RESENHA: Olivia – Sobre Pessoas e Universos
03 out

RESENHA: Olivia – Sobre Pessoas e Universos

Resenhas

Julia Giarola

Título: Olivia – Sobre Pessoas e Universos
Autor:  J Magnane
Editora: Editora Rouxinol
Gênero: Drama
Número de páginas: 99
SKOOB

Adquira aqui: Editora Rouxinol

Sinopse: Após a sua grande perda, um escritor de Harrisburg, Pensilvânia, parece encontrar uma solução para os seus anseios através de sonhos enigmáticos com Sophie, sua falecida esposa.

Decidido retornar a ilha que ela foi enterrada, James Odell tenta reencontrar o sentido da vida ao escrever um novo romance. Em sua jornada, ele terá duas pessoas para contar: Andrew e Olivia.

MAS SOMENTE UM DELES É REAL.

Nos últimos meses venho lendo muitos livros de autores brasileiros e conseguir notar um diferencial nessas obras que fazia muito tempo que não via: narrativa. É essa narrativa excelente que vem sendo característica dos jovens autores brasileiros que infelizmente ainda não conquistaram seu lugar aqui no país. Porém, a cada livro que leio estou mais e mais convencida o quanto amo livros dos novos jovens autores nacionais que apresentam a familiaridade necessária, mas não a derivação como muitas obras internacionais que acabam se tornando repetitivas. Olivia – Sobre Pessoas e Universos, o primeiro livro solo do jovem Jhonã Magnane, é o exemplo perfeito o quanto muitos leitores estão perdendo ao virar o rosto para escritores nacionais, esses que estão dando um banho em relação a construção de história e enredo.

Já no prólogo, o autor apresenta um diálogo interessante que é perfeito para estabelecer a dinâmica (química) entre o casal que irá protagonizar, de uma maneira ou de outra, o livro, acrescentando ainda mais significância à perda de Sophie, essa perda que é uma personagem importante do livro. Este diálogo que fala sobre originalidade e final das histórias com certeza representa bem o argumento da nova fase para os escritores brasileiros que estão dispostos a seguir a direção que ninguém mais ousa. Desta maneira o início de Olivia – Sobre Pessoas e Universos dá ênfase na maneira em que as histórias e trajetórias são contadas, algo que com certeza resignou comigo, se tornando quase uma metalinguagem.

“Ainda a sinto por perto, rondando-me pelos corredores, como se eu fosse o Sol, e ela, os planetas.” – Página 97

Jhonã, sem muito esforço cria um ambiente que parece entender muito e por isso os acontecimentos fluem com muita naturalidade de maneira a apresentar os fatos da história cada um em seu tempo, não subestimando hora nenhuma o leitor. A vida de James é um mistério durante todo o livro, algo que se provou extremamente eficaz ao torná-lo simpatizante, mesmo sendo um personagem amargo e arrogante, as vezes. Mas é isso que a história explora. Todos nós perdemos alguma coisa e todos nós já sobremos por causa disso. É sobre perda e busca e, em volta deste tema familiar, o ambiente mágico foi criado graças a narrativa bem construída que mostra claramente onde estamos nesta nova fase da literatura nacional, onde confiamos em jovens escritores que parecem ter muito mais entendimento sobre a vida que muitos adultos.

“Quando você aprende a ser feliz sozinho, a vida flui tão naturalmente quanto o sol brilhando no céu todos os dias (…) E aprendi. Aprendi que o amor não se trata de procurar alguém para me preencher, e sim, de estar tão cheio a ponto de querer transbordar em outro ser.” – Página 68

O livro é sim pequeno, mas a limitada quantidade de páginas não impede que o autor conte sua boa história e assim também celebre a simplicidade que é incrível nessas páginas. A simplicidade da jornada de James, a simplicidade dos acontecimentos em sua vida e a simplicidade de sua dor deixam claro qual é o real tema do livro que fala sobre a insignificância dos planeta enquanto temos universos. E por isso também a leitura é rápida e dinâmica já que é o livro/história perfeita para ler em uma sentada.

“Amor é grande demais para se limitar a algo tão pequeno.” – Página 60

Olivia – Sobre Pessoas e Universos também apresenta uma surpreendente reviravolta quando modifica, de certa maneira, seu gênero. A história, com cautela e classe, se torna algo diferente o que permitirá o leitor a ler o livro uma segunda vez, agora com o final em mente, algo que poderá modificar sua experiência. Sempre glorifico muito os finais, pois acredito que seja a parte mais importante do livro, já que é esse final que irá estabelecer o que o leitor realmente acha da obra e o que o escritor realmente quis dizer com ela. Olivia – Sobre Pessoas e Universos faz isso com maestria, concluindo a trama e o tema na nota perfeita.

A capa é incrível refletindo bem a jornada emocional e simplicidade do livro. A diagramação faz o mesmo, celebrando o belo e o simples com harmonia. Só encontrei alguns pouco erros na diagramação, mas nada que me impediu de aproveitar cada segundo dessa incrível história que todos deveriam ler.

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