RESENHA: O Fogo Invisível
02 dez

RESENHA: O Fogo Invisível

Resenhas

Myrna Ariel

Título: O Fogo Invisível
Escritor: Javier Sierra
Editora: Planeta
Gênero: Ficção
Número de páginas: 380
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Sinopse: Qual é a verdadeira origem da arte?
O jovem e promissor linguista David Salas não esperava tirar férias de um dia para o outro e ir à Madri – menos ainda encontrar-se lá com Lady Victoria Goodman, uma velha amiga de seus avós que não via havia mais de vinte anos. De repente, os planos para suas férias mudam de maneira drástica e ele se vê em uma corrida surpreendente para desvendar o que aconteceu com um aluno de Lady Goodman, que ela diz ter sido assassinado.
Para sua surpresa, a resposta parece estar escondida no mito do Graal e sua ligação com a Espanha. Entre igrejas romanas remotas nos Pirineus, coleções de arte em Barcelona, livros antigos e códigos estranhos, David e seus companheiros nos levam a um enredo cheio de intrigas e mistérios, que nos fazem questionar sobre a origem da inspiração, da literatura e da verdadeira arte.

 

Quais são os mistérios escondidos naquilo que achamos que conhecemos? David Salas não imaginava que a sua vida iria mudar completamente assim que colocasse os pés em Madrid. Formado em filologia e filosofia, David trabalha como professor de linguística na Trinity College, em Dublin. Ele não costuma tirar férias e está sempre vivendo para o trabalho, mas a sua mãe com a ajuda de uma colega de trabalho sua, acaba convencendo-o a ir à Madrid em busca de um exemplar raro para a coleção da biblioteca da faculdade.

Assim que ele chega ao hotel onde ficará hospedado em Madrid é comunicado que alguém o espera. Paula Esteve logo chama a atenção de David, a loura traz consigo um ar de mistério e ao se apresentar revela ser uma das alunas de Lady Victoria, uma antiga amiga do avô de David. Paula traz um recardo de Victoria, a senhora gostaria de conversar com o rapaz e assim o convida para visitar a sua casa.

Motivado pela probabilidade de rever Paula mais uma vez, David acaba aceitando o convite e vai até a casa de Lady Victoria. Ele já a encontrou uma vez quando era menor, um dia ela foi visitar o seu avô, um grande escritor que sempre motivou o menino e tentou ensina-lo tudo o que sabia, o mostrando como enxergar melhor as histórias escritas nos livros.

Depois da morte do seu avô David não teve muitas notícias de Lady Victoria, mas ficou sabendo que ele fundou uma espécie de escola. Ao conversar com a senhora ele descobriu que na verdade ela é a responsável pelas reuniões da Montanha Artificial, onde ela e mais cinco alunos discutem os mistérios da literatura. David se pergunta o motivo das reuniões serem secretas e restritas, mas ao saber que um dos integrantes do grupo foi supostamente assassinado ele soube que o grupo estava investigando ao perigoso. Victoria acaba o convidando para uma das reuniões onde ele conhece o restante dos alunos, mas é visível o abalo de todos, afinal faz pouco tempo que Guilhermo foi morto.

A Montanha Artificial torna-se um quebra-cabeça para David, eles não estão simplesmente estudando a literatura, estão desvendando mistérios que nos rondam durante séculos e ao estudar a história do Graal alguém acabou morrendo. O que Guilhermo descobriu que custou a sua própria vida?

 

O Fogo Invisível é um livro que traz junto com a sua história uma série de informações que nutri a mente de qualquer leitor. Javier Sierra ao colocar um grupo de jovens inspirados pela literatura como personagens essências abriu portas para discussões incríveis. Todo o livro é carregado com um ar filosófico que torna a leitura muito fluente.

No início temos acesso a uma matéria de jornal que informa a morte de um jovem em um parque de Madrid, mas uma página depois já estamos entrando no enredo de David e essa notícia só começa a fazer sentindo quando conhecemos o pessoal da Montanha Artificial. Essa foi uma forma de manter a mente do leitor trabalhando, afinal quem é esse jovem que morreu? É o aluno de Lady Victoria citado na sinopse, ou outro personagem que ainda iremos conhecer?  

O livro em primeiro momento pode parecer um Dan Brown, a proposta de enredo pode ter algumas semelhanças, mas a partir do momento que você começa a se envolver com a história percebe as características da escrita de Javier Sierra que torna o livro diferente e a experiência de leitura única.

Em alguns momentos temos citações de grandes escritores, como quando temos os personagens fazendo uma análise das obras de Dan Brown e Chrétien de Troyes ou até mesmo citando Sir Arthur Conan Doyle. O Fogo Invisível trata-se de uma história envolvente ao mesmo tempo que é rica em detalhes.

Os personagens que foram apresentados em nenhum momentos deixaram algo a desejar, eles foram bem construídos e descritos, até aqueles que fizeram pequenas aparições tiveram o seu perfil traçado. David como principal foi algo interessante, já que ele não conhecida a Montanha Artificial e as pesquisas realizadas sobre o Graal tivemos como saber as reações dele e como ele ligava alguns fatos ao passado e ao seu avô, e o livro ser narrado em primeira pessoa ajuda muito.

Tiveram momentos que alguns personagens precisaram se separar e a história sugeria que teríamos várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, fiquei com receio que o escritor esquecesse os outros arcos criados e voltasse o foco da narrativa apenas para o que estava acontecendo com David. Me surpreendi quando Javier trouxe para o livro uma forma de saber tudo o que estava acontecendo enquanto David era o foco, e o mais legal é que não foi necessário sair da narrativa em primeira pessoa.

O enredo está voltado em descobrir os mistérios do Graal, e com isso nós temos contatos a diversas áreas de conhecimento, de arquitetura romântica ao espiritismo. Muitas vezes os personagens precisam fazer análises de algumas pinturas e além delas serem descritas a imagem é colocada junto ao texto para que possamos compreende-la.

Geralmente quando lemos um livro de aventuras queremos nos aventurar junto com os personagens, ou até mesmo resolver o mistério como eles, um dos fatos que mais gostei em O Fogo Invisível é que essa aventura é possível. Os personagens falam sobre todos os lugares que foram para investigar o graal, falam sobre cada pintura ou arquitetura e se quisermos nós podemos ir até os locais citados e ver o que eles viram. Um dos locais que marca a história é o Museu Nacional de Arte de Catalunha, onde temos a Abside de Sant Pere del Burgal, Abside de Santa Eudália d’Estaón e a Abside de Santa Maria de Ginestarre, pinturas que foram essenciais para desfecho do enredo.

O Fogo Invisível foi o primeiro livro que eu li de Javier Sierra, e também é o primeiro livro de um autor espanhol que eu leio. Logo no início da história fiquei receosa com o rumo que o escritor iria dar para os personagens, mas pouco tempo depois eu relaxei porque percebi o quão grandioso tudo estava se tornando. Depois que terminei de ler eu entendi porque O Fogo Invisível foi o vencedor da premiação da Editora Planeta em 2017. É um livro que eu indico para aqueles que gostam de mistério, arte e literatura, que gostam de desvendar o que está por traz daquilo que conhecemos.

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