RESENHA: No Fim do Mundo
27 set

RESENHA: No Fim do Mundo

Resenhas

Julia Giarola

Título: No Fim do Mundo
Autor: Felipe Gulyas
Editora: Editora Rouxinol
Gênero: Fantasia
Número de páginas: 213

Adquira aqui: Editora Rouxinol

Sinopse: A morte é a maior das aventuras. Colin White não estava preparado para morrer, mas a morte não podia esperar para o levar. Agora, tendo apenas uma canoa como guia , ele terá que fazer a travessia por um grande mar até a outra vida, descobrindo que o fim do mundo guarda grandes mistérios e revelações que ele nunca poderia esperar. Ao mesmo tempo em que garoto vaga por esse mar, Colin não consegue deixar de pensar nas pessoas que deixou para trás. Enquanto o passado e o presente se misturam, será que ele vai ser forte o bastante para chegar ao fim de tudo?

Um mercado relativamente novo no Brasil, podemos ver muitos autores brasileiros se aventurando na “terra de ninguém”, enquanto essa área, apesar de pouco explorada, é tão cruel com esses aventureiros nacionais. Porém cada dia mais, graças a irreverência e persistência de muitos artistas o ambiente está sim ganhando certa notoriedade. Apesar de tudo isso, o preconceito ainda existe deixando ainda mais difícil para os escritores iniciantes estabelecerem um nome para se mesmos de maneira que apenas seus trabalhos falarem por se próprio. Isso não acontece, porém, deixando para nós resenhistas a responsabilidade de “julgar” essas obras tão subestimadas e convencer os leitores que existem sim muitos excelentes livros nacionais de autores novos e No Fim do Mundo prova mais uma vez que essas histórias merecem uma chance.

“Não ficaria apenas deitado de bruços só esperando ser acertado pelo que fosse que esse mundo iria me mandar.” – Página 98

Partindo em uma jornada intrigante com o protagonista Colin White, o leitor imediatamente é surpreendido por uma fantasia além do tempo e da nacionalidade, trazendo para perto nossas semelhanças em uma história sobre auto-conhecimento, família e lembranças. Este enredo original é bem estruturado o que estabelece desde o começo um bom estilo de texto e maneira eficiente de apresentar os fatos. O ponto de vista pessoal permite com que o leitor simpatize com o personagem central já que ambos estão descobrindo tudo juntos, pois mesmo que a história seja sobre a aventura após a morte, a verdadeira jornada consegue servir de metáfora para os desafios da própria vida adulta, onde Colin aprende a enfrentar a jornada sozinho (por mais que encontre pessoas no caminho), com nada além de uma canoa e sua vontade de viver e descobrir.

“Não sei por que, mas achei que o fim do mundo seria radiante. Tão brilhante que poderia me cegar” – Página 32

O aspecto sobre individualidade é um tema importante no livro destacando o fato que nós mesmos fazemos nosso  próprio destino, pois ninguém o traçará por nós. Desta maneira aprendemos a fazer as coisas por nós mesmo, pois há aspectos de nossa vida que ninguém poderá resgatar ou modificar. Com isso em mente, vale a pena mencionar também o quanto o desenvolvimento dos personagens foi importante para essa ideia, deixando espaço para a evolução da “jornada do herói”. Tudo se volta mais uma vez para o auto-conhecimento e por isso Colin se provou o protagonista perfeito para seguir durante essa aventura.

“Eles diziam que deixamos tudo de ruim para trás quando partimos dessa vida, mas não sabiam o quão errado estavam.” – Página 116

No Fim do Mundo apresenta ainda um outro tema relevante sobre a importância das lembranças, relevando a questão que sempre estaremos vivos enquanto as pessoas que amamos estiverem. As memórias são nossa credencial de existência, algo que vai além de nosso mundo físico e transcende nossa própria essência. Vemos muito isso em momentos chaves da história que se apoiam nesta ideia. Felipe Gulyas conseguiu desenvolver um ambiente onde ele coloca os personagens em situações que despertam motivações primitivas, onde eles têm que agarrar à vida o mais forte que conseguirem, estabelecendo um interessante contexto e familiaridade para suas ações. A evolução da luta pela vida, assim como a própria batalha que faz com que Colin lute com toda sua força para existir, para sobreviver, para se lembrar!

“Todos merecemos um pedaço do paraíso” – Página 38

O autor também optou por um diferencial em seu livro colocando um play list tema no começo da obra e ainda trechos das músicas antes de cada capítulo que foi uma boa ideia já que estabelecem bem o clima desejado para o leitor. Os capítulos curtos ajudam a história a fluir bem fazendo com que No Fim do Mundo seja uma leitura bem rápida.

Quanto ao livro físico em si, a Editora Rouxinol mais uma vez não decepciona, apresentando uma capa linda e, o mais importante, condizente com o ambiente e clima da história. A diagramação também é maravilhosa apesar de conter alguns errinhos na hora de dividir as palavras, mas nada que te distraia desta história que com certeza vale a pena conferir.

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