RESENHA: Inversos
12 ago

RESENHA: Inversos

Resenhas

Victor Tadeu

Título: Inversos
Autora: Carol Dias
Editora: Ler Editorial
Gênero: Romance/Chick-lit
Número de páginas: 214
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Sinopse: Como assistente pessoal de Carter Manning, Bruna sabia exatamente o que esperar do cantor: música, mulheres e um pouco de (muita) arrogância. Seria preciso uma interferência do universo para que ele se mostrasse alguém descente.
E não é que o universo resolveu agir?!
As pequenas, Sam e Soph, serão a prova final de Carter, para mostrar que mesmo o cara mais idiota, possui algo além de uma camada de egocentrismo.

Bruna Campello é assistente de Carter Manning, um famoso músico, cantor e compositor que estar no auge da sua fama. A assistente pessoal ama o seu empego, estar ao lado do astro do pop e cuidar de assuntos pessoais é muito gratificante para sua vida financeira, até porque o seu salário estava longe de ser baixo, mas nem tudo é tão lindo como pensamos.

Carter é mais um daqueles homens que não conseguem ficar sem fazer sexo por muito tempo, assim praticando ato sexual em qualquer oportunidade que aparecia. Querendo ou não aquilo atrapalhava o seu trabalho, principalmente o da Bruna que cuidava dos assuntos pessoais e mais um monte de fatores que não estava incluído em seu cargo.

Só que a vida de curtição do astro acaba começando a ser limitada. Na porta da sua residência é encontrada duas crianças — gêmeas — com um bilhete dizendo serem filhas do cantor, Samantha e Sophie são as garotinhas que irão fazer a vida de Manning mudar e tomar rumos diferentes. A chegada delas é um grande susto para todos e ninguém sabe como lidar com a surpresa, mas conforme os dias for passando alguns ajustes são feitos, tanto na carreira e nos sentimentos do cantor.

Inversos é o segundo livro da série Clichê, de Carol Dias e está sendo publicado pela Ler Editorial. O livro conta a história de um personagem da primeira obra e aborda alguns assuntos muito interessantes sobre mídia, trabalho musical na parte interna e principalmente os limites que famosos devem permitir.

Confesso que não fiz a leitura do livro Clichê — primeiro livro da série — porque fui informado que não necessitava ler em ordem, pois tratava de histórias diferentes e sem muitas ligações. Ainda pretendo fazer a leitura dele e saber mais sobre os personagens que são apresentados na história, até porque eles são presentes em Inversos.

“Mano do céu! Se ela dissesse Carter Manning mais uma vez, como se ele fosse um deus, eu deitaria na rua e deixaria um carro passar bem em cima de mim. (página 13)”

Apesar de ser um romance, o livro aborda muitos assuntos sobre trabalho interno de famosos e os cuidados que os mesmos devem ter. Um exemplo disso é o modo que toda a equipe de Carter Manning se dedica para manter tudo sob controle, principalmente quando Sam e Soph aparecem mudando o seu ritmo por completo. A autora demonstra muito que realmente pesquisou sobre como a mídia influência qualquer ato de um famoso, pesquisou sobre o trabalho interno de uma equipe de preparação para show e como artistas se preparam para cuidar de apresentações/turnês e filhos.

Um fato que me agradou bastante foi a representatividade brasileira em uma equipe de norte-americanos, fiquei muito feliz em saber que a Bruna pôde representar muito bem a garra da sua nacionalidade, assim passando uma impressão de dedicação e gratificação para todos da equipe, e claro, para os leitores. Como ela atua em áreas que não é do seu cargo pode dar a impressão de ser um trabalho escravo, mas não, ela faz por afeição ao Manning, tudo por amor e cuidado com a carreira do cantor.

O romance do livro é um dos melhor que encontrei em 2017, pois não foi a primeira vista e nada forçado. Bruna Campello e Carter Manning  conhecem há um tempo e começam a ter um contato mais íntimo com o passar dos anos, assim eliminando qualquer forma de romance sem nexo e colaborando para uma história mais realista e totalmente diferente de muitas outras. Em 2017 fiz a leitura de muitos romances que o relacionamento começam em menos de uma semana, e sinceramente, não consigo acreditar em amor tão rápido como estes, por isso gostei muito da forma que Carol Dias desenvolveu o romance da história.

Além da vida pessoal de um astro o livro também fala sobre gravadoras, Carter Maninng tem a Music M e ajuda outros cantores com a sua própria gravadora, e como o capitalismo às vezes influência a mente das pessoas algumas traições e desvios rolam dentro de empresas de grande porte, e a autora conseguiu nos mostrar isso com uma visibilidade maravilhosa. Sem falar que, ela também ensina aos seus leitores através de Bruna que não adianta acusar ninguém sem provas concretas, pois todos os seus argumentos ficarão contra você mesmo, fica aí uma lição de acusação.

Os personagens da histórias são muito bem construídos, eu fiquei extremamente incomodado com o pensamento de Manning, até porque ele é extremamente machista e egocêntrico — uma característica do personagem, não é falha da autora — e eu fiquei um pouco contente todas às vezes que Bruna tentava rebater os conceitos dele com seus poucos argumentos. Além disso, os personagens secundários também têm um grande papel e não deixaram de ser bem trabalhados.

Fiquei um pouco incomodado com a quantidade de nome que é apresentado no início da obra, fiquei bastante confuso e ao decorrer da história não me lembrava de nenhum deles, quando os mesmos apareciam eu já não lembrava quem era quem. Acho que a autora poderia ter trabalho melhor na apresentação inicial, mesmo que seja personagens do livro Clichê deveria ter uma cautela, já que a série não requer a leitura de livros anteriores para um compreendimento.

A Ler Editorial é uma editora que abraçou o Desencaixados desde o início quando éramos ninguém e trabalhávamos de uma forma totalmente divergente de hoje. Devido aos livros acumulados que eu tinha para ler, essa foi a minha primeira leitura dos pedidos da nossa parceria de 2017, fico um pouco triste em ter esse grande atraso, mas fiquei feliz em saber que a editora está tomando cuidados em trabalhos gráficos que me agradaram muito.

“Então, Carter Manning me deu a melhor massagem que eu já tive na vida. E eu, magicamente, não queria mais dar um tiro nele. (página 33)”

A diagramação do livro contém umas estrelinhas que representa a “estrelinha de outro”, ou seja, Carter Manning e além disso os capítulos são bem divididos, a fonte é a padrão da editora e o espaçamento está muito agradável, eu só fiquei um pouco incomodado com a “grossura” da fonte, me parece que ela está em negrito ou talvez seja impressão minha, mas fiquei um pouco assustado com a forma que ela é destacada. Só que esse meu incomodo pode ser a salvação para aqueles que têm problema de vista e ainda não fazem o uso do óculos. A capa do livro é muito simples e condiz muito com a história, gostei muito, porque adoro trabalho simples com uma grande representação, pois assim enriquece tudo e deixa de ser simples.

Como dito esse foi o meu primeiro contato com a autora, pretendo muito fazer a leitura do primeiro livro dessa série. A escrita dela é muito sútil, a todo momento parecia que ela estava conversando comigo, o “papo” foi tão bom que fiz a leitura em menos de 24 horas. Outro fator que me agradou muito foi quando ela fez referências sobre outras séries de TV, achei uma ideia muito legal, pois expande o conhecimento do leitor e, além disso, apresenta um novo conteúdo ao mesmo tempo.

Por tanto indico Inversos para todos aqueles que gostam de romance que acontece naturalmente e que fuja totalmente do forçado. Também recomendo para todos os novos adultos, porque creio eu que será uma leitura muito importante para a vida íntima de vocês, pois em alguns momentos é ensinado algumas lições de vida — indiretamente — muito importante para todos. Enfim, não perca tempo e faça a leitura de Inversos agora mesmo.

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