RESENHA: Coruja de Pedra
03 jun

RESENHA: Coruja de Pedra

Resenhas

Julia Giarola

Título: Coruja de Pedra
Autor: Fernando Cristino Reis
Editora: Editora Schoba
Gênero: Fantasia / Guerra
Número de Páginas: 220
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Sinopse: Em um mundo sujo pela cobiça, o homem se dividiu em várias nações e ideologias. Suturado depois de revoluções e novas ideias, semelhante à virada do nosso século XX, um homem, Alec Noctua, serve ao Império da Líria. Um Império que já dominou todo o continente conhecido e, sob comando de seu novo monarca, almeja tomar tudo para si novamente. Alec é um tenente de uma divisão secreta do exército, a Cohors Preaetoria Nihil, uma divisão criada para empregar a mais nova tecnologia que consegue alterar o espaço-tempo. Enquanto ele luta pelo Absolutismo em sua forma mais perfeita, Federalistas, Republicanos, Anarquistas e Comunistas trabalham para manter o seus domínios, ou por sua sobrevivência. Em meio à corrida armamentista, e uma guerra de extermínio em terras estrangeiras, Alec é designado para comandar um esquadrão de contra-espionagem. Porém, traidores e infiltrados são apenas o princípio de seus problemas.

Uma das maiores importâncias em um livro de fantasia e/ou ficção científica são as regras do universo que é criado. Seja uma história que acaba de inserir o protagonista neste novo mundo (junto ao leitor) ou um protagonista que já pertence a este, os detalhes do mundo fictício é extremamente importante, não apenas para a história em si, mas principalmente para o leitor. Coruja de Pedra consegue fazer isso muito bem.

Ao optar por um conceito já conhecido que é a guerra, o autor encaixa seu universo nesta estrutura. Com a decisão ousada de já iniciar a história dentro deste novo mundo, Fernando Cristino Reis consegue lidar bem com a apresentação dos elementos fictícios de seu livro, os introduzindo-os gradualmente durante a trama. Isso além de ser sutil acrescenta ainda o elemento mistério durante os primeiros capítulos.

A história explora os melhores elementos da guerra e felizmente não os mais óbvios. Ao concentrar na burocracia presente durante discórdias entre o Império e o rebeldes, a trama toma um rumo mais maduro e complexo quando lida com a batalha de ideologias. Localizado em um mundo sujo pela cobiça divido em várias nações e tipos de governos, o enredo consegue encontrar seu tema principal, onde há leves críticas mediante a política.

“O que antes eram terras produtivas se tornaram desertos com o conflito. As riquezas estão longe demais para alcançarmos ou perto demais do perigo para explorarmos. Povo? Só restou entre os rebeldes aqueles que aderiram à causa, seja ela qual for. (Página. 12)”

Suturado depois de revoluções e novos ideais, acompanhamos o protagonista, Alec Noctua que serve ao Império da Líria que já havia dominado todo o continente conhecido e, sob comando de seu novo monarca, almeja tomar tudo para si novamente. Alec, um tenente de uma divisão secreta do exército, é um protagonista interessante, pois serve ao que parece ser o lado antagonista, gerando conflitos diferentes durante toda a história.

A divisão no qual Alec serve foi criada para empregar a mais nova tecnologia que consegue alterar o espaço-tempo. Enquanto ele luta pelo Absolutismo em sua forma mais perfeita, Federalistas, Republicanos, Anarquistas e Comunistas trabalham para manter o seus domínios, ou por sua sobrevivência. Em meio à corrida armamentista, e uma guerra de extermínio em terras estrangeiras, Alec é designado para comandar um esquadrão de contra-espionagem. Porém, traidores e infiltrados são apenas o princípio de seus problemas.

“Novas tecnologias e equipamentos que podem sim ameaçar aqueles que manipulam o tempo e a realidade. O que exatamente são não se sabe ao certo ainda. (Página. 43)”

A narrativa detalhada mostra claramente o conhecimento do autor sobre o assunto que escolheu, além do conhecimento que tem sobre seu próprio universo. A boa escrita facilita a inserção do leitor na situações que é acompanhada pelas ótimas descrições de ambientes e fisicalidade dos personagens, que se provam muito importante ao estabelecer suas respectivas personalidades. A história flui muito bem.

Os personagens do livro são muito bem desenvolvidos graças ao excelente uso de flashbacks que ajudam a adicionar camadas em suas condições psicológicas. Estes são localizados estrategicamente sem quebrar o ritmo da história principal. Verônica, a musa destes flashbacks com certeza foi um toque especial do autor que conseguiu adicionar um romance dentro de uma história já completa. O relacionamento de Alec e sua amada é uma descontração do clima tenso de guerra, acrescentando maior dimensão à história.

“Lucius Lupo fecha os olhos serenamente enquanto anuncia sua definição daquilo que chamam de amor. — É o que transforma meninos em homens, é o frágil fator inquebrável que constrói e destrói o ser humano. (Página. 30)”

Minha única reclamação sobre o livro são alguns capítulos muito longos. Apesar de não ser um defeito em si e sim o estilo da escrita, os capítulos longos são cansativos e acabam não levando a história para frente, apenas repetindo o que já foi explorado. Felizmente isso não predomina no livro.

Os outros aspectos do livro tais como a capa e a diagramação são coerentes com o estilo de escrita do autor assim com a história. O tamanho da letra é confortável e não cansa a visão, permitindo uma leitura rápida. Há, porém alguns erros na digitação como “jamis” (Página. 26) e “colocandoram” (Página. 34), mas nada que atrapalhe a leitura.

Coruja de Pedra é uma história interessante muito bem contada que com certeza irá agradar os fãs de fantasia e ficção científica graças aos elementos detalhados presentes na história. Recomento este livro para todos que gostem do gênero!

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