RESENHA: Os Monólogos da Vagina
16 out

RESENHA: Os Monólogos da Vagina

Resenhas

Victor Tadeu

Título: Os Monólogos da Vagina
Autora: Eve Ensler
Editora: Globo Livros
Gênero: Não-ficção
Número de páginas: 208
SKOOB

Adquira aqui: Amazon

Sinopse: Publicado em 140 países, Os monólogos da vagina marcou toda uma geração com a visão hilariante e reveladora de Eve Ensler a respeito do que até então era considerada uma zona proibida, “aquela-que-não-devia-ser-nomeada”, um mistério até mesmo para as próprias mulheres.

Adaptada a partir da premiada peça teatral off-Broadway que se tornou sucesso absoluto em todo o mundo, tendo inclusive diversas montagens no Brasil, esta obra revolucionária reúne uma série de histórias luxuriosas, emocionantes, singelas e, sobretudo, humanas, que transformaram o ponto de interrogação que costumava pairar sobre a anatomia feminina em um permanente sinal de vitória.

Vinte anos depois de seu lançamento, Eve Ensler mostra, em um prefácio inédito, por que o seu texto continua mais atual – e necessário – do que nunca. Mesclando gargalhadas e lágrimas, a autora transporta seu público para um universo que ainda hoje muitos hesitam em desbravar, garantindo que qualquer um que leia Os monólogos da vagina jamais volte a olhar para o corpo de uma mulher da mesma maneira.

“Eu estava preocupada com as vaginas. Preocupada com o que a gente pensa das vaginas, e mais preocupada ainda com o que a gente não pensa. Então, resolvi falar com mulheres a respeito do assunto. Essas conversas viraram Os monólogos da vagina. Falei com mais de duzentas mulheres: mulheres mais velhas, mais novas, casadas, solteiras, lésbicas, professoras universitárias, atrizes, executivas, profissionais do sexo, mulheres afro-americanas, hispânicas, asiáticas, caucasianas, judias. De início, elas ficavam meio relutantes, um pouco tímidas. Mas, quando começavam a falar, aí não paravam mais.”

Diversas entrevistas foram feitas com mulheres de diferentes locais, ou seja, que portam culturas distintas. Sabemos que cada um carrega suas particularidades, conquistas, dores e até mesmo segredos. De forma bastante realista, muita das vezes parecendo irreal, em Os Monólogos da Vagina acompanharemos Eve Ensler levantando questões vaginas, principalmente os tabus.

Esse livro é uma adaptação da sua peça teatral off-broadway, a peça já foi traduzida para mais de 120 países e contém algumas apresentações no Brasil, onde diversas atrizes já tiveram o prazer de subir ao palco para representar diversas mulheres; seja contando suas conquistas ou sacrificamento.

“Mas elas entravam na fila para me contar, ansiosas, como e quando tinham sido estupradas,atacadas, violentadas, molestadas. Fiquei em choque ao ver que, assim que o tabu se quebrava, abria-se caminho para uma onda de memórias, raiva e mágoa. (página 12)”

Os Monólogos da Vagina, de Eve Ensler é um livro de adaptação da peça teatral off-broadway que visa levantar questões sobre a vagina, ela é baseada em entrevistas realizadas com mulheres de diversas culturas. Essa obra foi publicada pela Globo Livros e hoje falaremos sobre a edição exclusiva de 20 anos, continue lendo a resenha.

Apesar de o conteúdo dessa obra ser um grande tabu dentro de uma sociedade “conservadora”, a autora costuma trazer os assuntos aqui abordado com bastante clareza, assim, demonstrando os motivos que a sociedade insiste em dizer que mulheres e/ou homens não podem falar “vagina” da mesma forma que falam sobre o “pênis”.

Durante a leitura os leitores acompanharão a jornada de Eve Ensler durante as entrevistas realizadas por diversas mulheres, inclusive no início do livro somos introduzidos de forma rápida e aprofundada na caminhada da criadora pelo mundo apresentando sua peça teatral, até mesmo em países que proibiu a sua apresentação.

A forma que essa edição de Os Monólogos da Vagina está dividido foi bem pensado e desenvolvido, acreditamos que as pessoas passam por situações individuais, porém algumas das vezes bastante parecida com as de outras. Assim, Eve conseguiu reunir em um só capítulo diversas respostas de entrevistas para abordar um assunto, seja ela com teor de humor ou não, já que nem todas as histórias dessa obra são leves.

“Quando você rompe o silêncio, descobre quantas outras pessoas viviam esperando uma permissão para fazer o mesmo. Nós — todos os tipos de mulheres, cada uma de nós, e nossas vaginas — nunca mais seremos silenciadas. (página 14)”

Um pequeno problema que a autora teve durante a construção dessa obra, foi durante algumas mesclas de respostas. Esse pode ser um problema grande para os leitores mais desatentos, pois os trechos de um capítulo — sobre a primeira menstruação — são juntos, porém retratando histórias diferentes. Esse é um elemento muito bem elaborado desse título, já que são repletos de altos e baixos, histórias humoradas e outras não, mas pode ser um problema para quem não estiver muito atento.

É válido lembrar que desde o início da leitura Eve Ensler consegue prender o leitor, sua escrita é bastante engajada e os assuntos reais e necessários abordados sugam toda a atenção de quem está fazendo a leitura. Por vez, em Os Monólogos da Vagina apresentará passagens totalmente assustadoras, na qual, algumas pessoas podem até não acreditar, principalmente homens que conseguem viver de forma tão livre, até mesmo quando se trata do órgão sexual.

A Globo Livros fez um trabalho muito bem elaborado com essa edição exclusiva, os comentários aqui presente são de total importância e bastante curiosos. Além disso, todo o trabalho de preparo editorial está encantador, a diagramação colabora muito para uma leitura engajada, a capa diz e ao mesmo tempo esconde muito sobre a história, assim instigando os interessados e os materiais utilizados para a edição física são de excelente qualidade.

A indicação de Os Monólogos da Vagina, escrito por Eve Ensler é bastante notório, porém para leitores que contém mais de 18 anos, já que o livro carrega alguns assuntos pesados e um pouco complexo. Além disso, acreditamos que todas as mulheres do mundo — homens também — precisam fazer a leitura dessa obra, ela é muito necessária para uma sociedade que está sempre querendo calar as mulheres, até mesmo quando é para falar sobre o que tem.

Leia também:

RESENHA: Quem Tem Medo do Feminismo Negro?
• Gillian Anderson – Lutando pela igualdade desde 1993
• As personagens que dominam o cinema
 • Estuprada aos 12 anos, obesidade parecia a única saída – FOME

Comentários