RESENHA: Contos de Quase Fadas
19 set

RESENHA: Contos de Quase Fadas

Resenhas

Victor Tadeu

Título: Contos de Quase Fadas
Autoras: Luana Minéia e Édna Póss
Editora: Pistis
Gênero: Contos/Ficção
Número de páginas: 156
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Sinopse: Os contos de fadas fazem parte do cotidiano das famílias há séculos. Apesar de cada autor desenvolver uma maneira peculiar de contar as histórias, elas sempre apresentam-se por meio de reinos repletos de magia e encantamento, onde princesas, fadas e bruxas vivem as mais incríveis aventuras.
No livro “Contos de quase fadas” habitam personagens seus conhecidos, mas que não seguem o roteiro popular, embrenhando-se por novos e incertos destinos.

Contos de fadas provavelmente são histórias que marcaram a infância de muitos leitores, é muito aconchegante conhecer mundos fantásticos, seres míticos e deixar a imaginação ir longe diante de tanta descrição “irreal”. Fadas, sereis, lobisomens, vampiros, gigantes, elfos e vários outros seres mitológicos são características dos contos de fadas, por isso o gênero consegue ser agradável para uma grande porcentagem de crianças.

Os contos de fadas pertencem a literatura infantil, mas isso não é motivo para ser uma categoria favorável aos adultos. Com histórias encantadoras e lições de moral maravilhosas, o gênero é considerado um clássico mundial e por isso alguns livros que abordam o assunto têm origens que hoje em dia não vivemos mais.

A ideia é tão geniosa que inúmeras versões de histórias incluídas dentro da descrição já tiveram as suas edições escritas por diversos autores. Alguns são vangloriados hoje em dia, outros não tem o nome reconhecido, mas muitos estão aderindo a ideia e adaptando a tese das histórias para uma versão adulta ou mais juvenil possível.

No século 20 uma chuva de adaptação cinematográfica dominou os cinemas, as indicações que mais ganharam premiações foram as que envolviam contos de fadas. Da literatura para o audiovisual, do infantil para o adulto e do mundo de fantasia para o mundo real. Assim trilha o gênero literário mais conhecido do mundo.

Contos de Quase Fadas, publicado pela Editora Pistis é um livro com histórias escritas por Luana Minéia e Édna Póss. Cada conto retrata a essência de um personagem muito conhecido ou não, mas todos têm algo em comum, nenhum deles foram criados por elas, os protagonistas foram inspirados/retirados de contos de fadas.

Surgindo de uma ideia muito genial, as autoras criaram um laço de escrita muito cedo com o intuito de escrever brincando. Luana e Édna descrevem na nota da obra que desde cedo uma escrevia o início da história e a outra finalizava, assim ambas conseguiram aproximar o máximo de contos possível com visões divergentes.

A maneira de brincar com escrita e a imaginação alheia, pode ser uma ideia muito revolucionária. Recentemente foram descobertos sites com projetos muitos semelhantes com os das autoras, a ideia dessas plataformas é cada autor escrever uma parte de uma história iniciada pelo próprio site, assim concluindo em uma história surpreendente para os leitores e os autores. Ainda não tive a oportunidade de fazer a leitura de nenhum livro desses projetos, mas lendo Contos de Quase Fadas já percebi que a ideia é muito melhor do que eu imaginava.

Ambas escreveram histórias já conhecidas, mas optando por alterar para uma versão adulta, assim desconstruindo muitas características já abordadas em outras obras. A ideia é uma começar e a outra finalizar, as duas provavelmente não tinham noção de como a outra seguiria com uma história que estava toda esquematizada dentro de sua cabeça, mas diante de toda essa diversão eu tirei uma conclusão ao fazer a leitura de todos os contos. As autoras conseguiram seguir uma linha de respeito muito grande com as características dos contos e ao mesmo tempo criaram suas essências para as histórias.

Com um tom sombrio, todos os contos são finalizados de formas totalmente imprevisíveis. No início pode ser um pouco difícil reconhecer de qual história o personagem faz parte, mas na segunda parte da obra é bem fácil reconhecer qual foi a origem do protagonista. Por falar em parte, o livro é dividido em duas, a primeira é chamada de Prelúdio, onde são apresentados as tramas inciais, a segunda parte é titulada como Enlace, na qual os contos são finalizados.

As histórias em si são bastante originais e o fato de nenhuma dela seguir a linha de “feliz para sempre” me agradou bastante. Provavelmente muitas pessoas já estão cansadas de finais felizes, o mundo de mágica e feliz está longe de ser nossa realidade, e apesar de Luana e Édna abordarem assuntos com elementos de faz-de-conta a possibilidade de ser encarado como características reais é muito maior do que os “finais felizes”.

Eu não sou de destacar nenhum conto quando faço resenhas de coletâneas ou antologias. Acho um pouco chato ficar focando em uma história e dando a entender que as outras não merecem a mesma atenção. Por isso eu prefiro seguir o meu padrão de resenhas com livros do tipo, mas queria esclarecer que adorei todos sem exceções.

Todo o trabalho de ilustração de Contos de Quase Fadas está totalmente impecável. A capa do livro é muito chamativa e bem desenhada, mas o trabalho interno também segue o mesmo nível de qualidade. Em todos os contos têm uma ilustração fazendo referência a história e isso deu uma vida muito maravilhosa para a obra, gostei muito da atenção que as autoras tiveram com os desenhos, pois até mesmo em livros de contos infantis são encontrados ideias semelhantes.

Ao fazer a leitura da obra não encontrei nenhum erro de ortografia e nem de digitação, muito pelo contrário, amei todo o trabalho de diagramação. A fonte é muito boa e o tamanho dela é confortável aos outros, só que a divisão de partes — Prelúdio e Enlace — pode ser considerado um fato relativo, pois cada leitor têm suas preferências e só fazendo a leitura do livro e esfolheando-o você irá entender.

Enfim, indico essa obra para todos os adultos que desejam fazer a leitura de contos em versão adulta e com uma pegada mais sombria. Além disso, a indicação também fica para aqueles que são fãs de personagens do gênero e até hoje não tiveram coragem em arriscar com edições alternativas, fica aí uma boa oportunidade.

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