o enredo interessante e com certeza vou anotar a dica.
    Um dos principais aspectos que me atraiu é a inserção da cultura hippie e como sei muito pouco sobre isso acho que o livro ira agregar.

    Bjs,
    Garotas de Papel

  • Tamara Padilha

    Oie, que bacana ver que você gostou desse livro, eu nunca li nada da autora, mas já encontrei vários pontos que eu gostaria como por exemplo o fato de ela ter retratado bem a cultura norte-americana e também por ela ter trazido um vocabulário rico. Acho que eu ficaria bem incomodada com esses palavrões todos, mas se o resto da trama acabou se mostrando bom, acho que vale a pena ainda assim ler.

  • Kamila Villarreal

    Olá!

    Nunca li nada da autora, mas parece ser um bom livro. E Rainbow é um nome bonito, até, a menina reclama de barriga cheia, pelo que percebi…

  • marina santos . ♚

    Olá.

    Eu já conheço a escrita da autora e ela escreve muito bem com uma fluidez incrível. Esse livro parece ser bem interessante e diferente de qualquer coisa q já li. Fiquei com uma super vontade de ler e espero ler em breve!

    Bjs