RESENHA: Pink Silk Republic – Encha o tanque e aumente o volume
18 mar

RESENHA: Pink Silk Republic – Encha o tanque e aumente o volume

Resenhas

Julia Giarola

Título: Pink Silk Republic – Encha o tanque e aumente o volume
Autor: Marco Buzetto 
Editora: Letravox Editorial
Gênero: ficção
Número de páginas: 268

Leia o gratuitamente aqui.

Sinopse: Pink Silk Republic é mais que uma simples república. O livro conta a vida de Toni, David, Lilian, Eva e Stefania, jovens comuns de vida comum, não fosse o abuso de drogas, sexo e álcool, sua associação criminosa com traficantes do Rio de Janeiro e motociclistas de São Paulo e a corrida contra o tempo para o pagamento de alta dívida, com direito à troca de um filho pelo pagamento, sequestros, mortes e perseguições.

Refletir a escrita, a relacionando diretamente ao tipo da história é uma qualidade subestimada entre muitos leitores. A capacidade de capturar o gênero dentro da própria estrutura narrativa é essencial quando se trata de imersão, algo indispensável em qualquer livro. Combinando uma proposta experimental com narrações dissertativas, Pink Silk Republic – Encha o tanque e aumente o volume cria um clima caótico explorando a estrutura instável e leitura rápida que pode desagradar alguns leitores, mas que com certeza irá oferecer uma experiência diferente de tudo que já viu.

Apostando em um estrutura instável que não é romance, mas também não é roteiro, Marco Buzetto explora um gênero experimental que mistura muito bem a proposta do livro. Pink Silk Republic – Encha o tanque e aumente o volume é antes de tudo sobre sobre drogas, sexo e rock’n roll, tendendo para uma comédia opinativa e a irreverência ao politicamente correto. A narrativa frenética captura bem o clima caótico e conturbado  da própria história, apresentando frases curtas, descritivas e dissertativas, tudo ao mesmo tempo, dando ênfase ao liberal. Essa decisão ousada de desconstrução de narrativa misturando pontos de vista, discursos do autor e diálogos irá limitar o nicho no qual o livro é direcionado, porém cria a possibilidade de uma leitura rápida.

“Poucos deles acabavam na cama com alguém. A seleção natural poucas vezes falha em ocasiões assim. Darwin certamente não seria escolhido mesmo que quisesse, mesmo se destilasse A Origem das Espécies da primeira a última letra numa destas festas. Bom, se ele fizesse isso com as alunas de biologia, botânica, zoologia e afins… teria sorte.” – Página 34

Acompanhando o que pode ser considerado uma série de contos inseridos em um mundo partilhado entre os personagens, os diferentes pontos de vista podem parecer confuso as vezes, apesar de criar uma dinâmica interessante. O ambiente universitário e a então transição ao mundo das drogas cria conflitos apostando em um caos que se apoia no “narrador duvidoso” refletindo bem a proposta do livro. Os personagens são genéricos, mesmo se encaixando bem na trama e no clima da história. A presença de alguns esteriótipos impedem o livro de alcançar um status mais sofisticado, mas este não é o propósito de Pink Silk Republic que realmente parece existir para ser experienciado.

Com quebras da “quarta parede” e beirando a meta linguagem, a leitura de Pink Silk Republic pode ser comparada exatamente com as experiências dos jovens universitários representados no livro: um estado constante de alucinações e drogas. Alternando cenas de diferentes personagens e pulando entre passado e futuro, a dinâmica da escrita é interessante e diferente. A única coisa que prejudica realmente a leitura é um pouco da falta de compromisso que o livro cria, já que não se compromete com apenas um tipo de texto, apenas um tipo de entrada de diálogos e até mesmo apresentando alguns erros. Porém, apesar de tudo é uma experiência divertida.

“… É a tal da síndrome de Peter Pam que não vai embora, cada dia mais enraizada em nossas mentes. Ninguém mais amadurece antes dos minutos finais de vida, já no leito, no último suspiro, se arrependendo dos pecados que não cometeu. Enfim. Internet, aplicativos, celulares…” – Página 136

Em certos pontos a trama pára; em outros acelera com tudo. Essa difusão de ritmo caiu bem durante a história que toma rumos inesperados. Dedicando tempo aos personagens importantes do enredo central permitiu que os momentos de perigo fossem tensos. Os conflitos internos entre os relacionamentos também ajudaram no desfecho da história, essa que não ultrapassam expectativas, mas também não decepciona.

A irreverência está cravada em quase toda palavra e toda frase. Ocasiões que parecem ser sem propósito (ironicamente proposital), cenas de sexo explícitas e ideologia liberal auxiliam o livro a se destacar como um diferencial. Não é a história que é interessante em si, e sim a narrativa e os comentários nessa narrativa. Os diálogos fracos se misturam com os parágrafos politicamente incorretos e referências à cultura pop para oferecer ao leitor um livro diferente e até mesma divertido para aqueles que não tiverem problemas com a estrutura desconstruída, não se ofenda fácil e, é claro, seja maior de 18 anos!

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