RESENHA: Mulher-Maravilha: Sementes da guerra
18 set

RESENHA: Mulher-Maravilha: Sementes da guerra

Resenhas

Julia Giarola

Título: Mulher-Maravilha: Sementes da guerra
Autor: Leigh Bardugo
Editora: Arqueiro
Gênero: Ficção, Fantasia
Número de paginas: 400
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Sinopse: Antes de se tornar a Mulher-Maravilha, ela era apenas Diana.

Filha da deusa Hipólita, Diana deseja apenas se provar entre suas irmãs guerreiras. Mas quando a oportunidade finalmente chega, ela joga fora sua chance de glória ao quebrar uma lei das amazonas e salvar Alia Keralis, uma simples mortal.

No entanto, Alia está longe de ser uma garota comum. Ela é uma semente da guerra, descendente da infame Helena de Troia, destinada a trazer uma era de derramamento de sangue e miséria. Agora cabe a Diana salvar todos e dar seu primeiro passo como a maior heroína que o mundo já conheceu.

Saindo direto do sucesso do filme da Mulher-Maravilha (confira nossa crítica aqui), o livro de Leigh Bardugo trás uma nova história da famosa personagem nos introduzindo á um conto íntimo sobre tradição, coragem e independência. Mesmo com a importância do filme da DC, muitos ainda não estão tão familiarizados com a personagem, muito menos sua alter-ego, Diana e por isso Mulher-Maravilha: Sementes da guerra, lançado pela Editora Arqueiro, faz esforço para reunir os fãs já estabelecidos dos quadrinhos, desenhos e filmes, mas também novos admiradores que com certeza irão se apaixonar por essa MARAVILHOSA história!

Como toda boa história derivada de um material pré-existente, o livro se sustenta bem sozinho, ou seja, não é necessário um conhecimento prévio da personagem. Porém, para os que já conhecem um pouco sobre a história de Diana Prince, o livro também apresenta uma trama extremamente envolvente, fazendo com que o leitor aproveite novas descobertas e a própria nova interpretação da heroína. Desde a trilogia de Jogos Vorazes eu não me investi tão rápido em uma história. Com uma escrita hipnotizante, Leigh Bardugo estabelece um ritmo que deixa impossível tirar os olhos da página.

“Todos os livros antigos contavam histórias sobre pessoas que cometeram o erro de olhar para trás” – (Página 16)

A escritora explora bem a técnica dos conflitos na história, onde são os conflitos que movem a trama adiante. A narrativa linear é as vezes interrompida para contar acontecimentos do passado que se provou extremamente importante para a compreensão dos comportamentos atuais dos personagens e seus relacionamentos. Assim suas motivações, ânsias e medos são conhecidos, fazendo com que suas ações sejam “justificadas” de maneira orgânica e particular. Esta história realmente é um conto íntimo que humaniza Diana e todos a seu redor, conseguindo fazer até mesmo uma família rica e privilegiada ser simpatizante.

“Talvez as duas já estivessem cansadas de ser subestimadas.” – (Página 139)

A autora utilizou bem os elementos e objetos conhecidos da história original em sua nova trama, encaixando-os de maneira estratégica e inteligente. Esses elementos estão no enredo por um motivo e a Leigh Bardugo prova isso durante todo o livro. Outro impressionante aspecto do livro é a base mitológica e mistica que é explorada e muito bem explicada, não deixando o leitor por fora dos assuntos hora nenhuma.

“O laço era como um espelho que desnudava cada ilusão necessária para enfrentar o dia, cada fragmento do andaime erigido como sustentação.” – (Página 280)

Esta é uma história sobre maturidade e responsabilidade sobre as próprias escolhas, ações e suas consequências seja de uma princesa imortal ou uma garota comum no mundo real. As críticas sociais inseridas são sutis e eficientes provando mais uma fez o  quanto Leigh Bardugo é uma escritora talentosa. Ela utiliza brilhantemente a perspectiva do “estrangeiro vindo da utopia” para apontar os problemas sociais de nosso mundo. A presença de Diana neste “novo mundo” é outro aspecto em que a história atinge novos níveis, inserindo questões raciais, o sexismo, sexualidade e status.

“Nas placas, os homens e mulheres que a encaravam eram diferentes dos que transitavam pelas ruas. Tinham cabelos brilhosos e pele suave, perfeita e sem manchas. Talvez fossem ícones religiosos.” – (Página 102)

O livro consegue alternar bem entre dialogo e ação, narrativa e conflito. As falas trocadas entre os personagens servem para informar e estabelecer relacionamentos, sempre com um propósito. As cenas de fuga e luta são descrita maravilhosamente fazendo com que o leitor acompanhe cada movimento, transferindo adrenalina pelas páginas. Sem contar os personagens que são extremamente bem desenvolvidos e distintos. Cada um tem sua motivação, cada um tem sua própria jornada emocional.

“É claro que homens creem que o poder de uma mulher jaz na delicadeza de suas feições, na perfeição de suas formas. Entretanto, você sabe mais, Filha da Terra” – (Página 50)

No começo do segundo ato da história comecei a ficar preocupada a respeito da direção que achei que esta estava tomando, achando que o livro iria se entregar aos “inevitáveis” clichês que sempre encontramos por ai. O terceiro ato, porém, me mostrou o quanto fui impaciente ao julgar a trama antes da hora, esta que realmente me surpreendeu. Os pontos que me deixaram preocupadas inicialmente foram essenciais para o final original, algo que encerrou perfeitamente a jornada do herói estabelecida no livro.

Este livro é o primeiro volume da série lendas da DC, que irá contar uma nova história a cada livro sobre os personagens mais queridos, como Superman e Mulher-Gato. No final de Mulher-Maravilha: Sementes da guerra, somos introduzidos à uma pequena amostra do próximo volume que contará a história de Batman, deixando um gostinho do quão incrível será este próximo livro. Com certeza está série das lendas da DC é uma que você deve acompanhar!

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